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Europa levanta o véu para a nova era dos navios autónomos

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Foi pela voz de Violeta Bulc, Comissária Europeia dos Transportes, que a União Europeia mostrou a sua visão para o desenvolvimento daquilo que perspectiva ser uma nova era do ‘shipping’, dominada pela automação e pelos navios autónomos. Embora entusiasmada com as perspectivas futuras, a Comissária alerta que os postos de trabalho que hoje conhecemos mudarão radicalmente.

Num seminário que teve lugar no Parlamento Europeu, em Bruxelas, o tema central foram os navios autónomos ao serviço do ‘shipping’. Violeta Bulc salienta que os navios autónomos são apenas parte de um todo mais vasto de «uma rede multimodal totalmente integrada» – que irá ditar o fim de uma era onde os sistemas de transportes foram desenvolvidos modo-a-modo, de forma individual, com prejuízos evidentes para a sociedade e para o ambiente.

«Um sistema de transporte totalmente integrado será altamente automatizado e por conseguinte mais seguro e mais eficiente. Os utilizadores, as infraestruturas e a carga estarão conectados uns aos outros. A informação vai permitir que possamos gerir melhor a capacidade, seja uma estrada, um contentor ou um estacionamento», acrescenta.

«Num sistema desses, um navio autónomo chegará ao porto e, graças à internet das coisas, a carga estará, ela própria, ciente de onde deve estar e quando deve estar aí. Os comboios não mais deixarão os portos semi-vazios e a carga chegará ao seu destino a tempo e em perfeitas condições, emitindo muito menos CO2, poluição atmosférica, barulho ou acidentes do que nos dias de hoje», antecipa a Comissária Europeia.

Ainda assim, Violeta Bulc admite que este é um «cenário ideal», apelando aos reguladores para que tenham paciência na redução dos custos ambientais dos transportes pois este é um processo que leva o seu tempo.

Uma coisa é certa: Violeta Bulc vê como passado o tempo em que se via cada modo de forma individual: «Quando se trata de transporte, temos de pensar em termos de ecossistema».

Mudanças drásticas na mão de obra

Um outro ponto que a Comissária Europeia dos Transportes vê como inegável é a influência de todo este processo na mão de obra do sector. Violeta Bulc salientou mesmo que há certos empregos «que ainda nem foram pensados» que serão criados, e prevê o fim de alguns empregos tradicionais no transporte marítimo.

«As pessoas que trabalham no sector sofrerão os impactos. Não prevejo perda de postos de trabalho mas prevejo mudanças no tipo de trabalho. A transição vai precisar de novas e inovadoras técnicas, tornando o sector mais atractivo para as gerações mais novas. No futuro, o sector vai oferecer um leque mais variado de oportunidades. Existirão diferentes modelos de negócio que a indústria do shipping com navios autónomos vai criar. Neste novo modelo, existirá uma mudança do emprego on-board (dentro do navio) para o on-shore (em terra)».

O desafio da cibersegurança

Por outro lado, a cibersegurança é também vista como um grande desafio por Violeta Bulc, recordando que são já várias as companhias do sector que foram afectadas por ataques informáticos – e que quanto maior for a disseminação da automatização, piores poderão ser os efeitos.

«20% das companhias marítimas admitem que já sofreram incidentes relacionados com ciber-segurança/ataques, mas o número de casos pode ser ainda maior na realidade – as companhias não querem admiti-lo publicamente», vinca Violeta Bulc.

 

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