Grupo ETE quer terminal fluvial de Castanheira do Ribatejo a operar no início de 2019

Marítimo Comentários fechados em Grupo ETE quer terminal fluvial de Castanheira do Ribatejo a operar no início de 2019 2540
Tempo de Leitura: 5 minutos

Pedro Virtuoso, do Grupo ETE, foi um dos oradores do III Congresso do Tejo, evento que a Revista Cargo acompanhou de perto no final da semana passada. Na sua intervenção, o responsável da ETE fez um ponto de situação do projecto do terminal fluvial de Castanheira do Ribatejo.



Pedro Virtuoso admitiu que o projecto está já muito avançado, estando a ETE «na fase de consultar os empreiteiros para começar a obra» – mostrando esperança que a mesma possa começar já «no final deste ano». Cumprindo as previsões do início das obras até final do ano e contando com alguns meses para que estejam terminadas (menos de um semestre, sabe a Revista Cargo, caso tenhamos um Inverno dentro da normalidade), é de esperar que nos primeiros meses de 2019 o terminal fluvial de Castanheira do Ribatejo comece a operar. O objectivo passa por retirar camiões do centro de Lisboa e constituir o «terminal fluvial de Castanheira do Ribatejo como first gate do Porto de Lisboa».

Obras do porto fluvial de Castanheira do Ribatejo prestes a começar

Como referido acima, Pedro Virtuoso admitiu que as obras para o porto fluvial de Castanheira do Ribatejo possam começar até final de 2018 – as previsões apontam para o mês de Outubro, sabe a Revista Cargo.

Recorde-se que o projecto teve o seu início em 2010 e grandes avanços nos anos seguintes. Porém, enfrentou atrasos inesperados com a publicação da Nova Lei do Ambiente, a 31 de Outubro de 2013, passando então a ser necessário um Estudo de Impacte Ambiental (EIA). O EIA do projecto foi elaborado e entregue em Março de 2016 e a Declaração de Impacte Ambiental foi emitida em Março de 2017.

O porto fluvial de Castanheira do Ribatejo pode assim começar a nascer, junto à Plataforma Logística de Lisboa Norte. O cais será construído sobre estacas e terá de 23 metros de frente por 23 metros de largura, acrescentou Pedro Virtuoso, realçando ainda os 2 hectares de terreno anexo onde será feito o parqueamento de contentores.

O porto fluvial permitirá ao Grupo ETE – especialista no transporte fluvial de mercadorias em Portugal mas também em países como Uruguai ou Colômbia – o transporte de contentores de e para os terminais do Porto de Lisboa, com recurso a barcaças (movidas por rebocadores e empurradores) que terão capacidade para 99 TEU. Pedro Virtuoso destacou ainda as vantagens do modo fluvial em termos de distância neste caso concreto: 41 quilómetros por barcaça, face aos 51 quilómetros quando se utiliza o camião. O porto fluvial de Castanheira do Ribatejo funcionará 365 dias por ano e 24 horas por dia.

Grupo ETE quer movimentar 15 mil TEU no primeiro ano do porto fluvial

porto lisboa

Pedro Virtuoso levou ainda a debate alguns dados relativos às estimativas do negócio para o porto fluvial de Castanheira do Ribatejo. Os números mostram que, no primeiro ano de actividade, o Grupo ETE estima movimentar cerca de 15 mil TEU no novo porto fluvial, algo que será feito com uma média de uma viagem e meia por semana – chegando aos 20 mil TEU no segundo ano, com uma estimativa de crescimento de 15% face ao primeiro ano.

As estimativas apresentadas por Pedro Virtuoso apontam ainda que ao sexto ano de actividade a movimentação possa estar nos 30 mil TEU/ano, com três serviços semanais. Nas mesmas, é apresentada a previsão a longo prazo que passa por movimentar cerca de 50 mil TEU/ano (a capacidade do terminal), com cinco viagens por semana (num total de 260 viagens/ano) – contando que os 50 mil TEU/ano dizem respeito às operações de carga e descarga no terminal.

Contudo – e como sempre! – será o mercado a ditar as regras. O Grupo ETE até poderá movimentar mais contentores logo no primeiro ano, caso exista procura no mercado. Difícil será imaginar uma movimentação inferior, na ordem de uma viagem semanal, tendo em conta que o mercado provavelmente optará pela rodovia se tiver que esperar uma semana pela saída da próxima barcaça…

As vantagens do transporte fluvial

A intervenção de Pedro Virtuoso esclareceu ainda sobre a pertinência da aposta no transporte fluvial, tanto no contexto europeu como no Porto de Lisboa em particular. A esse respeito, o representante do Grupo ETE recordou que «o transporte fluvial é crucial para a optimização dos sistemas de transporte multimodais e da logística na União Europeia» e que o porto fluvial de Castanheira do Ribatejo servirá assim para «incluir o estuário do Rio Tejo nos targets europeus do transporte fluvial».

Sobre o modo fluvial, Pedro Virtuoso destacou-o como «mais eficiente» e como uma aposta na «economia sustentável e na redução de gases estufa», realçando o seu «baixo nível de emissões, seja de ruído, NOx, CO2, SOx e outras partículas». Para além disso, considera este «um meio de transporte mais económico» – isto apesar de apenas representar «6% do volume total de carga transportada na União Europeia no período de 2010 a 2015» e de «10% do volume transportado no Porto de Lisboa».

Por fim, outra vantagem identificada por Pedro Virtuoso diz respeito ao «aumento da segurança rodoviária», através do «descongestionamento das vias» que trará para a cidade de Lisboa – uma cidade que, reforça, terá «mais qualidade de vida».

Uma barcaça transportará o equivalente a 70 camiões

O responsável do Grupo ETE apresentou ainda a comparação entre as performances das barcaças e dos camiões que são hoje utilizados para o transporte de contentores de e para os terminais de contentores do Porto de Lisboa. Segundo os dados apresentados por Pedro Virtuoso, uma barcaça permitirá o transporte de 99 TEU, o que representa 70 viagens de camião – ou seja, 70 camiões que são retirados da malha urbana de Lisboa.

A terminar, Pedro Virtuoso realçou ainda que este projecto de transporte fluvial de contentores no Tejo permitirá também aumentar o negócio dos estaleiros navais portugueses, recordando o exemplo do rebocador-empurrador construído pela Navaltagus e entregue em 2016.

Mais actividade no Rio Tejo (e no Douro onde o Grupo ETE também está atento) significará mais encomendas e mais negócio também para a indústria naval portuguesa.



Back to Top

© 2018 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com