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OPINIÃO Guilherme Roque: “As 3 coisas que os transitários precisam saber para ter sucesso”

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Tempo de Leitura: 7 minutos

guilherme roque cargofiveO mundo dos transitários está a mudar rapidamente devido ao grande número de inovações que estão a surgir e pelo perfil dos profissionais que darão cartas no setor nos próximos anos.

Em 2020 metade dos trabalhadores serão Millennials.

Para esta geração, não há tolerância para a lentidão ou para a ineficácia, pois querem verdadeiramente que tudo esteja ao alcance do toque de um botão, encomendam tudo na Amazon, levantam um dedo e está feito, podem ver um filme no Netflix em streaming, podem obter documentos e efetuar quase tudo online, comprar ações na bolsa online, fazem apresentações online, faculdades online, chamam Uber, compram viagens, não usam mais telefone, usam o WhatsApp, enfim… tudo é diferente, tudo é rápido, tudo é digital.

Nada será como dantes no setor dos transitários e por isso, as empresas devem adaptar-se à essa nova realidade e não podem negligenciar o fato de que a mudança será enorme.

As empresas do setor deverão então, prestar muita atenção em 3 pilares. Tecnologia, Pessoas e Cultura da Empresa. As que não o fizerem, correm um grande risco de falir em pouco tempo.

Tecnologia

twill maerskA aplicação da tecnologia tem mudado nossa forma de viver e também os negócios. Hoje em dia fazemos e vemos coisas que há 5 anos atrás eram impensáveis, somente vistas em filmes de Sci-Fi. Carros elétricos e autônomos? Temos. Inteligência Artificial? Temos. Casas comandadas por voz? Temos isso e muito mais.

Essa tecnologia porém, demorou muito tempo para se popularizar no meio transitário. Para exemplificar isso, eu gosto sempre de contar essa história.

No início de 2016 apresentei ao CEO de um transitário, o plano de implantação daquele que poderia ter sido , “O Primeiro Transitário Digital de Portugal”.

Não vejo futuro neste negócio neste modelo de Digital Freight Forwarding, disse-me ele.

Ele disse que era impossível automatizar cotações tanto aéreas como marítimas, que integrar tanta informação de tantos carriers era mais que utópico, que nunca as empresas como Flexport (na época o único Digital Freight Forwarder) iriam desbancar transitários tradicionais e que o negócio sempre dependerá de pessoas.

Ele estava enganado, pois hoje é possível automatizar cotações, integrar schedules, info e tracking de carriers e o modelo de negócios de Digital Freight Forwarding é um sucesso, Flexport, Twill, Zencargo e Freighthub são exemplo disso.

Então, uma empresa transitária tem que saber, que sim, há sempre forma de introduzir tecnologia em seus processos, que isso é mandatório e que já existem empresas no mercado, aptas a ajudá-las a embarcarem no mundo digital. Um exemplo disso é a Cargofive que disponibiliza um SaaS (Software as a Service) que permite aos transitários gerir e automatizar cotações e processos.

Há outras formas como desenvolvimento de sistemas in-house, mas o que importa aqui, é que a tecnologia tem de ser introduzida no dia-a-dia de uma empresa transitária. Hoje em dia, ter essa tecnologia, não é um fator diferenciador, mas sim, equalizador, pois os Digital Freight Forwarders estão a ganhar muito mercado e rapidamente.

Pessoas

Tecnologia apenas, não é o suficiente. Há que saber usá-las. Sendo assim, os transitários têm que escolher muito bem sua equipa ou dar formação adequada à ela.

Nunca é demais lembrar que os negócios ainda e sempre serão de pessoas para pessoas. Cito Simon Sinek, que disse que “100% dos clientes são pessoas. 100% dos funcionários são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios”. São elas que movem os negócios e fazem a tomada de decisão por fornecedor A ou B.

Faça um teste. Pergunte à sua equipa se já alguém já ouviu falar em, ou usa alguma das ferramentas e conceitos abaixo:

Trello, Asana, Slack, Hubspot, Zendesk?

e UI, UX, Customer Centric, Personas, Design Thinking, Roadmap?

Eles sabem quem são os Digital Freight Forwardings que irão em breve concorrer com a sua empresa? Conhecem a Twill, ou somente a DAMCO e a Maersk?

Se nunca ouviram esses termos e ferramentas ou apenas conhecem alguns, está na hora dessa equipa atualizar seus conhecimentos.

Aprendam com os millenials, de novo eles, que estão a chegar com tudo na nossa indústria, revolucionando a forma de pensar o negócio logístico e trazem com eles um arsenal de ferramentas e metodologias de trabalho , determinantes para criar disrupção no setor.

Mais uma história verdadeira que eu presenciei aquando de uma consultoria de melhoria de processos que eu estava a fazer num transitário, que exemplifica muito bem, que ter a tecnologia, de nada vale, se não a soubermos usar. Isso aconteceu em 2012.

Este transitário tinha acabado de introduzir um sistema de emissão de AWB’s que permitia a exportação desses para PDF. Até então, os AWB’s eram exclusivamente impressos em formulários contínuos nas saudosas impressoras de fita que emitiam um ruído ímpar ao imprimir e posteriormente digitalizados numa enorme All-In-One que exportava os PDF’s. O novo sistema, exportava diretamente os PDF’s sem necessidade de imprimir. É então que observo com grande espanto, uma operacional do departamento aéreo a levantar-se do seu posto, ir até a All-In-One, pegar em um molho de folhas e digitalizá-las. Curioso que sou, levantei-me e fui ver o que eram. Eram os AWB’s que ela estava a imprimir e a digitalizar para PDF, porque foi assim que aprendeu, o chefe queria assim e porque não sabia as funcionalidades do novo sistema.

Fica claro com este exemplo que apenas Recursos Tecnológicos não bastam. É preciso apostar na formação dos Recursos Humanos

Cultura da Empresa

É super importante que haja uma drástica mudança na cultura das empresas transitárias, com especial atenção ao customer support com uma visão customer centric, ou seja, centrada nos clientes. Não quero com isso dizer que as operações não são importantes, logicamente que são muito importantes, mas, cada vez mais o customer support será o ponto-chave para conquistar novos clientes e retê-los.

Grande parte do sucesso da Flexport, por exemplo, deve-se a forma como essa empresa conseguiu criar soluções tecnológicas que atendessem às reais necessidades de seus clientes. Eles utilizaram a seguinte abordagem. Ao invés de desenvolverem uma plataforma tecnológica e mostrar aos seus clientes os benefícios dela, perguntaram a cada um de seus grandes clientes, que tipo de benefícios procuravam em um transitário e de que forma que a tecnologia poderia ajudá-los, e desenvolveram sua plataforma toda ao redor dessas necessidades elencadas pelos clientes. O resultado foi incrível, em 4 anos a Flexport é maior que muitos transitários tradicionais com anos de mercado.

Outro grande exemplo de mudança de cultura que está acontecendo no setor de Freight Forwarding, é a Twill, que aliou uma tecnologia centrada no utilizador (shipper), à uma equipa jovem e com espírito inovador. A cultura para eles é super importante e podem vê-lo na sua página institucional aqui.

Creio que nós, profissionais do setor, devemos almejar ser como eles, destemidos, inovadores, centrados no cliente, que buscam uma melhoria constante e que usam a tecnologia para criar valor.

A cultura de uma empresa está claramente ligada às pessoa que nela trabalham, mas é muito influenciada pelos gestores de topo (CEO´s, Donos, etc). Faço então um apelo à esses gestores, mudem o vosso mindset e abracem a inovação, evitem ser como aquele CEO que desdenhou dos transitários digitais. Onde acham que a empresa dele estará daqui há uns anos?

Você quer que a sua empresa seja a Blockbuster ou a Netflix da indústria transitária? A decisão é sua.

Guilherme Roque, Business advisor  na Cargofive



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