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Vieira dos Santos: «Os portos antes recrutavam engenheiros, agora precisam de analistas de dados»

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Em declarações ao jornal ‘Público’, o presidente da Comunidade Portuária de Leixões e administrador da Yilport Leixões, Jaime Vieira dos Santos, debruçou-se sobre a competitividade dos sectores do transporte e da logística, a nova era da digitalização e o papel do Estado enquanto agregador de dados e facilitador de um fluxo de informação cada vez mais preciso e estratégico para as empresas.


«Estamos a negligenciar os dados da procura», alerta Jaime Vieira dos Santos

LeixõesPara Jaime Vieira dos Santos, urge dar maior atenção às tendências e comportamentos da procura – conhecendo melhor a tipologia da procura, os portos e os operadores poderão moldar-se de forma mais eficiente às exigências de cada contexto: «Só estamos preocupados em resolver o problema do lado da oferta, em melhorar as condições do terminal, do navio, do pórtico. Mas estamos a negligenciar os dados da procura», afirmou.

Na visão do presidente da Comunidade Portuária de Leixões, tais dados são vitais: «Esses são, no meu ponto de vista, os mais importantes. São fundamentais para que cada um dos portos, e dos operadores, se prepare para melhorar a resposta aos clientes finais – porque são sempre eles a base da nossa actividade», explicou, trazendo para a ribalta nacional uma problemática que tem ganho cada vez mais destaque nos meios internacionais.

A evolução da cadeia logística e a importância da visibilidade do produto

Sobre as constantes mudanças orgânicas na cadeia de abastecimento e as transformações que a digitalização e o comércio electrónico trouxeram, Jaime Vieira da Silva defendeu que a relação entre o consumidor e os produtos que este procura e encomenda é cada vez mais descentralizada, multifacetada e volátil, dado o imediatismo permitido pelo ecommerce – «Estamos a deixar as grandes superfícies, estamos a voltar à loja», afirmou.

«O comércio electrónico tem um problema que nós, da logística, temos de resolver: levar o produto à casa das pessoas», explicou, enfatizando a importância da constituição de uma cadeia logística plena de visibilidade, onde a informação relativa a todos os elos e passos da supply chain é essencial para o eficiente desempenho de cada operador logístico, nomeadamente na etapa apelidada de last mile.

Estado pode agregar dados e transformá-los em conhecimento, sugere Vieira da Silva

Sendo, inicialmente, a Janela Única Portuária (JUP), e, mais tarde, a Janela Única Logística (JUL), progressos vitais no desenvolvimento de um fluxo de informação cada vez mais célere, desmaterializado, partilhado e unívoco, o futuro poderá, na visão de Jaime Vieira da Silva, beneficiar ainda mais de uma interligação mediada por um agente «que pegue em toda a informação que existe, nos dados das várias plataformas, intervenientes e operadores e a transforme em conhecimento».

«Só se vendem produtos quando o consumidor tem confiança, e para ter confiança precisa de ter informação, e para ter informação é preciso trabalhar as bases de dados», lembrou. «Temos neste momento várias plataformas com informação relevantíssima, mas não estão inter-conectadas. Está cada um na sua casa sem querer ligar-se com o resto», apontou. O papel de agente agregador, ou de broker poderia, na opinião de Jaime Vieira da Silva, ser desempenhado pelo Estado.

«O Estado é quem tem perfil e competência para assegurar esse papel. E já tem os dados quase todos do lado dele», respondeu ao jornal ‘Público’. «Os portos antes recrutavam engenheiros. Agora precisam de analistas de dados. É disso que o Dubai, por exemplo, anda à procura», reforçou.



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