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Ferrovia 2020 só tem no terreno 15% das obras previstas para esta fase

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A análise é feita pelo Público que, numa notícia desta terça-feira assinada pelo jornalista Carlos Cipriano, dá conta do atraso significativo no Plano Ferrovia 2020, avançando mesmo com números concretos. Entre eles a evidência que mostra que apenas 15% das obras previstas para esta fase estão efectivamente no terreno.



Na análise feita pelo Público, conclui-se então que já deveriam estar no terreno obras num total de 528 quilómetros. Porém, olhando aos avanços reais do Plano, apenas 79 desses quilómetros estão já a ser intervencionados.

linha do norteO Plano Ferrovia 2020 foi apresentado há sensivelmente dois anos pelo Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, projectando obras para um total de 1.193 quilómetros, que se dividem entre modernização de linhas actuais e construção de novas linhas – e onde a ligação para mercadorias entre os portos nacionais e Espanha é objectivo chave.

A análise feita pelo Público refere que só a Linha do Minho está realmente a ser modernizada neste momento, numa intervenção em 43 quilómetros entre Nine e Viana do Castelo. A essa junta-se a obra na Linha do Norte, no troço entre Alfarelos e Pampilhosa – uma intervenção de manutenção e não de modernização.

Muitos projectos atrasados

No cronograma da IP – Infraestruturas de Portugal fica claro que já deveria estar no terreno um total de 10 projectos, ao invés dos dois acima referidos. Desse total, quatro já deveriam mesmo estar concluídos, num investimento total de 165 milhões de euros.

Um dos projectos que já deveria estar concluído diz respeito ao troço Caíde – Marco, na Linha do Douro. A obra de modernização deste troço de 14 quilómetros deveria ter terminado ainda em 2016.

Outra obra que já deveria estar finalizada é a do troço Évora – Évora Norte, uma intervenção em nove quilómetros de linha, também ela atrasada. Assim como a modernização da linha entre Elvas e a fronteira do Caia, de 11 quilómetros, cujas obras deveriam ter terminado em Dezembro de 2017.

Corredor Internacional Norte é dos mais atrasados

ADFERSIT linha do norteO artigo do Público deixa também claro que as obras no Corredor Internacional Norte têm grandes atrasos também. Na Linha da Beira Alta deverão ser investidos 691 milhões de euros e já deveriam estar a decorrer obras em 251 quilómetros. Porém, não há ainda qualquer adjudicação assinada e, em declarações ao Público, fonte do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas diz que «à semelhança do que ocorre na globalidade dos projectos do Ferrovia 2020, este projecto, ao contrário do que seria expectável, não tinha os respectivos estudos desenvolvidos, nomeadamente ao nível técnico e ambiental».

Quanto à nova linha entre Aveiro e Mangualde, a mesma fonte do Ministério referiu ao Público que «o Governo considera de enorme importância essa ligação, pelo que a mantém na lista de projectos a submeter a financiamento europeu». Para esta linha está previsto um investimento de 675 milhões mas já teve dois chumbos de Bruxelas devido à taxa interna de rentabilidade negativa.

Outro projecto bastante atrasado está na Linha do Douro, no troço entre Marco de Canavezes e Régua – um investimento de 47 milhões de euros, em 43 quilómetros. Aqui, as obras deveriam estar no terreno até ao próximo mês de Junho mas a IP admite atrasos e, ao invés da conclusão prevista para 2019, deverá estar apenas fechada em 2022.

Por fim, na Linha do Oeste está prevista intervenção no troço entre Meleças e Caldas da Rainha, num total de 84 quilómetros e 107 milhões de euros em electrificação e modernização. Aqui, as obras deveriam ter começado no final de 2017 e o plano era que estivessem terminadas em 2020.

IP fala em atrasos na fase de estudos e projectos e na avaliação do impacto ambiental

estradasNo mesmo artigo, o Público refere que o Ministério do Planeamento e Infraestruturas justifica os incumprimentos do Plano com os atrasos ocorridos na fase de estudos e projectos, bem como na avaliação de impacto ambiental. Porém, o Público adianta que «muito deste atraso (só 15% dos projectos estão em fase de construção) deve-se à paralisação a que a antiga Refer esteve sujeita quando se procedeu à sua fusão com a Estradas de Portugal» e que «o novo gigante daí resultante tornou difícil o arranque das obras devido às violentas reestruturações realizadas que redundaram numa menor capacidade de decisão da componente ferroviária».



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