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IATA: Comércio, padrões globais e modernização continuam a ser a chave para o sucesso da carga aérea

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Durante a realização da 13ª edição do Simpósio Mundial de Carga, o director-geral e CEO da IATA, Alexandre de Juniac, abordou o futuro da indústria da carga aérea e deu total ênfase às três prioridades estratégicas do sector: acelerar a velocidade da modernização do processo, implementar e impor padrões globais, e manter as fronteiras abertas ao comércio. Só assim será garantida a longevidade da indústria de carga aérea, defendeu.

Alexandre de Juniac

Através das palavras de Juniac, a IATA voltou a pedir aos governos e ao sector que se concentrem nas três prioridades, para que se dê uma resposta afirmativa e cabal à procura crescente por carga aérea, assim garantindo que os benefícios económicos e sociais da indústria possam ser, no futuro, maximizados. Recorde-se que a procura por carga aérea cresceu  3,5% em 2018, uma desaceleração significativa em relação a 2017, que teve um crescimento extraordinário de 9,7%. Alexandre de Juniac frisou que o ambiente operacional é cada vez mais «desafiador».

O enfraquecimento do comércio global, a baixa confiança do consumidor e os obstáculos geopolíticos (entre os quais se destacam o conturbado e interminável processo do Brexit e a guerra de tarifas entre os EUA e a China) contribuíram para uma desaceleração geral do crescimento da procura a partir de meados de 2018, e Janeiro de 2019 registou uma contracção de 1,8% no comparativo anual, recordou o CEO do organismo internacional.

Modernização

Um dos pilares do futuro do sector será a modernização dos processos da indústria, lembrou de Juniac. Tal transformação será essencial para atender com eficiência a duplicação da procura (esperada nas próximas duas décadas). Este é já uma exigência requisitada pelos clientes dos mercados que mais crescem e que mais promissores se apresentam: falamos do e-commerce, do transporte de produtos sensíveis ao tempo e à temperatura, como é são os casos dos produtos farmacêuticos e perecíveis.

Alinhada com uma resolução sobre a modernização da carga aérea da Reunião Geral Anual da IATA de 2017, a IATA instou ao progresso mais rápido na digitalização da cadeia de abastecimento e ao uso mais eficaz de dados para impulsionar novas melhorias na qualidade operacional. A visão digital do sector está focada em quatro áreas, detalhou: implementação do e-AWB – já analisada a fundo pela Revista Cargo – a adopção de uma linguagem comum de dados (XML), a partilha inteligente de dados e a utilização de dados de desempenho para melhoria da qualidade dos serviços.

Outro dos pedidos da IATA prende-se com a modernização das instalações de carga aérea. «O mundo do e-commerce exige por armazéns de alta capacidade de armazenamento, totalmente automatizados, com veículos ‘verdes’ autónomos navegando pelas instalações e funcionários equipados com inteligência artificial e ferramentas de realidade aumentada. O problema não é tecnologia, e sim a velocidade de comercialização. É muito difícil promover mudanças numa indústria global com um grande número de partes interessadas, onde a segurança é a principal prioridade, mas não é uma missão impossível. Desafio todos a encontrarem maneiras de proporcionar mudanças críticas», atirou de Juniac.

Padrões Globais

A IATA exortou ainda os governos a garantirem que os padrões globais serão consistentemente implementados e aplicados, utilizando o exemplo do transporte de baterias de lítio para ilustrar tal pedido: «Os padrões globais estão a ser ignorados por transportadores desonestos. E os governos não aplicam as regras. As baterias de lítio são um risco de segurança, precisamos que os governos sejam mais activos na aplicação das directivas», disse. O CEO da IATA discutiu ainda a implementação de acordos globais para tornar o comércio mais simples, barato e rápido: entre eles o Acordo de Facilitação de Comércio da Organização Mundial do Comércio, a Convenção de Montreal de 1999 e as Revisões da Convenção de Quioto.

Fronteiras abertas ao comércio

A IATA deixou ainda um último pedido aos governos: «O proteccionismo, a fricção comercial, a retórica do Brexit e da anti-globalização fazem parte de um género de desenvolvimentos que representam um risco real para nossos negócios e, em geral, para as economias do mundo. Precisamos de ser uma voz forte capaz de lembrar aos governos que o trabalho da aviação – incluindo a carga aérea – é extremamente importante. O comércio gera prosperidade e não há vencedores de longo prazo de guerras comerciais ou de medidas proteccionistas», afirmou, apelando ao fim do proteccionismo.

«Estimular o comércio global é uma missão de grande importância: ajuda as economias a crescer e, ao fazê-lo, promove melhores meios de subsistência e uma melhor qualidade de vida. Esta é uma parte integral da razão pela qual chamamos a aviação de ‘Negócio da Liberdade’. Nada deveria atrapalhar a carga aérea, oferecendo sua contribuição única para a prosperidade do nosso mundo», rematou.

 

 

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