Especial Revista Cargo: abertura da ‘Flagship Conference’ com dois interlocutores de peso

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A Flagship Conference, ontem realizada na Gare Marítima de Alcântara, foi, sem dúvida, um dos momentos mais altos do evento internacional Portugal Shipping Week, que arrancou no passado dia 17 e que, desde então, tem colocado o mundo do Shipping a girar em torno do nosso país. A abertura da conferência ficou a cargo de Llewellyn Bankes-Hughes, director da chancela Shipping Innovation, e da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.



Llewellyn Bankes-Hughes reservou fortes elogios ao sistema portuário luso

O primeiro desejo de boas-vindas partiu de Llewellyn Bankes-Hughes: perante uma sala repleta de eminentes figuras nacionais e internacionais do sector, o fundador da Shipping Innovation – que pela primeira vez escolheu Portugal para acolher um de seus eventos – teceu rasgados elogios, não só à cidade de Lisboa como a todo o sistema portuário português, captando, no seu discurso, a simbólica mensagem de vivacidade operacional que a paisagem – a bela vista para o rio Tejo, complementada pela movimentação de contentores que pela manhã decorria – expressava.

Bankes-Hughes discursando

«Estes são tempos vibrantes para nós e também para Portugal. Estamos satisfeitos por trazer várias entidades marítimas internacionais e companhias de shipping a Lisboa, para verem o quão excelente é este lugar. Podemos ver imensas coisas a acontecerem», declarou, referindo-se ao cenário operacional no Porto de Lisboa, que podia ser vislumbrado pelos participantes da conferência, e que serviu de pano de fundo paisagístico, enquadrando a cidade e o país num contexto de labor, ambição, vivacidade e congregação.

Visita ao Porto de Sines na retina: «É espantoso o que lá se está a passar», afirmou

Os elogios à evolução portuária nacional pautaram a sua intervenção – com especial destaque para Sines. «Ontem, muitos de vós visitaram Sines, puderam usufruir de uma visita guiada aos terminais. É espantoso o que lá se está a passar e os planos para os próximos anos, várias fases que se avizinham. Trata-se de uma impressionante estrutura. Parece que todos os portos vão dando boa conta de si», declarou, antes de passar a palavra à Ministra do Mar.

Shipping Week é «passo importante para fazer acontecer a Estratégia Nacional do Mar», disse Ana Paula Vitorino

Tomado o púlpito, Ana Paula Vitorino passou a definir as linhas estruturais do plano nacional para o aumento da competitividade portuária, escalpelizando as directrizes que corporalizam esse desígnio e os objectivos fundamentais que orientam tal plano. Nesse contexto, a realização da Portugal Shipping Week, com tudo o que de cosmopolita, global, gravitacional e magnético aporta ao país, é um peça importante do puzzle da estratégia do Ministério do Mar, explicou aos presentes: «É um passo importante para fazer acontecer a nossa Estratégia Nacional do Mar».

«O sistema portuário e o shipping ocupam um lugar nevrálgico nas estratégias nacionais sectoriais lançadas por este governo, sob a tutela do Ministério do Mar», referiu, enumerando os três «grandes objectivos» da estratégia: « afirmar Portugal como uma Plataforma Logística Global dos grandes operadores mundiais; posicionar o sistema portuário nacional como hub de GNL no Atlântico e capacitá-lo enquanto hub dinamizador de negócios e tecnologia».

Portugal mostra-se ao investimento e expõe os seus trunfos ao mundo do Shipping

Os objectivos, assegurou, são ambiciosos: «o aumento de 88% da carga total e o crescimento de 200% da carga contentorizada». Para que se chegue a bom porto, será «necessário um volume de investimentos de 2,5 mil milhões na próxima década, sendo imprescindível o aumento de capacidade, com a construção de novos terminais de contentores nos portos de Leixões, Lisboa e Sines».

Necessidades que são, simultaneamente, chances de capitalização para empresas interessadas em navegar o mar de oportunidades luso: «Estas são oportunidades de investimento para os principais armadores mundiais aproveitarem a localização estratégica de Portugal na intersecção das principais rotas mundiais Norte-Sul Este-Oeste», declarou.

A concretização do evento é, para a líder da pasta do Mar, «um ponto de viragem rumo a um posicionamento competitivo do país como um novo centro de gravidade europeu do sector do shipping», que oferece «uma arquitectura fiscal atractiva» e possui «elevado potencial dos marítimos portugueses».

Regime especial Tonnage Tax é «medida estruturante» que providencia «arquitectura fiscal atractiva»

Nesta perspectiva estratégia, o Executivo «tem actuado, focalizando esforços na realização de medidas concretas», como o intuito de «amplificar a dinâmica de sucesso do registo de navios no sistema português: um dos resultados mais fortes e recentes desta aposta foi a aprovação do regime da Tonnage Tax, uma reforma de fundo no contexto fiscal do shipping», afirmou.

O regime especial mereceu destaque: explicou Ana Paula Vitorino que a introdução da Tonnage Tax «em por objectivo ir além das condições de competitividade existentes na maioria dos países da UE e do Espaço Económico Europeu», sendo uma «medida estruturante» que permitirá «promover a marinha mercante, potenciar o alargamento do mercado português de transporte marítimo, aumentar a frota de navios que arvoram a bandeira portuguesa, potenciar a transferência para Portugal de centros de decisões de grandes armadores, alavancar o desenvolvimento dos portos nacionais e dinamizar a economia».

Digitalização e na desmaterialização: uma aposta que progride a todo o vapor

Mas nem só da Tonnage Tax vive o plano de reformulação e upgrade do sector: «Estamos a modernizar os serviços públicos de regulação e licenciamento do shipping, apostando na sua simplificação e digitalização», através da criação do SNEM, e de um único interface», o Bmar: «o armador, ou qualquer outro stakeholder interage com o Estado na lógica de uma única one stop shop de informação e serviços, imprimindo maior clareza e facilidade no acesso aos serviços», esclareceu.



Foi também iniciada a simplificação dos procedimentos relativos ao registo de propriedade através da sua integração com o SNEM, no que diz respeito ao registo de navios – «desta forma, digitalizámos e simplificámos os procedimentos de registo, tornando assim as relações com a administração mais céleres e eficientes», especificou, lembrando ainda que Portugal«passou a pertencer à linha da frente dos países que aceitam a certificação electrónica a bordo dos seus navios», desde Abril.

JUL e criação do conceito legal de Porto Seco

Quarto aspecto: trata-se da frente de «modernização operacional dos portos e do shipping», centrada na «digitalização dos Portos e do Transporte Marítimo, com as iniciativas da JUL e da implementação do conceito legal de Porto Seco. Com estas duas iniciativas estendemos a toda a cadeia logística e respectivos operadores a digitalização e desmaterialização de procedimentos».

Todos os progressos já feitos acompanham a trajectória evolutiva do shipping internacional, explicou, e, agora, o trilho tomado é já de «inovação irreversível»: não há u-turn que resista, deu a entender a ministra. A «tramitação electrónica e a interoperabilidade entre serviços» são as duas faces da moeda do futuro: mais eficiente e menos burocrática. Agradecem os stakeholders e o potenciais interessados em investir em solo (e mar) luso, constatou.

Green Shipping como pilar estratégico: GNL é aposta «a preço competitivo»

«O segundo vector estratégico para Portugal ser competitivo nos portos e no transporte marítimo é o Green Shipping, a introdução de tecnologias e soluções que diminuem a pegada ambiental. Uma das vias é a disseminação do GNL como combustível de substituição do diesel e do fuel convencional. É uma fonte energética abundante, a preço competitivo, com menos 70% de CO2 e com zero emissões de partículas e enxofre», referiu.

sines gnl ren

Sines e o GNL

A aposta no mercado do GNL, em tempos de alinhamento de interesses diplomáticos e de políticas comerciais complementares (recorde-se o acordo EUA-UE), afigura-se cada vez mais apetecível e mais verosímil: «A posição vantajosa geoestratégica de Portugal possibilita o uso de GNL como fonte energética-base da mobilidade marítima, em particular do abastecimento da maioria dos navios que circulam pelos canais do Panamá e do Suez». Assim, uma das grandes metas «será a constituição em Portugal Continental e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira de uma área de serviço em rede para abastecimento de navios a GNL do Atlântico e de um hub de reexportador de gás natural», afirmou a ministra.

Port Tech Clusters: Campus do Mar de Lisboa e Bluetech Accelerator já lançados

«O terceiro vector estratégico para a competitividade é o sistema portuário afirmar-se como hub de negócios e de tecnologia», através dos Port Tech Clusters, «plataformas de aceleração tecnológica e empresarial localizadas nos portos, especializadas nas novas indústrias e modelos de negócio da economia do mar sustentável. Os Port Tech Clusters são espaços físicos nos portos que criarão ecossistemas de inovação», revelou, mencionando exemplos práticos em andamento: «Entre as primeiras iniciativas, está o lançamento do Campus do Mar de Lisboa, em Pedrouços, espaço de ciência e inovação integrado junto aos serviços públicos centrais o Mar», ao qual se junta o «lançamento do Bluetech Accelerator, acelerador de start-ups cuja primeira edição é justamente focada no tema ‘Ports & Shipping 4.0’».

Ao concluir, Ana Paula Vitorino aludiu à História nacional, comparando o mar de oportunidades do presente com o mar de míticos feitos de outrora: a ambição é voltar a fazer de Portugal um ícone marítimo além-fronteiras: «500 anos depois, o Mar está a dar uma nova oportunidade para Portugal se globalizar, para todos nos globalizarmos. E o sector do shipping é o sector global por excelência», declarou.

«Queremos ir ainda mais longe em modernidade e inovação», garantiu, contundentemente. «Estamos determinados em confirmar Portugal como actor relevante na indústria do shipping a nível mundial. E queremos fazê-lo de forma sustentável», rematou.



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