Evento ‘Med Atlantic Ecobonus’ abriu caminho a «sistema de incentivos para promover o Green Shipping», afirmou Rúben Eiras

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O Auditório Rocha Conde de Óbidos vestiu-se de gala para, no passado dia 29 de Novembro, receber, com pompa e circunstância, o evento final relativo ao projecto Med Atlantic Ecobonus, que versa sobre a análise da utilização de medidas de eco-incentivos com vista ao estímulo dos serviços sustentáveis no âmbito do transporte de cargas, tanto no quadro actual das RTE-T, como no do futuro Mecanismo Interligar a Europa (CEF) através de uma abordagem comum que seja válida para todas as regiões da União Europeia (UE), em todos os modos de transporte.

Evento final do Med Atlantic Ecobonus reuniu quatro nações e contou com a chancela organizacional do IMT

O evento, cuja organização teve a chancela do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) – contando ainda com o patrocínio de entidades estatais directamente ligadas ao mesmo, como o Puertos del Estado, a RAM e os ministérios dos quatro países envolvidos no projecto – reuniu Portugal, Espanha, França e Itália debaixo do mesmo tecto para debater o futuro da política conjunta de eco-incentivos no contexto do frete, assente na transposição de tráfego rodoviário para um estágio de evolução multimodal capaz de fomentar a sustentabilidade do transporte.

Paulo Pamplona abriu a sessão: «A intermodalidade é uma política que conta com o apoio de Portugal»

A intervenção inaugural pertenceu a Paulo Pamplona, Director dos Serviços de Administração Marítima Portuguesa, e um dos mais altos representantes de Portugal na IMO. «Sejam bem-vindos a este evento final sobre o projecto Med Atlantic Ecobonus, promovido pelo IMT, na esperança de que o que hoje se passe aqui seja de grande utilidade para todos nós», começou por dizer. «A intermodalidade no transporte de cargas, ligada ao transporte marítimo, é uma política que conta com o apoio de Portugal. Estamos comprometidos com a promoção de um Shipping cada vez mais amigo do ambiente», vincou Paulo Pamplona, perante uma sala repleta.

«Tendo em conta o controlo das emissões de óxido de enxofre e a sua regulamentação (de um máximo de 0,5%) a partir de 2020, a IMO adoptou a proibição do transporte de combustíveis não cumpridores, a menos que o navio esteja equipado com sistema alternativo aprovado pela regulamentação», afirmou, dando o exemplo dos scrubbers, uma aposta para o pós-2020 já publicitada pela transportadora Hapag-Lloyd. «Tendo também em consideração a estratégia inicial da IMO em reduzir as emissões de gases de estufa, temos a oportunidade de encarar novos desafios – Portugal deve promover uma cultura de cumprimento pelos operadores do sector, e, para tal, o envolvimento dos presentes é essencial», constatou o orador.

«Temos plena convicção de que é nosso dever trabalhar em conjunto para garantirmos a sustentável exportação dos nossos recursos naturais. A DGRM representou Portugal na 73ª sessão do Comité de Protecção do Meio Marinho, na IMO, votando a favor da aprovação e adopção da estratégia inicial para a redução de gases de efeito de estufa no âmbito do Shipping internacional», vincou, rematando com uma final garantia: «Uma das prioridades do Ministério do Mar prende-se com a promoção do cumprimento das medidas adoptadas. Concluo a minha intervenção vincando a noção de que todos os presentes são responsáveis pelo futuro do sector do transporte marítimo e a sua sustentabilidade e desenvolvimento».

Rúben Eiras: «Interconectividade e eficiência logística são importantes para construir um mercado global de gás natural»

Depois de encetada pela voz de um português, a sessão internacional prosseguiu com novo discurso em inglês, mas, novamente, pela boca de um distinto português: Rúben Eiras, director-geral da DGPM. «Esta trata-se de uma  iniciativa importante e de um estudo muito relevante – é a base para o arranque da construção de uma estrutura de enquadramento e de conhecimento, para que possamos ter um sistema de incentivos funcional para promover o Green Shipping e o transporte de cargas mais ecológico», declarou.

«Quando falamos em incentivos no transporte marítimo, temos obrigatoriamente de falar de uma tendência clara na evolução das alternativas sustentáveis: a ascensão do gás natural enquanto combustível de transição rumo a uma energy mix mais limpa. O gás natural ultrapassará o carvão em 2030, tornando-se a segunda maior fonte energética. A procura por gás natural irá crescer 1,6% por ano, e, em 2040, o seu consumo será 45% superior ao dos dias de hoje», detalhou Rúben Eiras, ilustrando o cenário pró-GNL que as cúpulas dos sectores marítimo e rodoviário já abraçaram nos últimos anos, encarando a solução como a mais viável para os desafios ambientais do presente.

«O comércio de GNL marítimo crescerá, de 42% para 60% do total mundial do mercado de gás natural – isto significa que o GNL marítimo, a interconectividade e a eficiência logística são factores importantes para construir um verdadeiro mercado global de gás natural. O uso de GNL enquanto combustível marinho, devido à sua melhor performance ambiental, permite atingir o limite máximo de enxofre de 0,5% estipulado pela IMO, cujo mercado está projectado para crescer, em termos mundiais, cerca de 32% em 2040, mesmo com a competição de scrubbers e outros combustíveis», explicou.

Portuguese Maritime LNG Roadmap em destaque, com Sines na equação enquanto hub atlântico

«A teia de inovação tem baixado os custos de produção e exploração e aumentado a eficiência logística desta cadeia. Esta é uma revolução em tempo real que está em curso. Temos de ter em consideração que um dos maiores armadores mundiais, a CMA CGM, encomendou, há um ano atrás, nove porta-contentores movidos a GNL, com a decisão a ser justificada pelo CEO pelo facto de que o desempenho a GNL será suficientemente elevado para justificar a perda de 400 TEU devido à utilização de sistemas de propulsão a GNL», exemplificou, fazendo referência a uma notícia escalpelizada pela Revista Cargo oportunamente.

«Esta mudança gerará novas oportunidades de negócio mas também trará novos desafios para as administrações portuárias que gerem as infra-estruturas e também para os legisladores e os possíveis incentivos de utilização. Neste contexto, o Ministério do Mar lançou, em 2017, o Portuguese Maritime LNG Roadmap, onde se identifica um conjunto de projectos infra-estruturais para o lançamento de um mercado energético sustentável. O investimento total estimado é 130 milhões de euros. Portugal está localizado no nó das principais rotas comerciais, sendo um privilegiado player no negócio do bunkering», afirmou, reforçando uma mensagem já reiterada pela Ministra do Mar, e cuja equação prevê papel essencial para o Porto de Sines.

O futuro terá então de ser trilhado com apostas em novos postos de abastecimento de GNL «disponibilizados nos portos marítimos», na sequência da directiva emanada do Parlamento Europeu: Portugal, por via da estratégia de aumento de competitividade portuária, encara também o GNL como parte importante dessa evolução estrutural definida. «O Portuguese Maritime LNG Roadmap está focado no desenvolvimento das nossas capacidades de offshore bunkering à escala média e pequena», devido à «elevada flexibilidade» do sistema de conectividade de navios, explicou Rúben Eiras, lembrando que, em 2017, realizou-se com sucesso uma operação de abastecimento de um cruzeiro (que escalou o Porto do Funchal) no meio do Atlântico, «recorrendo a um ISO contentor de GNL de pequena escala para providenciar electricidade para o navio».

O GNL como catalisador da criação de um mercado interno alternativo, em simultaneidade com o fomento da descarbonização do Shipping: «Queremos utilizar GNL para descarbonizar as ligações marítimas entre o Continente e os nossos arquipélagos dos Açores e da Madeira – isto ajudará a criar um mercado interno sustentável» e fomentará a «criação de uma estação atlântica de serviço de GNL», disse, rematando: «Queremos explorar a importância do Porto de Sines enquanto hub de GNL, não apenas para o comércio global, mas especialmente como alternativa ao comércio tradicional na Europa, ajudando a criar a construir uma parceria transatlântica entre os EUA e a União Europeia».

 

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