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Jorge da Costa Ferreira: “Supply Chain 4.0 – HUUB, a startup portuguesa que está a modernizar a logística”

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O que sempre me fascinou na logística e cadeia de abastecimento foi o carácter estratégico. A disciplina remonta às instituições militares, onde se enfrentava o problema de como mover, de forma rápida e a baixo custo, armamento e munições da base militar para o campo de batalha. E tal como o exército britânico deixou de ter como principal força os pesados morteiros e as carabinas usadas na Primeira Grande Guerra, também a estratégia da logística começa a ganhar novos argumentos diferenciadores.

Aqui, a vantagem competitiva deixa de estar apenas nas frotas de transporte multimodais de determinado operador, mas sobretudo na capacidade de interpretar a cadeia de abastecimento de forma holística e assim retirar máximo partido da informação gerada. A questão torna-se tão simples como premente: de que serve ter os cargueiros com consumos eficientes se as rotas de transporte desperdiçam combustível a cada milha percorrida?

Actualmente, continua a observar-se ineficiência nas cadeias de valor quando vistas como um todo. Tal facto sucede porque a rede é composta por actores extremamente competitivos no seu trabalho que apenas comunicam internamente, criando silos de informação que se traduzem numa baixa previsibilidade e num fraco planeamento.

Desafio o leitor a pensar em todos os stakeholders que intervieram para fazer chegar até si o dispositivo que está a utilizar para ler este artigo. Será que o cobalto e o ouro que o compõe não terão sido explorados em regiões próximas, podendo eles ter partilhado os mesmos transportes? Será que o fabricante fez uma boa gestão do stock destas matérias-primas ou terá havido atrasos na produção por baixa visibilidade sobre as vendas do distribuidor? O retalhista conseguiu maximizar o valor partilhado na venda deste equipamento? Ou terá encomendado demasiadas unidades com receio de atrasos na entrega por parte do distribuidor, acabando assim com dispositivos obsoletos?

Questões como as referidas acima surgem à medida que avançamos a jusante na Supply Chain e as próximas linhas concentrarão algumas soluções que considero poder mitigar estes problemas.

supply chain 4.0Na criação da Supply Chain 4.0, assente nos vectores de sustentabilidade e competitividade, não podemos potenciar somente a individualidade; antes olhar para a cadeia como um ecossistema integrado, com visibilidade ponta-a-ponta e decisões assentes em analítica avançada. Apenas assim se pode desenhar uma operação ágil o suficiente para responder às necessidades presentes e futuras, onde existe uma exigência crescente no lead time de entrega e maior efectividade de custos. O Prime FREE Same-Day and One-Day da Amazon e o F90 da Farfetch são exemplos deste contexto.

Na proposta de uma solução de Supply Chain 4.0 importa referir o passado evolutivo da cadeia. A revolução industrial criou a versão 1.0 da indústria, suportada pelo poder das máquinas movidas a vapor. No século seguinte a introdução da electricidade e produção em massa criou a Indústria 2.0, vigente até ao final do século XX onde a era digital dos computadores e da automação nos levou à versão 3.0. A tecnologia será um grande aliado na construção do conceito Indústria 4.0, alicerçada em sistemas de informação avançados com módulos de inteligência, soluções de IoT e sistemas integrados ou, como agora se prevê, distribuídos (leia-se Blockchain). Deste modo, com um fluxo de informação em tempo real, serão potenciadas melhores tomadas de decisão e planeamentos mais assertivos.

A HUUB está a caminhar nessa direcção, através da criação de um ecossistema que engloba uma cadeia de valor cada vez mais complexa protagonizada por vários stakeholders (fornecedores, produtores, carriers, retalhistas, lojas online, etc.). O trabalho assenta no constante desenvolvimento de um sistema de informação, denominado SPOKE, que permite a digitalização da cadeia de abastecimento, onde o ciclo logístico de um produto é gerido end-to-end.

Derrubam-se assim as paredes dos silos organizacionais ao mesmo tempo que se garante visibilidade horizontal de todos os processos: transporte primário, recepção e armazenamento de mercadoria, abastecimento de encomendas, expedição, cross-docking, transporte last mile e entregas ao consumidor final e a retalhistas. Uma visão ponta-a-ponta e focada numa lógica de valor acrescentado a cada etapa da jornada.

No acompanhamento completo do processo logístico a HUUB ultrapassa as barreiras de mero intermediário para se tornar aquilo que chamamos um “Supply Chain Orchestrator”. Com isto é garantida transparência e previsibilidade, mitigando entropia na cadeia como o bullwhip effect. Por outro lado é potenciado o conceito de utilização de data, apelidada de “Novo Petróleo” pelo “The Economist”.

Essa mentalidade data-driven na tomada de decisão potencia a eficiência e a eficácia, reflectindo-se quer em questões de desenho de cadeia – como a abertura de um novo centro de distribuição – quer em decisões relacionadas com processos mais centrados como rotas de picking e a escolha do melhor carrier para um determinado transporte. O resultado é a possibilidade de garantir a marcas de qualquer dimensão um serviço logístico ágil, competitivo, e sem ineficiências geradas por miopias; ao mesmo tempo que as direcciona para o verdadeiro core do seu negócio.

Assim se atinge a plena democratização da cadeia. Bem-vindos à Supply Chain 4.0.

Jorge da Costa Ferreira

Business Analyst na HUUB

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