José Canão (J.Canão): «Sistemas de Informação têm uma importância crescente no Shipping»

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REVISTA CARGO: A J. Canão organizou uma conferência subordinada ao tema “Shipping 4.0 – O Mar de Amanhã”, em parceria com a AGEPOR. Explique-nos a pertinência do tema proposto a debate e os objectivos do mesmo.

shipping 4.0 agepor e j.canao mostram o caminhoJOSÉ CANÃO: O tema proposto tem toda a actualidade face à revolução digital  actualmente em curso, a qual intercepta todo o sector dos transportes e consequentemente os conceitos e processos relativos ao transporte marítimo e à actividade portuária.

Sendo o transporte marítimo o principal modo mobilizado para o exercício do comércio internacional necessariamente o mesmo tem que ser pensado à luz de conceitos inovadores. Também associado à J.Canão temos a apresentação, pela 1ª vez, da Plataforma CANOW (em que o seu significado é CAN NOW “Pode Agora”) que vai de encontro aos temas inovadores propostos.

Entre os oradores e os tópicos confirmados, há algo que gostaria de destacar?

A qualidade dos oradores, bem como a experiência das empresas envolvidas e a cooperação estratégica com vista à partilha de soluções.

O destaque conferido aos processos decorrentes da revolução digital e a sensibilização para a permanente atitude de adesão a soluções inovadoras.

De uma forma resumida, começo por lhe lançar o desafio de nos antecipar opinião da J.Canão sobre aquilo que acredita vir a ser o mar do amanhã para o shipping.

A J.Canão entende que os sistemas de informação e comunicação têm uma importância crescente para shipping. No futuro será dada crescente atenção à sustentabilidade ambiental no que se refere ao uso do mar como suporte do modo de transporte marítimo.

A tendência do sector traduz-se na procura da melhoria dos processos de decisão logística aumentando a excelência das operações dando uma especial atenção à satisfação do cliente.



E como está a J.Canão a preparar-se e a adaptar a sua oferta para esse Shipping 4.0?

Adoptamos na nossa abordagem aos sistemas de informação e comunicação uma perspectiva que tem sempre presente a cadeia logística integrada, considerando a importância crescente da atenção dada ao transporte terrestre articulado com o transporte marítimo.

Assim desenvolvemos a plataforma CANOW, geradora de Projectos de Software com Metodologias Ágeis quer na análise, quer no desenvolvimento e a sua interligação com o mundo, para as áreas de negócios logísticos.

Esta está orientada para computação em nuvem assim como para estabelecer ligação com IoT e Algoritmos de Inteligência Artificial (AI).

No caso da automação dos terminais, com terminais importantes que podem vir a ser construídos em breve – casos do Terminal Vasco da Gama, Barreiro ou o novo Terminal de Contentores de Leixões – vê aqui oportunidade para dotá-los logo de maior automação?

canao-shipping-4.0A evolução de novas tecnologias determinam um processo de adaptação progressiva que dê uma atenção particular à atenuação dos impactos que estas transformações provocam nas questões sociais e laborais.

Assim desde a sua concepção até à sua adopção a processos operacionais, todos os responsáveis por estes processos, devem antecipar a procura e encontro de soluções que atenuem os impactos que possam vir a verificar-se. Sem a verificação desta condição não parece razoável e desejável introduzir mudanças que provoquem instabilidade laboral ou outra associada.

A automação dos terminais poderá ser um problema difícil de resolver em portos onde as negociações com os sindicatos de estiva são habitualmente mais difíceis? Poderá ser mais um foco de tensão?

Poderão ser um problema e um foco de perturbação se não for dada uma permanente atenção à alteração progressiva dos processos com a criação de mecanismos que resolvam os desafios sociais daqui decorrentes.

Nesta circunstância tem particular relevo o esforço que tem de ser desenvolvido na gestão da mudança com o envolvimento de todos os intervenientes nos processos em causa.

Fala-se cada vez mais da tecnologia Blockchain e do seu potencial impacto na Supply Chain e na Logística, em particular no shipping onde até já existem testes. Que méritos identifica na tecnologia que  possam trazer benefícios para o shipping?

A tecnologia Blockchain tem evidentes benefícios que decorrem da descentralização da informação, da segurança e confiança que transmite aos intervenientes na comunicação de dados.

Assim tem uma importância muito relevante para a desejável eficiência da cadeia logística global e naturalmente no particular segmento do shipping. No entanto é consensual que estes processos devem ser adequadamente regulamentados para deles se extrair todo o seu potencial positivo evitando indesejáveis distorções.

O Blockchain é uma tecnologia umbilicalmente ligada ao Bitcoin. Acredita que as criptomoedas também terão o seu espaço no shipping do futuro?

Não é fácil antecipar o papel dos meios de pagamento com recurso às criptomoedas. Sobre os navios autónomos, acredita que é algo que poderemos esperar para breve? E concorda que surgirão primeiro em serviços mais curtos e de rotina, casos dos ferries e de transporte marítimo de curta distância?

Neste domínio a evolução far-se-á progressivamente estando já hoje presente na operação dos navios um grande segmento de processos automatizados. A automatização integral parece-nos algo que estará presente a médio prazo.

Avançando para o tópico da Internet das Coisas (IoT): Numa recente apresentação que vi, percebi que apenas 1% das coisas que nos rodeiam estão conectadas. É todo um mundo por explorar. Também é de esperar que este fenómeno da internet das coisas mude o shipping que hoje conhecemos? De que forma?

O domínio da IoT que tem evoluído, a par do crescente tratamento de dados e da inteligência artificial constituí com estes processos inovadores, uma condição estruturante e de enorme alcance para o tratamento da cadeia logística de transportes.

A J.Canão considera que este é um domínio em acelerado crescimento e tem desenvolvido competências nestas áreas , encontrando-se a preparar a integração destes conhecimentos na sua nova e inovadora Plataforma CANOW para o desenvolvimento de projectos de gestão de processos de optimização da cadeia logística.

Em Portugal, temos a JUL já em preparação, um sistema onde está prevista a aplicação de alguns destes conceitos. Parece-lhe um passo importante para o avanço do Shipping 4.0 no nosso país?

Sim é um passo importante, no sentido de criar uma plataforma electrónica neutral e aberta proporcionando uma confiável e segura troca electrónica entre os intervenientes nos Portos e na cadeia
logística.

O objectivo é criar uma plataforma standard de comunicação para incrementar a pontualidade e a confiança da circulação das mercadorias que proporciona uma troca de informação electrónica entre parceiros logísticos através de métodos múltiplos entre Geradores de Tráfego, os Operadores de Transporte e os Consumidores.

josé canão jcanao canowNum mundo cada vez mais digital e conectado, será a cibersegurança um dos grandes desafios do futuro?

A segurança é um desafio constante a ter em conta no mundo actual tendo que estar em evolução permanente com o avanço tecnológico.

Sendo este um domínio que necessita de atenta regulamentação, processo que já se encontra em curso na União Europeia traduzindo-se em directivas dirigidas à segurança de dados pessoais.

E está o sector do shipping preparado para dar resposta aos ciber-ataques?

Nenhum sector está totalmente preparado mas é um aspecto que se encontra sobre atenção de todos os decisores e conforme anteriormente referido têm-se desenvolvido um esforço de regulamentação por forma a obviar os graves problemas criados neste domínio.

Falamos cada vez mais em navios autónomos, terminais automatizados. Que papel terão as pessoas neste shipping 4.0 e neste mar de amanhã?

Estamos num mundo de mudança e a consciência desta para as pessoas será vital para a sua adaptação. Desta forma impõem-se procedimentos com vista à gestão de mudança considerando os
novos desafios decorrentes da evolução tecnológica. Julgamos que este domínio tem particular presença todos os esforços a desenvolver na formação profissional assim como a adopção de projectos digitais utilizando ferramentas de fácil aprendizagem para os utilizadores, tendo como exemplo a plataforma CANOW desenvolvida pela J.Canão.

Ler também:

‘Yes we CANOW’: o futuro da «linguagem universal» em prol da conexão entre ‘stakeholders’



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