Piedade Redondo Pereira (Escola de Comércio de Lisboa): «Existe grande carência de técnicos intermédios qualificados nas empresas»

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A Escola de Comércio de Lisboa caminha para as três décadas de existência e a Dr.a Piedade Redondo Pereira conhece, melhor que ninguém, a essência e a filosofia de actuação desta entidade pedagógica e formativa. Dotada de um cariz altamente prático e de uma flexibilidade curricular diferenciadora, a escola que «fala a uma só voz» tem, na pessoa da sua directora, um dos esteios da ADN sócio-profissional focado nas necessidades dos alunos.

A Revista Cargo teve a oportunidade de amplificar essa voz, numa entrevista generosamente concedida pela Dr.a Piedade, na qual um dos focos de interesse reside no sucesso do Curso Técnico de Logística, executado em parceria com a Sonae.



REVISTA CARGO: Fale-nos um pouco sobre a criação e os princípios fundamentais da Escola de Comércio de Lisboa.

PIEDADE REDONDO PEREIRA: A escola foi criada em 1989, portanto há 28 anos, e eu estou na escola há 25 anos, só não vivi os primeiros 3 anos da instituição. A Escola de Comércio de Lisboa foi uma das primeiras escolas profissionais a ser criadas, partindo de uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa através do então vereador do comércio, Dr. Pombo Cardoso, que considerava serem necessárias pessoas qualificadas para trabalhar no comércio. Lisboa não tinha essas pessoas, daí a iniciativa de criar uma escola de comércio.

A essa iniciativa juntou-se a Confederação de Comércio e Serviços de Portugal, a União das Associações de Comércio e Serviços (UACS) e o Grupo Ensinus, uma instituição ligada ao ensino. Nos primeiros anos funcionou com este núcleo de 4 entidades que detinham a escola. A Câmara Municipal de Lisboa entretanto saiu pois considerava que o projecto estava consolidado, seguiu-se a saída da UACS, por considerar que a cúpula do comércio já estava representada pela confederação. Neste momento a escola e detida pela confederação e pelo Grupo Ensinus.

Digamos que, do nosso ponto de vista, foi um projecto muito bem estruturado. Iniciou-se logo com uma visão europeia, tendo sido criado em parceria com o programa PETRA, um programa comunitário existente na altura e fez-se uma parceria com uma escola francesa. O primeiro curso a ser criado na escola (de técnico de comércio) contou com a matriz curricular que existia, à data, nessa escola francesa. Do nosso ponto de vista tratou-se de uma matriz muito inovadora, porque na componente técnica continha 3 verbos que ainda hoje são extraordinariamente importantes: Vender, Gerir e Empreender.

Do nosso ponto de vista, estes três verbos demonstram a acção que se pretende dos cursos profissionais: o saber fazer, que, para nós, é fundamental e é algo que, à data, foi muito inovador e muito relevante para o êxito que ainda hoje este curso de técnico de comércio tem em termos de percursos profissionais.

Isso reflecte na perfeição o cariz prático da Escola de Comércio de Lisboa?

Exactamente. Nós tentamos, sempre que abrimos um curso novo, criar uma empresa de treino associada e é por isso que temos uma loja alimentar pedagógica, um mini-mercado com 200m2 que permite desenvolver competências com base no saber fazer. Isso do nosso ponto de vista é muito interessante. Funciona como um laboratório pedagógico: não vendemos o produto, mas efectuamos simulações de venda, simulações para trabalhar toda a dinâmica comercial, desde a idealização da estrutura dos produtos nos lineares, da rentabilização do linear, da concepção de embalagens adequadas para que seja rentável, e da simulação de vendas em português, inglês, espanhol ou francês – tudo isso se passa naquela loja. Tudo aquilo que é inerente à dinâmica profissional.

Depois fomos alargando o nosso portefólio de cursos, passando pelo curso de técnico de Marketing, de Vendas, de Vitrinismo e, ultimamente, acabámos também por incorporar o curso de Logística nesta panóplia de cursos, porque, efectivamente, pretendemos que a escola ministrasse todos os cursos da área do comércio. Nós queríamos, enquanto Escola de Comércio de Lisboa, abranger todas estas áreas.

Neste momento também estamos a direccionarmo-nos um pouco para o Turismo, mas digamos que o nosso foco sempre foi e continuará a ser o comércio. O curso de Logística é realmente um curso com uma empregabilidade de 100%.

E qual é o segredo para esse sucesso?

sonae escola de comercio lisboa logisticaNão há qualquer segredo. Na verdade, as empresas hoje em dia precisam desses técnicos porque existem técnicos superiores, licenciados, mas a operação não se faz só de técnicos superiores, também se faz de técnicos intermédios, e há realmente uma grande carência de técnicos qualificados a este nível. Nós começámos, com a Sonae, um projecto que consideramos muito interessante, com uma turma em que todos os alunos foram estagiar para a Sonae – 24 alunos distribuídos pelos vários vectores da plataforma logística da Sonae, que, pela sua dimensão, conseguiu albergar todos estes jovens. O sucesso também se deve ao facto da Sonae cuidar muito bem dos seus recursos humanos e algumas das aulas eram ministradas propriamente nas instalações da Sonae, com formadores da Sonae Acabámos por desenvolver uma forte interacção com a insígnia.

A partir de 2014 temos continuado a desenvolver este curso. Alargámos um pouco mais porque, neste momento, não temos apenas alunos a estagiar na Sonae: temos na Urbanos, na Delta, na Leroy Merlin. Ou seja, alargámos o número de insígnias com as quais trabalhámos. Isto porquê? Porque no primeiro ano conseguimos integrar todos os alunos apenas na Sonae, mas, no ano a seguinte, esses mesmos alunos ainda lá estavam, pois nós queremos que os alunos desenvolvam a sua actividade na mesma insígnia durante os 3 anos. Isto leva a que muitas vezes os alunos terminem os cursos e continuem a trabalhar nas próprias insígnias. Daí acabar por ser um curso que representa uma grande oportunidade para os alunos. Isto apesar de os outros cursos também terem uma empregabilidade na ordem dos 90%. Neste momento, 70% dos nossos alunos nunca tiveram nenhuma retenção, vêm directamente do 9º ano para aqui, os cursos profissionais já não são uma alternativa menor, são encarados como uma opção válida, o que leva a que muitos deles tenham a intenção de continuar os seus estudos. Sejam os cursos superiores de curta duração ou até mesmo licenciaturas.

Temos muitos alunos que vêm para a escola com o objectivo de ir para cursos superiores de Gestão ou Marketing. Mesmo alunos que frequentaram Logística – certificaram-se como técnicos de logística – seguiram para o ensino superior, e estão, neste momento, a trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Muitas vezes quem frequenta o ensino profissional estuda e trabalha ao mesmo tempo, isto porque estes alunos tiveram sempre oportunidade de fazer formação em contexto de trabalho ao longo dos três anos, uma em cada ano. Nós consideramos que o vaivém entre a escola e a empresa é fundamental para o desenvolvimento das suas competências e, nesse sentido, trabalhamos desta forma, acrescentando ainda o facto de termos uma visão europeia e de estarmos, desde o início, envolvidos em projectos comunitários.

Neste momento temos 100 mobilidades por ano, para países como Espanha, França e Reino Unido. Os alunos do primeiro ano realizam um estágio de observação de duas semanas, isto quer dizer que vamos ter 25 alunos a ir para Londres e 25 alunos a ir para Paris. No segundo ano, os alunos realizam um estágio de seis semanas em Barcelona, Paris e Cardiff. Para os diplomados, ou seja, após a formação de nível 4, oferecemos a oportunidade de irem para Barcelona, Paris e Cardiff, durante seis meses. Este cariz de experiência, não só nacional, como internacional, permite aos nossos alunos traçarem o seu projecto de vida e trabalho nas empresas.

Nós temos um gabinete de gestão de carreira que, na fase final, quase não tem interferência na busca de empresas para os nossos alunos. São eles próprios que constroem o seu percurso profissional com os estágios que foram completando.

Nós temos também um objectivo: entendemos que terão de ser os alunos a construir o seu projecto de vida. Assim, mal o aluno entra, disponibilizamos um espaço que se chama integração profissional em que essa integração é sempre coordenada pelo orientador educativo, e temos também um orientador profissional, alguém proveniente das empresas e que ajuda os alunos a conhecer o mercado de trabalho e as oportunidades que têm na sua área. Muitas vezes dão-lhes as dicas para procurarem o estágio A, B ou C, a empresa X, Y ou Z, para que eles encontrem os estágios que mais estão de acordo com o seu projecto de vida – portanto são eles que vão construindo o seu próprio projecto de vida.

Esse acompanhamento individualizado evita que os alunos escolham uma carreira que não é consonante com as suas capacidades, certo?

Exactamente. Entendemos que este modelo de ensino é a forma mais eficiente de integrarmos os alunos no mercado. Isto deve-se também à forte ligação que nós temos com o tecido empresarial. São 28 anos a trabalhar a relação com as empresas e nós costumamos dizer que não seriamos o que somos hoje se não tivéssemos feito o caminho sempre ao lado das melhores insígnias em Portugal ligadas ao comércio. Isto deu-nos imensos conhecimentos porque temos sempre uma grande preocupação em estabelecer parcerias com as empresas damos os nossos alunos formados, capacitados, mas também queremos receber aquilo que as empresas possam ter para nos retribuir.

Miguel van Uden, fundador da H3, pertenceu primeira turma de Escola de Comércio de Lisboa e é hoje embaixador do ensino profissional

Muitas vezes temos o apoio das empresas a todos os níveis, seja financeiro, na forma de géneros e também de conhecimento, que é o mais importante. Este conhecimento permite-nos adaptarmo-nos, evoluirmos e fazermos com as formações estejam adaptadas às necessidades do mercado de trabalho. Vem daí também a nossa forte empregabilidade e o facto de conseguirmos protocolos com empresas líderes de mercado. Estamos sempre a dizer aos nossos alunos: «não se nivelem por baixo, escolham os melhores, sejam ambiciosos». Hoje em dia temos jovens muitíssimo bem posicionados no mercado de trabalho.

Nós sabemos isso porque os antigos alunos se tornam depois mentores dos alunos actuais. Um deles, que frequentou a primeira turma da escola e que sempre referimos como exemplo é o Miguel van Uden, do H3. Como ele temos muitos, mas damos esse exemplo pois achamos curioso o facto de ele ter pertencido à primeira turma da escola. Hoje é embaixador do ensino profissional e isto acaba por ser, do nosso ponto de vista, interessante, pois achamos que é inspirador para os novos alunos.

Como um ciclo que se repete?

Sim, usamos muito os exemplos de antigos alunos, para que voltem e passem o seu testemunho aos novos alunos. Estamos também muito voltados para o empreendedorismo. Fazemos, por exemplo, um ‘Lago dos Tubarões’ com esses profissionais que foram alunos da escola e que servem de inspiração aos actuais. Por exemplo, este ano, a equipa do Junior Achievement foi seleccionada para a competição nacional e o ano passado a nossa escola foi considerada a escola portuguesa mais empreendedora. Fomos receber o prémio a Talin, na Estónia. Acabamos sempre por estar muito envolvidos nessa área.

Em que contexto surgiu a parceria com a Sonae para o curso de logística?

Foi dentro daquilo que estávamos a falar há pouco que é o facto de nós procurarmos sempre trabalhar com os melhores.

Foi fácil? A Escola de Comércio de Lisboa já trabalhara com a Sonae noutros cursos?

O curso de logística foi primeiramente implementado na área de aprendizagem, só mais tarde entra no catálogo dos cursos profissionais. Então, a primeira vez que ministrámos o curso de Logística foi enquanto curso vocacional. No tempo do ministro Nuno Crato foram criados os cursos vocacionais; tinha de existir uma forte ligação com uma empresa, para que o curso fosse aprovado, e nós fizemos então proposta à Sonae. Foi muito fácil, não tivemos a mínima dificuldade. A Sonae foi a nossa primeira escolha, consideramo-la uma escola em si, que trata muitíssimo bem os formando. Foi a melhor opção. Depois queríamos que os alunos fossem todos para a mesma insígnia e a Sonae era a única que tinha capacidade para conseguir acolher todos os alunos de uma vez.




No segundo ano dispersámos os alunos por várias insígnias, como a Delta, a Leroy Merlin ou a Urbanos – esta opção teve a ver com uma questão de dimensão das mesmas, pois actualmente, só vemos duas insígnias com dimensão para poder acolher todos os alunos de uma vez.

No contexto do curso Técnico de Logística, consegue dar-nos o retracto das valências com que os alunos saem da Escola de Comércio de Lisboa?

Nós, cada vez mais, tentamos alargar as competências adquiridas pelos alunos, na perspectiva de que os alunos vão, ao longo da sua vida, mudar várias vezes de trabalho. Todos nós sabemos que as profissões mudam. Não sabemos como será o futuro, embora no caso na Logística já tenhamos um vislumbre do que poderá ser, com a crescente automatização. Portanto, tentamos fazer formações de banda larga, no sentido de proporcionar uma formação integral muito baseada na tomada de decisão. Os nossos alunos trabalham por projectos. Projectos muito próximos daquilo que será a realidade das funções nas empresas. Esses projectos, permitem-lhes saber trabalhar em equipa, tomar decisões, ter pensamento crítico: essas acabam por ser as grandes competências que nós tentamos que os nossos alunos tenham quando daqui saem. Todos os projectos que eles vão desenvolvendo permitem a aquisição dessas competências que são extraordinariamente importantes.

Já a componente sócio-cultural e científica, tentamos que se interligue com as competências técnicas, ou seja, tentamos que não sejam compartimentos fechados e estanques, mas sim que estejam interligados no sentido de potenciar essa aprendizagem integral e que lhes proporcione recursos para reorientarem-se, se assim for necessário.

É constante o desenvolvimento tecnológico e o progresso da digitalização: tal pode ser visto como um estímulo para a contínua aposta, tanto dos mais novos como dos velhos, na formação?

Em vez de termos aulas muito expositivas, temos projectos, desafios que são lançados aos alunos para que eles possam trabalhá-los no sentido de desenvolverem essas competências que consideramos serem fundamentais para o seu projecto de vida. Nós estamos num projecto com um pedagogo espanhol, o Xavier Aragay, que tenta imaginar a escola criando mecanismos – que não são completamente novos – cuja implementação tem sido tentada na Catalunha. Este movimento acabou por extravasar a Catalunha. Em Portugal, com o actual Secretário de Estado, com o tal projecto de autonomia e flexibilidade curricular (muito inspirado nesta filosofia), acabámos por fazer parte desta transformação. Somos uma das escolas profissionais que estão a evoluir nesta vertente, para trabalhar muito em metodologias activas, nas quais o aluno é o centro do processo – trabalhamos muito com projectos negociados com os alunos, lançamos uma ideia e trabalhamos com os alunos aquilo que depois vamos fazer. Tudo é planificado juntamente com o aluno. Temos salas muito abertas, três turmas a trabalhar juntas sempre com três professores, com o trabalho a ser muito focado no aluno e os professores a auxiliarem de acordo com as necessidades de cada aluno. Esta interacção entre alunos, aluno-professor e entre professores, evita o trabalho isolado do professor e é relevante para o conhecimento entre pares e para a complementaridade do saber.

Quão difícil tem sido, ao longo de mais de duas décadas, manter esta filosofia de actuação independentemente das circunstâncias?

Não tem sido assim tão difícil. Em primeiro lugar, acreditamos naquilo que fazemos. Acima de tudo temos um projecto educativo, uma visão estratégica – é preciso seguir essa visão e só a conseguimos atingir se tivermos uma equipa que comunga dos mesmos princípios. O segredo está na equipa, ninguém faz nada isoladamente. Depois temos a grande vantagem de podermos recrutar os seus docentes, temos a felicidade de ter uma equipa muito estável, com muitas pessoas que trabalham aqui comigo há 25 anos. Essas pessoas acreditam nesta visão estratégica e neste projecto educativo. Temos de estar sempre disponíveis para os desafios, para a reflexão pedagógica e para fazermos mais e melhor em prol dos nossos alunos. Tudo o que trabalhamos aqui na escola é partilhado. Discutimos, com flexibilidade, todos os projectos e o caminho que vamos seguir. Ao longo de cada ano lectivo, temos muitos dias de trabalho pedagógico desenvolvido com várias metodologias (em trabalho de grupo) mas sempre com muito planeamento: falamos a uma só voz.

Essa flexibilidade curricular é reflexo de uma maleável estruturação da vertente formativa?

Nós não temos caminhos que sejam fixados à partida. Chamo-lhe tacteamento experimental. Estamos sempre prontos e disponíveis para reflectir sobre o que será melhor para os alunos. A flexibilidade não pode apenas recair sobre os alunos, ela só resulta se for também aplicada à equipa pedagógica, que tem de ser formada pelos alunos, pela direcção e pelos professores – todos temos de estar em consonância.

Qual foi o maior desafio que enfrentou nestes 25 anos de trabalho na Escola de Comércio de Lisboa?

Os maiores desafios acontecem sempre quando estamos a implementar uma nova qualificação e queremos tornar o trabalho pedagógico o mais prático possível. Isso apenas é possível com o auxílio de uma empresa de treino. Montar uma empresa de treino exige um trabalho de grande envergadura em termos de parcerias e de materialização dos objectivos definidos, o que não é tarefa fácil. Exige um trabalho prolongado de negociações que nem sempre são acessíveis.

Criámos há 4 anos o primeiro curso de Comunicação e Serviço Digital, criado por nós em parceria com a PT. Tratou-se de um projecto que nos obrigou a sair da zona de conforto, muito desafiante e interessante. Para além de termos de pensar em toda a estrutura curricular, montámos um contact center pedagógico aqui na Escola e negociámos com outra empresa a cedência do software utilizado em contact centers. Montámos este projecto em um ano. No fim foi muito gratificante. Actualmente estamos a estruturar, pela primeira vez, um curso de Cozinha, que abrirá para o ano e que implicará o estabelecimento de uma cozinha pedagógica. É um projecto muito complexo. Os grandes desafios são sempre a criação de um curso e, por associação, a criação de uma empresa de treino, através de parcerias, que exigem sempre muitas horas de conversação. Trabalhar no ensino – sobretudo no profissional – é tudo menos monótono.



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