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Jorge Rosa (Mobinov): «Transporte ferroviário inexistente põe em causa a nossa competitividade»

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Em entrevista concedida ao ‘Dinheiro Vivo’, Jorge Rosa, presidente da Mobinov, abordou o tema da transformação da indústria automóvel e o dossier da conectividade ferroviária portuguesa. O presidente da Mobinov (que reúne os fabricantes de carros e de peças e ainda o comércio automóvel), frisou que a mudança na indústria automóvel lusa ocorrerá sobretudo nas unidades de componentes e não nas linhas de montagem.

O cluster automóvel, lembrou Jorge Rosa, registou em 2018 um volume de negócios de 13,7 mil milhões de euros (cerca de 7% do PIB) e emprega 75 mil pessoas. No sentido de aprofundar e incrementar a eficiência e competitividade deste cluster, as prioridades da Mobinov passam por promover a formação e por apostar na conexão ferroviária de Portugal a Espanha. Em Abril, recorde-se, a Mobinov assinara já um pacto para a competitividade com o Governo, visando promover financiamento para a Indústria 4.0, fomentar a aposta nos recursos humanos e nas energias alternativas.

Portugal deve «promover a modernização do sector industrial»

«Portugal tem de ser competitivo em várias dimensões – que foram incluídas no pacto – para se poder internacionalizar. O país tem de promover a modernização do sector industrial, captar mais investimento, estar alinhado com a transição energética e com as tendências do mercado, como a mobilidade e a conectividade. Só a criação do cluster automóvel já é muito importante, porque pela primeira vez se juntaram os construtores, fabricantes de componentes e os centros de conhecimento», declarou Jorge Rosa ao ‘Dinheiro Vivo’.

O processo de transformação que decorre na indústria automóvel é imparável e forçará a alterações estruturais – que mudanças terão as fábricas portuguesas de operar para se adaptarem a esta evolução? «As maiores mudanças vão estar do lado das fábricas de componentes. Nas unidades de fabricação de carros, as alterações não serão muito profundas: em vez de produzirem automóveis com motor de combustão, serão carros movidos a baterias, o que não implica grandes mudanças no processo, pelo menos na próxima década. Nos fabricantes de componentes, o cenário será outro: o motor eléctrico implica outras peças, materiais mais leves, avançados e mesmo compósitos», respondeu Jorge Rosa.

Nova fábrica de automóveis em Portugal é «desejo de vários anos»

O presidente da Mobinov frisou que «a criação de uma nova fábrica de automóveis é um desejo de há vários anos e seria absolutamente decisivo» e deixou um garantia: «Na área dos componentes, há um potencial enorme», lembrando que, por estar «colado a Espanha» (o segundo maior produtor de automóveis da Europa), Portugal tem uma «posição privilegiada», facto ao qual se juntam os «muitos investimentos» feitos «na área das peças, com destino a Espanha». Daí ser relevante uma ligação logística afinada com o país vizinho – algo que não acontece.

«As linhas férreas são um dos principais desafios»

A conectividade portuguesa é, de facto, um grande entrave, observou Jorge Rosa: «Chegar ao centro da Europa é outro desejo do sector. Mas aí levantam-se obstáculos. As linhas férreas são um dos principais desafios. Temos discutido isso com o governo, mas não tem sido fácil. Só conseguimos chegar à Europa de camião, praticamente. O transporte ferroviário é inexistente e põe em causa a nossa competitividade, sobretudo a nível logístico. Faria sentido ligações ferroviárias em condições para os centros logísticos espanhóis», afirmou.

Ao não colocar as suas fichas no progresso ferroviário, Portugal perde em toda a linha – «Portugal está a perder competitividade. O transporte ferroviário é a solução mais económica. Quando se avalia um novo projecto para o país, os custos logísticos são olhados e são um factor de decisão cada vez mais importante. A ausência de escoamento de produtos por via férrea é uma condicionante muito importante. Estamos muito atrasados nesta matéria e temos visto muitas decisões adiadas», comentou.

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