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Porfírio Gomes (CPS): «Porto de Setúbal tem resposta imediata para os próximos tempos»

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O Presidente da CPS foi um dos elementos que acompanhou a Ministra do Mar na recente visita à China – na imagem, em Xangai.

A Comunidade Portuária de Setúbal (CPS) organiza, na próxima quarta-feira, uma Conferência subordinada ao tema “Porto de Setúbal – Uma Solução para a Região de Lisboa – Mais capacidade, Maior competitividade”. O evento terá lugar da parte da manhã, no Fórum Luísa Todi (Setúbal).

Numa entrevista em exclusivo à Revista Cargo, o Presidente da CPS, Porfírio Gomes, antevê o evento e admite que os objectivos passam por mostrar o Porto de Setúbal como solução imediata para a Região de Lisboa, em particular com os avanços que estão a ser feitos nas acessibilidades marítimas e ferroviárias.

Nesta antevisão (um excerto de uma entrevista maior que poderá ser lida no próximo número da Revista Cargo!), Porfírio Gomes aborda ainda o potencial de crescimento do Porto de Setúbal em várias frentes, nomeadamente no que diz respeito à carga contentorizada.



REVISTA CARGO: A CPS organiza, esta quarta-feira, uma Conferência subordinada ao tema “Porto de Setúbal – Uma Solução para a Região de Lisboa – Mais capacidade, Maior competitividade”. Quais os objectivos deste evento?

PORFÍRIO GOMES: A Conferência insere-se num conjunto de Conferências que a Comunidade Portuária de Setúbal tem vindo a efectuar no últimos anos. Começámos no final de 2013, realizámos outra um ano depois, e agora entendemos que é o momento para avançar com uma terceira edição e para dar a conhecer o que se está a passar actualmente no Porto de Setúbal.

Nas duas primeiras Conferências quisemos dar visibilidade ao Porto de Setúbal, mostrando-o aos stakeholders da Comunidade Portuária e à própria Comunidade Portuária pois havia pessoas que estando aqui não conheciam todo o potencial do porto. Quisemos criar visibilidade, chegar junto do poder, pois chegámos à conclusão que mesmo no poder as pessoas não conheciam o potencial do que têm em mãos. Houve então necessidade de lhes transmitir o que havia, as disponibilidades imediatas que tinham aqui e não tanto os grandes investimentos falados para outros Portos.

Na primeira Conferência, em 2013, uma das conclusões a que se chegou, reforçada pelo Professor Crespo de Carvalho, foi que o futuro do Porto de Lisboa era o Porto de Setúbal. Não era tanto uma visão de Lisboa versus Setúbal mas sim de um ponto de vista helicopteriano, relembrando a pressão que a cidade de Lisboa faz sobre o Porto de Lisboa ou o facto de estarmos a tão poucos quilómetros de Lisboa.

Na segunda Conferência, tivemos a colaboração do Professor Augusto Felício que nos fez um estudo mais orientado para a competitividade de Setúbal. Foi um estudo bastante aprofundado pois na altura já estava em causa a questão do Barreiro. Aí, o Professor Augusto Felício focou-se na questão da competitividade de Setúbal versus Barreiro, e até um pouco da Trafaria que ainda se falava mas já estava mais de parte. Foi um estudo bastante profundo, um estudo universitário com base científica, onde foram analisadas várias componentes: as acessibilidades, marítimas e terrestres; os custos das dragagens; os custos da construção; foi até ao ponto de se comparar os custos do transporte rodoviário de um contentor com base em várias origens/destinos e Setúbal ou Barreiro. O estudo identificou um conjunto de vantagens e desvantagens de um lado e do outro, concluindo que Setúbal, apesar de estar um pouco mais longe e tendo mesmo em conta que grande parte da carga tem origem/destino na margem norte do Tejo, acabava por ser mais competitivo.

Estes eventos surgiram, no fundo, como uma forma de darmos visibilidade ao Porto de Setúbal. O meu antecessor, o falecido Engº Frederico Spranger, costumava dizer: «Se não conseguirmos baixar a serra da Arrábida, não somos vistos!». Portanto, havia a necessidade de realizar um trabalho de campo para dar essa visibilidade ao Porto de Setúbal. Foi um trabalho de marketing, apontado para fora, mas também para o interior da própria comunidade onde fomos analisando quais as restrições com que o Porto de Setúbal se confrontava e que eram limitativas do seu desenvolvimento. E foram identificados como factores restritivos as acessibilidades marítimas e ferroviária. A partir da identificação das restrições, a APSS com o apoio da CPS iniciou um trabalho cujo culminar irá ser apresentado nesta Conferência.

Estamos convencidos que os investimentos que irão ser apresentados terão início no princípio de 2018, pois todos os trâmites administrativos com autorizações e concursais já foram ultrapassados. Serão criadas as condições para que o Porto de Setúbal possa aumentar o seu hinterland e entrar numa nova fase que deu origem ao título da Conferência: Uma Solução para a Região de Lisboa – Mais capacidade, Maior competitividade.

Depois desses estudos, como é que a Comunidade Portuária de Setúbal viu os avanços no projecto do Barreiro?

A direcção da Comunidade Portuária de Setúbal tem dificuldade em entender que, existindo capacidade instalada disponível em Setúbal, se continue falar da construção de outro terminal na mesma região, seja ele no Barreiro ou em qualquer outro local! Não quer dizer que não seja uma solução para daqui a uns anos, mas no imediato os estudos mostram que é evidente que a solução é Setúbal. O Porto de Setúbal tem junto de si a indústria, está perto de Lisboa, tem 12 terminais, dos quais sete são de utilização privada e cinco são de serviço público… E, ao olhar para todos os terminais públicos, concluímos que, com excepção do terminal ro-ro que agora está com uma taxa de ocupação relativamente elevada, temos um terminal de contentores a 25% da sua capacidade e os outros terminais a 50% da sua capacidade. Portanto, há aqui resposta imediata para os próximos tempos! Logo, não entendemos esta questão do «tem que ser» em relação à construção de um novo terminal, seja ele Barreiro ou outro, quando está longe de ser esgotado o potencial que existe em Setúbal.

Setúbal é a resposta para que tipo de cargas?

Terminal de Contentores de Setúbal

Setúbal é um porto cujas valências dos seus terminais respondem a praticamente todo o tipo se solicitações, sejam elas carga contentorizada, carga geral unitária, graneis sólidos e líquidos, etc. Quanto aos terminais mais orientados para a Carga Geral e Graneis, pensamos que terão um crescimento acima do crescimento da economia Nacional, pois, tem um conjunto de cargas que apresentam um comportamento estrutural e não conjuntural, fruto do próprio ADN industrial do porto de Setúbal, e outras que variam mais com os ciclos económicos. A Carga Contentorizada é a que poderá crescer mais rapidamente, onde dispomos de um terminal de contentores com um grande potencial, com 22 hectares de retaguarda e 800 metros de frente, com capacidade para responder até 750.000 TEU’s, e estar menos limitado no seu hinterland.

Portanto, faz-nos alguma confusão a pressão que existe para se construir um novo terminal nesta região, seja ele onde for. Entendemos que Lisboa e Setúbal são dois Portos que são dois braços do mesmo corpo para a região onde estão inseridos. Têm características diferentes que lhes permite complementarem-se um ao outro. A excepção poderá ser os contentores, onde concorrem ou se complementam, dependendo da visão que se tem para o porto versus cidade de Lisboa. É, no entanto, nosso entendimento que para servir a região temos de ver o somatório dos dois portos. E, pelo estudos que temos, para os próximos 10 a 15 anos não haverá necessidade de um novo terminal.

O próprio Tribunal de Contas, num relatório de há dois anos atrás, concluiu que os Portos são infra-estruturas de capital intensivo que precisam de massa crítica e precisam de tempo para serem rentabilizados. E nós entendemos que não faz muito sentido estar a investir numa nova infra-estrutura, pois a massa crítica vai-se dispersar. E ainda por cima com dinheiros públicos, porque por mais que digam que será investimento privado todos sabemos que no fim haverá uma factura que irá parar ao Orçamento de Estado e, no limite, vai parar aos bolsos dos contribuintes. Há sempre uma componente do investimento que é pública, seja nas acessibilidades, nas dragagens…

Tem esperança que esse crescimento do terminal de contentores seja conseguido com o aumento do canal de acesso ao Porto de Setúbal, previsto para breve?

Temos tido já um crescimento percentual nos contentores relativamente elevado. Mas as coisas levam o seu tempo. O mercado do Porto de Setúbal é o mercado nacional. Onde vemos grandes crescimentos em muito pouco tempo é nos grandes terminais de transhipment.

Será de esperar que venham a Setúbal menos navios porta-contentores mas de maiores dimensões?

Penso que iremos ter um misto dos dois. Quando cheguei aqui, a informação que se passava para fora era que Setúbal não tinha capacidade para receber determinados tipos de navios. Mas essa informação que se passava não era correcta, alguém passava a informação aos armadores de que os navios deles não podiam vir a Setúbal. Tivemos, há uns anos atrás, o caso concreto de uma grande armador que teve a necessidade de se fazer deslocar propositadamente a Setúbal para reunir com a Administração Portuária e aferir das reais potencialidades de Setúbal.

Nós fizemos um estudo de todos os navios que entram em Lisboa e diria que 95% desses navios também aqui podem entrar hoje. O que estamos a fazer neste momento com o aumento do canal de acesso é possibilitar que sejam aqui recebidos os navios da gama a seguir aos que hoje já se recebem. O nosso mercado não é o dos grandes navios, não é o deep sea, é o mercado nacional. Sines é de outro campeonato. O que queremos é criar melhores condições de segurança para os navios que cá vêm, sempre conscientes de que o nosso mercado é no short sea shipping.

Leia a entrevista na íntegra no próximo número da Revista Cargo.



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