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José Simão (DGRM) e a competitividade portuária: «É essencial que a agilidade seja um factor crítico»

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O mês de Julho fica marcado pela realização do webinar ‘Eficiência’, promovido pela ADFERSIT com o intuito de pavimentar o caminho para a realização do 14º congresso nacional da associação, que se realizará no próximo mês de Novembro. A sessão, acompanhada a par e passo pela Revista Cargo, contou com a participação do director-geral da DGRM, o engenheiro José Simão. Em destaque esteve a emancipação dos ecossistemas digitais na gestão logística e na busca por mais eficiência, elemento crucial no ambiente competitivo que enquadra o transporte de mercadorias.

Na sua intervenção, o director-geral da DGRM levou a cabo uma profunda análise e descrição da Janela Única, que actualmente já envolve, no seu upgrade recente, a integração com o hinterland, realçando a importância da digitalização, desmaterialização e partilha de informação para os índices competitivos dos portos. O advento da contentorização, explicou José Simão, esteve na origem de uma pressão, contínua e acumulada, sobre os portos: tanto a partir do prisma físico (das operações no terreno) como do prisma informacional (tratamento de dados e documentação).

Contentorização: a origem de um paradigma de desafios múltiplos

«A parte portuária e o transporte marítimo são componentes de um processo de transporte de grandes massas, principalmente após o fenómeno da contentorização marítima, que trouxe um novo paradigma para todos os portos. Estamos a falar em cargas individualizadas e em grandes quantidades, em pacotes standard. A Janela Única Portuária veio dar resposta ao tratamento massivo de informação que o transporte contentorizado trouxe para a gestão portuária», começou por explicar José Simão, que integrou o quadro de oradores do evento da ADFERSIT.

«Quando falamos de um navio de contentores, daqueles que vêm do Far East, levam 20 mil TEU ou mais, e estamos a falar de uma panóplia enorme de informação, de vários níveis – o tratamento desta informação é essencial. Razão pela qual a gestão portuária nacional – através do plano para o aumento da competitividade portuária – apostou nestes dois vectores: infra-estruturas com capacidade para processar estes navios (que colocam, no lado portuário, uma pressão enorme, pois é preciso capacidade física para escoar, num curto espaço de tempo, as cargas de navios que são cada vez maiores) e tramitação de dados por via electrónica, sempre possível em antecipação. É isto que a filosofia da Janela Única trouxe», descreveu.

Janela Única: uma resposta digital e agregadora em prol da agilidade

«Os actores que precisam de utilizar o porto fazem a entrega uma só vez, através desta plataforma, e esta depois distribui todo o manancial de informação às entidades que têm de se pronunciar, como a autoridade portuária, a AT e todas as entidades relacionadas com o navio e com a mercadoria», declarou o director-geral da DGRM, ressalvando o facto de os portos serem «fronteiras externas da União Europeia, e, como tal, estão sujeitos a um conjunto de procedimentos das várias autoridades para controlar o navio e o movimento das mercadorias».

Porta-contentores«Todos estes procedimentos são realizados tendo por chapéu a Janela Única, que faz a articulação, em back office, entre todas as entidades do porto que se pronunciam sobre as escalas e apresentam ao cliente através desse canal a resposta articulada. A complexidade é gerida em back office; para o cliente, é um balcão único, onde entrega a informação de uma só vez e recebe o feedback necessário», detalhou, voltando novamente a focar-se no segmento contentorizado: «Nos contentores, estamos com procedimentos já muito céleres», assegurou o responsável.

«Os grandes navios provenientes do Far East, EUA ou Brasil, têm, em média, as autorizações para arrancar as suas operações dois dias e meio antes do navio entrar em porto – isto é essencial, pois, quando o navio chega, vai imediatamente para o cais e inicia a operação o mais depressa possível. Estamos a falar de movimentos logísticos de contentores standard: ou o porto é competitivo e o navio escolhe escalá-lo, ou então simplesmente o navio carrega os contentores para outros portos e a mercadoria chega ao seu destino na mesma, seja via Le Havre, Sul de Espanha, Valência…portos que estão em competição directa com os portos nacionais. Portanto, é essencial que a agilidade seja um factor crítico, desde logo, em toda a implementação dos terminais e no layout físico articulado, com as autorizações informacionais. A partir daqui, todas as entidades despacham rapidamente a mercadoria», rematou o engenheiro, que tem sido uma das grandes figuras do processo digitalizante na Logística em Portugal.

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