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ONI entra em força no sector da logística – Marco Pereira conta tudo em entrevista à Revista Cargo

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A ONI conta com muitos anos de actividade no mercado nacional, nos sectores das Comunicações e das Tecnologias de Informação. Nos últimos tempos, a empresa identificou um grande potencial no sector da logistica, onde não vê o avanço tecnológico a acompanhar o crescimento do sector, e tem apostado nesta área.

Com várias soluções já desenvolvidas e outras em teste, a ONI pretende marcar presença em toda a cadeia logística! Em entrevista à Revista Cargo, Marco Pereira – o responsável da ONI por esta área – conta-nos tudo! A não perder!

REVISTA CARGO: Como surgiu a oportunidade da ONI entrar neste mercado da logística?

MARCO PEREIRA: Para a solução específica de contentores refrigerados, fomos desafiados por um cliente, a Alcotrans, que nos pediu uma solução que monitorizasse em tempo real a temperatura dos contentores refrigerados e a sua localização. Isto porque transportam uma carga, os produtos farmacêuticos, que já por si é alvo de uma regulamentação muito apertada, o que exige cuidado extra neste tipo de transporte, daí terem recorrido à ONI.

Fruto desse desafio, tentámos encontrar uma solução que fosse ao encontro de todas as necessidades daquilo que nos foi proposto. E conseguimos! Fizemos um primeiro período de teste, há um ano e quatro meses, depois implementamos e tem sido um sucesso. Tem corrido tudo muito bem, tem sido passado esse feedback à indústria farmacêutica e creio que a curto/médio prazo teremos este tipo de solução como o standard neste tipo de indústria. Até porque as soluções usadas actualmente, os data loggers, não me parece que estejam de acordo com as necessidades da indústria, não só da farmacêutica como de outras.

Aliás, recentemente uma empresa veio ter connosco precisamente para dizer que não entendia como é que nos tempos de hoje, para saber onde está determinada carga, tenha de ligar para um transportador ou para outro elo da cadeia de abastecimento. A mesma coisa para saber onde está, quanto tempo ficou à espera na entrada para distribuição, entre outros dados. Isto quando se consegue fazer tudo através de uma plataforma que utilize sensores de uma maneira automatizada.

Estes são equipamentos que exigem um investimento adicional. É um investimento que a indústria aceita e que percebe que terá retorno?

Quando me falam em investimentos nestes equipamentos, digo sempre que acaba por não ser um investimento assim tão grande porque a optimização que ele permite leva a que a maior parte destes investimentos fiquem pagos em menos de um ano. Além de que são inovações tecnológicas que o sector vai começar a exigir cada vez mais.

É verdade que tem o seu custo inicial. Mas não considero que seja um custo elevado. Além disso, é um investimento em segurança e tem sempre retorno. Os gastos que se poupam são muito superiores aos custos dos equipamentos.

Este é um produto destinado a um tipo de carga com algum valor, certo?

Um equipamento específico, o ‘Tetis R’, é para carga refrigerada. Mas também temos o ‘Tetis’ normal que está vocacionado para carga em ambiente. Depois temos o caso dos ‘Watchlock’ que não fazem monitorização de temperatura, fazem apenas a geolocalização e todos eles têm sempre um acelerómetro que permite saber quando é que há uma manipulação errada da carga. Sempre que a carga não está a ser tratada com o devido cuidado, o dispositivo gera um alerta. Assim como quando há uma abertura de porta, por exemplo. E esta é uma solução que já não é só para contentores, é para qualquer tipo de fecho. Temos utilizado, por exemplo, nas torres de comunicações onde os geradores também necessitam de manutenção, para saber quando lá vai a equipa e quanto tempo lá esteve. Isto eram situações onde não se conseguia ter um controlo exacto, estávamos dependentes do que nos comunicavam. Mas são situações onde temos de ter o controlo total em toda a cadeia, e é para isso que servem todas estas soluções tecnológicas.

Em que fase de desenvolvimento estão então as soluções da ONI para esta área?

O lançamento oficial foi feito recentemente, no ‘Supply Chain Meeting’, apesar de já termos soluções no mercado com alguns dos nossos clientes e que podemos considerar como uma fase beta, onde estamos a testar o mercado, o produto… E estamos assim a perceber qual a reacção dos nossos clientes.

O que posso dizer é que o feedback tem sido óptimo. Sentimos que esta área de mercado não tem sido correctamente explorada pelos vários players, o que suscita ainda maior interesse da nossa parte. Ainda por cima, este é um mercado que está em contraciclo com aquilo que tem sido o ciclo negativo da economia europeia. Aqui tem havido crescimento e o maior crescimento de todos tem sido sem dúvida no transporte marítimo de contentores. Daí ter sido nesse sector que a ONI deu o primeiro passo, pois esse crescimento fez com que os players estivessem mais ávidos por este tipo de soluções. Mas todo o sector dos transportes em Portugal tem crescido bastante. Tem sido uma área em franco desenvolvimento tecnológico e por isso aqui estamos.

Considera que o desenvolvimento tecnológico não acompanhou o crescimento deste sector?

Sem dúvida! Penso que o sector tem de correr agora mais um bocadinho no que diz respeito a estas soluções tecnológicas. Alguns sectores, como se compreende, fruto de algumas dificuldades económicas, tiveram de restringir os investimentos. E muitas vezes este tipo de soluções são colocadas de parte até existir uma retoma na economia para que, aí sim, se pense novamente nesse tipo de investimento. Mas correm o risco de, se passar demasiado tempo, já não ser possível apanhar o comboio tecnológico.

porto de lisboaEspecificamente sobre o ‘Tetis R’ utilizado nos contentores marítimos, que informação transmite ao utilizador?

O ‘Tetis R’ tem vários sensores, de temperatura, de humidade, um acelerómetro, tem um sensor de luminosidade que permite detectar qualquer acesso ao contentor pois (e apesar de também vir equipado com sensores de abertura e fecho de portas) num navio as intrusões nos contentores podem não se dar pela porta. Houve um caso de um contentor com LCD’s que abriram um buraco no topo do contentor pois sabiam que estava equipado com sensor de fecho. Mas não sabiam que o mesmo estava com o sensor de luminosidade e, mal abriram, foi accionado um alarme que permitiu ao nosso cliente avisar as autoridades.

Não há outra face desta moeda relacionada com o facto dos contentores equipados com estes dispositivos serem mais aliciantes por se perceber que transportam materiais valiosos?

Pelo contrário! Um ladrão quando olha para uma casa com alarme e outra sem alarme, vai sempre pelo caminho que lhe cria menos dificuldades. Portanto, eu acredito que o mesmo acontece aqui. Até porque muitas vezes a carga que está no contentor não terá grande facilidade de escoamento nos mercados paralelos. Falo dos casos da tecnologia, alguns medicamentos, armas… O que o nosso produto faz é que estejam sem dúvida mais seguros.

monotoring oniEssa solução do controlo no fecho é também interessante para os produtos perecíveis?

Sim, sem dúvida! Temos feito menção a isso na ONI. Repare: Cerca de 30% dos produtos perecíveis em trânsito não chegam ao destino final porque acabam por se deteriorar devido a quebras na cadeia de frio. Os produtos podem aguentar um tempo considerável, no entanto bastam umas horas de quebra na cadeia de frio e ficam irremediavelmente danificados.

O conjunto de soluções da ONI para esta área logística já permite acompanhar um contentor desde a origem até ao destino. Dominar toda a cadeia é o objectivo?

Sem dúvida! A nossa ideia é fazer o seguimento de A a Z em toda a cadeia. Desde a monitorização do camião, da carga, do motorista… Podemos fazê-lo com soluções como o ‘Tetis’, que fazem a monitorização quando o contentor não é nosso. Mas depois temos soluções para quando o contentor é do cliente, soluções fixas que estão ligadas à centralina, aos motores de frio, e permitem remotamente controlar esses motores.

Acredita que o futuro deste sector passará então por estas novas tecnologias?

O nosso já passa. Como o nosso foco é a tecnologia, a cloud e as comunicações, faz todo o sentido que estejamos interessados nesta área porque todas estas soluções passam por soluções em cloud – coisa que nós fazemos desde há muito tempo através dos nossos data center no Cais da Matinha e no Porto. O nosso core business são as comunicações! Todas estas soluções têm implícita uma forte vertente de comunicação. Além disso, este é um sector que está necessitado de soluções nacionais, para que os players não tenham que andar a recorrer a soluções de fora. É aí que a ONI quer entrar, sendo um operador nacional a ajudar as nossas empresas a dotarem-se tecnologicamente.

Na ONI somos especialistas em desenvolver soluções à medida. Os nossos clientes abordam-nos com necessidades muito específicas e nós desenvolvemos o produto à medida das suas necessidades.

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