shipping rolls-royce

Jorge Antunes (TecnoVeritas): «Não vamos precisar de gente no mar, já é uma realidade no Japão ou Noruega»

Marítimo Comentários fechados em Jorge Antunes (TecnoVeritas): «Não vamos precisar de gente no mar, já é uma realidade no Japão ou Noruega» 542
Tempo de Leitura: 4 minutos

O COMM – Clube de Oficiais da Marinha Mercante realizou esta quarta-feira um seminário subordinado ao tema “O Shipping em 2030”, juntando dois oradores de renome: Jorge Antunes (TecnoVeritas) e Hugo Bastos (Douro Azul).

Na sua apresentação, o responsável da TecnoVeritas falou de um futuro de grandes dúvidas para o shipping mundial, identificando apenas «três certezas» para a indústria de transporte marítimo em 2030: «A primeira é que o shipping vai continuar a ser fundamental, fazendo parte essencial da matriz de transportes»; «A segunda certeza é que a água doce será um bem escasso e como tal irá valorizar fortemente, tornando-se uma mercadoria estratégica»; «A terceira prende-se com a necessidade de controlar a destruição do ambiente, ponto este que impacta fortemente o shipping tradicional». Na sua projecção de futuro, Jorge Antunes antecipou ainda que «a digitalização será o catalisador do desenvolvimento das sociedades» e, por tal, também deste sector específico.

[themoneytizer id=”16239-28″]

Três cenários possíveis: «Mar revolto? Mar Amarelo? Ou Oceanos abertos?»

Na análise que o responsável da TecnoVeritas preparou para a sua intervenção no COMM, foram apresentados três cenários que Jorge Antunes vê como possíveis para a dinâmica das relações internacionais, da luta pelos recursos ou do impacto de todas essas condicionantes no shipping de 2030.

navios autónomos rolls-royceUm dos cenários que Jorge Antunes vê como possível é aquele a que chama «Mar revolto», cenário onde «a escassez de recursos é predominante», «as alterações do clima geram ainda mais stress», em que «os cartéis e acordos bilaterais ultrapassam o mercado livre» e no qual «a riqueza das nações é repartida de forma desigual, gerando conflitos e mais tensões».

Um segundo cenário hipotético é apresentado pelo responsável da TecnoVeritas com o nome de «Rio Amarelo», no qual «a China domina a arena global», «os meios de produção intensiva movem-se para África e outros países asiáticos», «o crescimento económico é significativamente inferior no Ocidente» e «as alterações do clima são resolvidas a nível regional, sem acordos globais».

O terceiro cenário apresentado por Jorge Antunes é aquele que se afigura como mais optimista, designando-o como «Oceanos abertos». Aqui, «as corporações globais e as mega-cidades passam a ter mais poder que os estados das nações», «os governos cooperam no controlo dos problemas do clima e no desenvolvimento de protocolos de mercado livre» e «as alterações do clima são vistas como oportunidades e as soluções verdes tornam-se um estilo de vida».

Desafiado a antecipar qual dos cenários vai ser a realidade daqui por alguns anos, Jorge Antunes antevê que «o cenário resultante será uma mistura, de maior ou menor concentração de cada um dos cenários», recordando que grande parte dos pontos apontados nos três cenários estão já hoje a ganhar força.

As palavras de ordem para o shipping do futuro

svitzer«Colaboração», «Digitalização», «Investigação» ou «Inovação» foram algumas das palavras de ordem apresentadas pelo membro da TecnoVeritas como termos-chave do futuro do shipping. No plano da Inovação, salientou ainda uma série de pontos que vê como áreas desafiantes, tais como a «energética do navio», «o impacto ambiental do navio», a «tecnologia blockchain» ou a «Big Data».

É no campo energético, nomeadamente na restrições de emissões poluentes dos navios, que Jorge Antunes identifica um dos maiores desafios para a indústria do shipping. Alertado com esta realidade cada vez mais presente (e cada vez mais exigente como se pode ver pelas novas regras de emissões de NOx a partir de 2020), o responsável da TecnoVeritas deixa um cenário alarmante para os armadores: «Fala-se num valor a rondar os 8 euros por tonelada de CO2, mas já há quem fale em toneladas de CO2 a 20€. Estamos a falar de 2,8 milhões de euros em cima dos custos operacionais fixos!».

«Vamos ter um impacto de tal forma nas contas de operação que a maior parte dos armadores vão ajoelhar», antecipa ainda Jorge Antunes.

Navios autónomos, digitalização e Big Data

automação yara birkeland navio autónomo

Yara Birkeland, navio autónomo norueguês para contentores.

O tema dos navios autónomos não poderia deixar de marcar presença neste debate, até porque a plateia era maioritariamente composta por oficiais da marinha mercante que passaram muitos anos no mar e por alunos da Escola Náutica Infante D. Henrique, hoje preocupados com a possibilidade de estarem a ter uma formação para profissões que não existirão no futuro.

Apesar da relutância da plateia em aceitar que um navio possa ser totalmente autónomo, Jorge Antunes lembrou casos concretos já bastante avançados em países como a Noruega ou o Japão e reforçou que a tecnologia será capaz de tudo.

«Não vamos precisar de gente no mar. Vai ser transitório mas já é uma realidade no Japão ou na Noruega, que são países com uma estratégia muito grande para o mar», concluiu o responsável da TecnoVeritas.



Back to Top

© 2018 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com