Especial Revista Cargo: Porto de Viana do Castelo ganha novo acesso rodoviário e beneficia acesso aos Estaleiros Navais

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A Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, anunciou ontem (dia 27), com pompa e circunstância, a consignação da obra de construção de novos acessos rodoviários ao Porto de Viana do Castelo e o lançamento do concurso para o aprofundamento do anteporto e do canal de acesso aos Estaleiros Navais e ao Cais do Bugio. A Revista Cargo deslocou-se a Viana do Castelo para acompanhar ao detalhe a cerimónia, que contou com a presença do Primeiro-Ministro, António Costa.

Novos acessos rodoviários visam incrementar a acessibilidade à infra-estrutura portuária e o reforço do seu índice de competitividade

As intervenções previstas têm como propósito primacial o incremento da acessibilidade à infra-estrutura portuária e o reforço do seu índice de competitividade, alargando o seu respectivo hinterland. Com um valor de adjudicação de 7,3 milhões de euros, o novo acesso estipula a criação de uma rodovia de 8,8 quilómetros de extensão a ligar a A28 ao Porto de Viana do Castelo em São Romão de Neiva, com duas faixas de rodagem de 3,5 metros de largura.

A obra inclui também a requalificação de um troço e bermas da Estrada Nacional 13/3 e a construção de dois novos troços a ligar esta estrada nacional à A28, com acesso directo ao porto comercial. O investimento visa atrair novas actividades económicas para a área de influência do porto, diminuir os custos operacionais dos tempos de ligação rodoviária do porto aos principais pólos de actividade, exponenciar a segurança da circulação e contribuir para o descongestionamento da circulação rodoviária, retirando mais camiões das vias urbanas. A obra ficará a cargo da empresa Construções Amândio Carvalho e estará pronta em Agosto de 2020.

Aprofundamento do anteporto e do canal de acesso aos Estaleiros Navais e Cais do Bugio

A ministra do Mar lançou também o concurso para o aprofundamento do anteporto e do canal de acesso aos Estaleiros Navais e Cais do Bugio. Ambas as empreitadas contam com um investimento público de 18,5 milhões de euros e privado de 11 milhões. As intervenções prevêem a dragagem para aprofundamento do canal e do anteporto para -6,0 metros, abrindo a porta para navios de maior dimensão, o que reforçará a competitividade do cluster da indústria naval, incrementará as condições de acesso ao Cais do Bugio e à Doca Seca, recebendo esta um novo cais de 140 metros de comprimento e 40 de largura. Os trabalhos deverão estar concluídos em 2021.

Estima-se que as acções de aprofundamento do anteporto e do canal de navegação sejam cruciais para o aumento do Valor Acrescentado Bruto (VAB) em mais 90 milhões de euros; para o incremento do emprego com 400 novos postos de trabalho; e para o reforço da actividade anual do estaleiro. Vamos agora, então, mergulhar nos conteúdos constatados pelos ilustres intervenientes, que, quer no Cais do Bugio quer no pavilhão improvisado, instalado no Porto de Viana do Castelo, explanaram sobre a importância das intervenções no contexto do aumento de competitividade dos vectores da Economia do Mar.

Obra impactará positivamente o sector da construção naval e melhorará a operacionalidade do Porto de Viana do Castelo, frisou a ministra

Segundo explicou, durante a manhã, Ana Paula Vitorino, o aprofundamento do anteporto e do canal de acesso aos Estaleiros Navais e ao Cais do Bugio permitirá atrair «navios com maior comprimento, até 200 metros, maior largura e um calado bastante maior. Trata-se de uma parceria entre o sector público e o privado, em que o sector público faz toda esta parte do canal e da bacia de rotação e o sector privado faz o investimento de 9 milhões de euros na transformação desta doca, com muito maior capacidade», disse.

«Aquilo que se prevê é que o impacto desta obra seja, directamente, em termos de aumento do VAB, mais de 90 milhões de euros, uma criação de 400 postos de trabalho. Para além do impacto na construção naval, toda esta intervenção também melhora a operacionalidade do porto comercial. Com esta intervenção e o consequente impacto na indústria naval, prevê-se que sejam criadas sinergias e que sejam atraídas indústrias conexas», comentou a líder da pasta do Mar.

Investimento crucial para «responder às tendências de mercado», declarou Carlos Martins

À explanação da ministra, perante os jornalistas, sucedeu-se o esclarecimento complementar de Carlos Martins, presidente do grupo Martifer, que detém a West Sea. As intervenções no terreno, elucidou, permitirão um salto em termos de calado: «Vai permitir que navios que vêem aqui com um calado de 5,30 metros, passem a vir navios com calado de 8 metros. O investimento na nova doca permitirá receber navios com 34 metros de boca (hoje estamos limitados a navios com 28 metros de boca). Tanto na parte da construção, quer da reparação, isto permitirá que o estaleiro fique dotado de mais capacidade mas acima de tudo de capacidade para responder às tendências de mercado, que fazem com que os navios sejam mais longos e mais largos», afirmou.

Aposta na «complementaridade entre Leixões e Viana do Castelo»

Já no pavilhão, ao resguardo dos ventos fortes que se faziam sentir, Ana Paula Vitorino discursou perante uma plateia de proeminentes figuras do universo marítimo e logístico português, dando destaque « à importância do Porto de Viana do Castelo em todo o sector portuário nacional e acima de tudo para o conceito que existe relativamente ao transporte marítimo e ao sector portuário na região Norte, apostando na complementaridade entre Leixões e o Porto de Viana do Castelo, numa lógica de abranger todo o tecido económico, principalmente o exportador, numa lógica de proximidade de hinterland, e de potenciar – onde há condições para tal – a actividade económica ligada ao Mar e às exportações. É o que se passa aqui em Viana do Castelo, o reconhecimento da importância destas relações logísticas entre Leixões, Viana e todo o Norte do país e também todo o Noroeste peninsular», vincou.

Lembrando que o herdado programa PETI 3+ «ignorava por completo a importância de Viana do Castelo», Ana Paula Vitorino frisou que «foi graças ao empenho do presidente da Câmara e dos empresários da região, que acabou por ser fácil convencer um governo que já estava convencido da importância deste porto». Puxando a fita do filme atrás, recordou a governante que o «compromisso face aos acessos rodoviários resultou depois no reconhecimento de que era necessário ir mais além», apostando-se então «também os acessos marítimos, através de uma outra parceria, em que o sector empresarial e o público (local e nacional) se uniram para desenvolver um dos principais subsectores da área do Mar, que é a indústria naval».

«O investimento não fica por aqui», afiançou Ana Paula Vitorino

«Vamos ter uma capacidade de fazer crescer ainda mais a indústria naval. Tivemos um crescimento de 13,8% do volume de negócios da indústria naval em Portugal. É bastante; fica ainda aquém daquilo que o governo propôs fazer até 2026. O impacto que isto terá sobre a economia, sobre as populações, sobre o trabalho, é extremamente importante», enfatizou, deixando uma garantia final: «O investimento não fica por aqui. Por isso, o sr. Primeiro-ministro e o sr. Pedro Marques determinaram, no PNI 2030, que o investimento irá continuar no Porto de Viana do Castelo. Estão previstos investimentos de mais de 60 milhões de euros. Vamos continuar a melhorar a operacionalidade, vamos investir nos equipamentos necessários para incrementar as condições de operacionalidade do porto e dotar Viana do Castelo de infra-estruturas para o turismo», declarou a governante.

«Duas obras muito importantes» que têm o potencial de «valorizar aquilo que Portugal tem de melhor», disse António Costa

Ao discurso da Ministra do Mar seguiu-se a intervenção do Primeiro-Ministro, António Costa: «É importante continuarmos a criar as condições para que se reforce o investimento, privado e público. E as obras que hoje aqui estamos a tratar são um excelente exemplo de como um bom investimento público pode contribuir para melhorar o investimento privado. Neste caso concreto, estamos já a falar de uma adjudicação da obra, dos acessos rodoviários a este porto comercial, o que significa que dentro dos próximos dias, da assinatura do contrato, passaremos rapidamente para as máquinas que estarão no terreno a executar a obra», afirmou.

«No outro caso, também não estamos a falar de anúncios: estamos a falar de um concurso público que foi hoje aberto, e cujo prazo está a decorrer para que as empresas se possam candidatar e executar aquela obra tão importante de desassoreamento do canal de acesso do porto e do Cais do Bugio, junto aos estaleiros navais. São duas obras muito importantes. Esta, aqui no porto comercial, porque ao melhorar o acesso, vai significativamente melhorar a qualidade de vida das populações, que deixam de ver o território ser devassado pela passagem de tráfego de acesso e de saída do porto; melhorará os serviços do mesmo e melhorará seguramente as condições de todas as empresas da região que utilizam o porto. É uma obra aguardada há 40 anos», disse.

«A outra obra é muito importante para que os estaleiros navais de Viana do Castelo possam alargar a sua capacidade de produção e melhorar a sua oferta nos serviços de reparação. Este investimento que se casa, por isso, com o investimento já anunciado pela West Sea de alargar a sua capacidade produtiva, de criação de emprego e geração de riqueza. Tudo isto é decisivo para um país que deve saber valorizar aquilo de melhor tem, para melhor aproveitar, para poder aumentar o seu potencial de crescimento», rematou o líder do Executivo nacional.

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