Escassez de motoristas: poderá a causa estar nos salários? Especialista Steve Banker analisa o fenómeno

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O fenómeno da falta de motoristas no transporte rodoviário de mercadorias é já sobejamente conhecido nos EUA, assim como no Brasil e, cada vez mais, no continente europeu. A tendência, segundo a American Trucking Association, tem-se acentuado desde 2005 até aos dias de hoje, e, no horizonte, os especialistas não vislumbram quaisquer sintomas que indiquem uma inversão no padrão.



As várias análises ao problema, normalmente recaindo sobre variáveis como o aumento da idade média dos motoristas, subida dos requisitos mínimos para o ingresso na profissão e a próprio dureza (física e psíquica) do trabalho costumam ser explicações utilizadas para entender a temática da escassez de motoristas. Para Steve Banker, vice-presidente da divisão de Serviços de Supply Chain na ARC Advisory Group, a génese do problema reside nas remunerações.

Falta de motoristas? Para Banker, o problema está no nível dos «salários vigentes»

Banker, assíduo analista na ‘Supply Chain Management Review’ e colunista na ‘Logistics Viewpoints’, defende não existir «uma falta de motoristas mas sim uma escassez de motoristas dispostos a trabalhar pelos salários vigentes» nos EUA, país que utiliza para analisar o fenómeno. Para o especialista, «tal problema pode ser resolvido aumentando o pagamento ao motorista. E é isso que está a acontecer. A American Trucking Association, já declarou que os salários anuais dos camionistas subiram entre 15% e 18% entre 2013 e 2017», comenta.

Na opinião de Steve Banker, publicada na edição online da revista Forbes, é defendida a tese de que os funcionários deverão também ser remunerados de modo adicional tendo em conta as longas esperas à entrada dos portos, para o carregamento e descarregamento das mercadorias. «A pesquisa DAT dá conta que os carregadores não parecem levar em conta as horas de serviço do motorista durante o carregamento e o descarregamento», explica.

«Mais de 77% das operadoras informaram que seus motoristas são retidos por mais de duas horas em pelo menos uma em cada cinco actos de carga/descarga. A empresa do motorista pode cobrar taxas acessórias por períodos indevidamente longos de carga e descarga. Mas essas taxas muitas vezes não chegam ao salário do motorista», descreve Steve Banker no seu artigo, abordando, também, os congestionamentos cada vez mais frequentes.

Smartphones, GPS e ELD permitem tracking dos timings e trajectórias do condutor

«O congestionamento do transporte de mercadorias está a aumentar. Não deve surpreender ninguém que o tráfego se torne cada vez mais lento nas áreas metropolitanas. Mas os acidentes, os trabalho nas estradas e o mau tempo podem atrasar o tráfego inesperadamente em qualquer lugar e a qualquer momento. Historicamente, existiam boas razões pelas quais as operadoras relutavam em pagar por horas conduzidas», explica. Mas, com as inovações tecnológicas, sistemas de GPS, smartphones e dispositivos ELD, a fiabilidade do timings e trajectos é bem precisa.

Esta e outras temáticas estarão a discussão no próximo dia 7 de Junho, no evento Intersight by Interfaces Portugal: Em Nome da Mobilidade. Saiba mais AQUI.



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