João Filipe Jesus (Dourogás): «É possível percorrer os principais corredores da Europa com gás natural líquido»

Marítimo, Terrestre Comentários fechados em João Filipe Jesus (Dourogás): «É possível percorrer os principais corredores da Europa com gás natural líquido» 714
Tempo de Leitura: 6 minutos

A Revista Cargo continua na senda do ‘Gás Natural na Mobilidade’ – o mote para o seminário da GASNAM que se realizou em Lisboa e que encetou a acção da associação ibérica em solo português. Desta feita, a reportagem da Revista Cargo dá enfoque à intervenção de João Filipe Jesus, director da Dourogás GNV – o seu discurso centrou-se na «aplicação do gás natural na mobilidade» e na descrição da «linha de posicionamento» do grupo Dourogás «ao longo dos últimos quatro anos, na matéria do gás natural veicular».

«Olhámos de início para este negócio como querermos estar onde estão os nossos clientes. Sempre obviamente numa lógica de adição de valor aos desafios que são complexos, que são crescentes, e que mormente o sector transportador tem patenteado e vivenciando nos últimos anos», introduziu.

«Olhámos para este negócio, obviamente, numa lógica individual do transporte de mercadorias; temos hoje uma presença significativa no sector do transporte público de passageiros, no sector da limpeza urbana, do transporte de resíduos sólidos, também no sector dos ligeiros e procurámos estar, do ponto de vista do nosso posicionamento geográfico, fizemos uma aposta muito substancial em matéria de investimento naquilo que eram, na nossa forma de ver, na nossa linha de pensamento, os principais pontos estratégicos de tráfego e fluxo daquilo que é o transporte quer numa lógica doméstica, nacional, quer numa lógica de transporte internacional», detalhou.

Dourogás reforçou «matriz estratégica» com investimentos de coesão e redução dos «custos operacionais» dos clientes

«Neste momento exploramos uma rede própria de postos de gás natural e de gás natural comprimido – o primeiro foi em Grandela em 2013; em 2015, um posto de gás natural líquido e de gás natural comprimido no concelho de Santa Maria da Feira, que nós denominamos de Gaia Sul. O nosso principal posto, que é, à escala ibérica, um dos postos estrela e um dos que regista maior nível de actividade, sobretudo no gás natural líquido e é, segundo aquilo que julgamos saber, o único que está equipado com dois dispensers de GNL, no Carregado, inaugurado em 2014».

«Já em Maio de 2016 fizemos um investimento no lado português da fronteira no concelho de Elvas». Segundo João Filipe Jesus, este passo «reforça o que tem sido a matriz estratégica levada a cabo pelo grupo Dourogás como um grupo 100% nacional, um grupo 100% comprometido com a coesão, com o desenvolvimento da economia, com a geração de emprego, e com poder de aos clientes condições para poderem reduzir substancialmente os custos operacionais com um combustível que, não só é mais amigo do ambiente, como consegue assegurar ganhos de competitividade que podem representar entre 30 e 40%, face àquilo que é o acerto da conta de exploração com os combustíveis tradicionais», explicou.

Projecto ‘Eco-Gate’ é aposta para o cumprimento das metas da União Europeia

Mas o sucesso do passado e do presente não é suficiente para que a Dourogás descanse sobre os louros: «Não nos ficámos por aqui. Acreditamos convictamente que o futuro passa pelo gás natural veicular, por uma mobilidade sustentável e passa por encontrar novos paradigmas ao nível do transporte, que seja consequente do ponto de vista operacional e que seja competitivo do ponto de vista económico», apontou.

«Nessa linha de pensamento apresentámos, em 2016, num consórcio liderado pela Naturgy, uma candidatura ao mecanismo CEF. Um consórcio que nós denominamos como Eco-Gate – European corridors for natural gas to transport efficiency – ou seja, o objectivo aqui foi dar cumprimento aquilo que são as metas da União Europeia em matéria de transportes, em matéria de conectividade, ao nível dos combustíveis alternativos, nomeadamente aquilo que está plasmado na Directiva europeia 2014/94/EU, e que determina que os Estamos-membros têm de tomar políticas activas no sentido de permitir a agilidade e interconectividade destes corredores», aprofundou.

«É possível percorrer os principais corredores a nível da Europa com gás natural líquido», afiançou

«Neste quadro, apresentámos em Portugal um conjunto de investimentos, temos neste momento em fase de licenciamento junto da Direcção Geral de Energia, para a construção de  novas estações de gás natural líquido e de gás natural comprimido, nos concelhos de Palmela, no concelho de Almeida (Vilar Formoso), no concelho da Maia, na área metropolitana de Lisboa e um investimento em Espanha, que neste momento está apontado para a cidade de Valladolid», adiantou o responsável da Dourogás GNV.

«Não é nenhuma ideia esotérica – é possível percorrer os principais corredores a nível da Europa com gás natural líquido. Hoje as marcas têm tecnologias que permitem autonomias superiores a 1000 km; hoje existem do ponto de vista das soluções tecnológicas respostas capazes de dar respostas a todo o tipo de desafios, quer ao nível do transporte de longo percurso, quer ao nível da distribuição mais capilar em contexto urbano, atingido simultaneamente e permanentemente aqueles que são, no nosso entendimento, os dois principais vectores sobre os quais repousa a competitividade gás do natural: dimensão ecológica e dimensão económica», rematou.

Dourogás atenta a «novas oportunidades de negócio no âmbito do GNL marítimo»

«O grupo Dourogás, obviamente, está também atento a novas oportunidades de negócio no âmbito do GNL marítimo, no domínio do bunkering; fizemos já chegar junto da Direcção Geral de Energia uma série de preocupações relativamente à existência de um quadro legislativo que permita, quer ao nível do ship-to-ship port-to-ship, haver um quadro legislativo no sentido de poder permitir que a questão do bunkering e do GNL marítimo possam dar a Portugal um acréscimo de competitividade, que reforça aquilo que é a posição de centralidade que o nosso país ao nível das principais rotas marítimas, sabendo de antemão que a moldura restritiva ao nível das zonas SECA e ECA, em tudo aquilo que tem a ver com a circulação marítima no domínio internacional, cada vez colocarão mais restrições e, portanto, o GNL passará a ser o combustível do futuro, também no domínio da mobilidade marítima», finalizou.

Back to Top

© 2020 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
pt Português
X
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com