Especial Revista Cargo – Gonçalo Santos (EISAP): «MAR pode ser sustentáculo do projecto europeu»

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A Revista Cargo prossegue a sua reportagem sobre o evento Portugal Shipping Week, agora dando destaque às declarações de Gonçalo Santos, membro do Conselho Administrativo da European International Shipowners Association of Portugal (EISAP) no âmbito do painel ‘World trade and shipping: Portugal’s potential’.

O discurso de Gonçalo de Santos teve o condão de analisar a essência instrumental do Registo Internacional da Navios da Madeira (MAR) no processo de ascensão – homogénea – de Portugal no contexto de um negócio cada vez mais global e interdependente como o do Shipping, bem como de todas as actividades que actualmente o orbitam. Ao fazê-lo, Gonçalo Santos não deixou de integrar esta crucialidade no panorama europeu. Às frases introdutórias, a plateia ter-se-á, forçosamente, interrogado: Poderão as valências do MAR serem tão múltiplas e tão agregadoras? A resposta ficou clara: sem dúvida que sim.

MAR como «sustentáculo do projecto europeu» e uma ponte entre Portugal e o «universo global do Shipping»

Nota introdutória: «Gostava primeiro de fazer um enquadramento: gostava de falar do contributo do MAR para o país, e deixo claro que não falo em nome do MAR, mas sim dos armadores que estão no registo», declarou, para depois situar Portugal no contexto internacional: «Em primeiro lugar, Portugal vive um tempo em que está confrontado com a globalização, e, num tempo em que, estando num projecto europeu. Um projecto que sofreu mudanças, como a deslocalização para leste, que tornou Portugal um país mais periférico. Em segundo lugar, vive hoje perante a ameaça a que o projecto europeu está sujeito: com a questão do Brexit, dos populismos que emergem, etc.», explicou, para, de seguida, colocar a questão que, para si, é basilar:

«O que tem isto a ver com o MAR e com a indústria do Shipping?» A pergunta teve resposta imediata: «Primeiro: esta indústria é globalizada que permite a criação de ligações (externas), de uma network global. Em segundo lugar, no caso europeu, o Shipping pode ser, cada vez mais, o sustentáculo do projecto europeu. E, nesse sentido, o MAR é um projecto europeu, para além de ser um projecto português», argumentou.

Assim sendo, prosseguiu, «um dos objectivos da Comissão Europeia será o de fazer o flagging dos navios que estão fora do espaço europeu para bandeiras europeias. O MAR, como outras bandeiras europeias, é, de facto, um instrumento fundamental no cumprimento deste objecto. Em segundo lugar, o que é interessante no contributo do MAR para Portugal é a tal ligação de rede com o universo global do Shipping – um armador quando decide registar o navio no MAR não está a fazer apenas isso: está a estabelecer uma ligação com Portugal», explicou.

«Hoje, diálogo é mais fácil entre os armadores internacionais e as autoridades nacionais portuguesas», lembrou Gonçalo Santos

«Este estabelecer de relações é fundamental para criar o tal networking global que depois pode atrair outro tipo de indústria, estamos a falar não só do Shipping puro e duro mas também da indústria dos seguros, da banca, das novas tecnologias ligadas à Economia Azul. O que o MAR é, na prática, é um instrumento de ligação de Portugal à indústria global do Shipping. Nesse sentido, achamos que algumas coisas estão feitas e louvamos o trabalho da sra. Ministra do Mar (a certificação electrónica é, de facto, um avanço). Temos a noção de que, hoje, o diálogo é mais fácil entre os armadores internacionais e as autoridades nacionais portuguesas – isso é uma enorme mais-valia. Mas ainda há coisas por fazer», lembrou, reforçando a importância de acelerar processos.

 

 

 

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