José Simão (DGRM): GNL «é uma solução viável para reduzir as emissões de GEE do transporte marítimo»

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Realizou-se ontem, dia 27 de Novembro, o Seminário GASNAM, subjugado ao tema ‘Gás Natural: A solução de mobilidade na transição energética’ – entre os destaques do evento – ocorrido no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa – esteve a intervenção de José Carlos Simão, director-geral da DGRM, que foi ao encontro da importância crescente das virtudes do GNL no âmbito do transporte marítimo, à luz de uma mudança de paradigma energético, no combate contra as emissões poluentes do Shipping.

Director-geral da DGRM contextualizou as metas ambientais da IMO

Analisando o tema do gás natural «na perspectiva marítima», o presidente da DGRM frisou que a discussão dos combustíveis e das energias alternativas «faz parte do conjunto de medidas actualmente em discussão no seio das organizações internacionais relacionadas com o transporte marítimo e portos», lembrando que, quer na Comissão Europeia, quer na Organização Marítima Internacional (IMO), «a redução de emissões no transporte marítimo é considerado um factor prioritário para o combate às alterações climáticas».

José Simão DGRMA análise da problemática, no contexto do Acordo de Paris e da declaração ‘Tony deBrum’ (assinada, também por Portugal, em Dezembro de 2017), supõe acções como a implementação de medidas para redução dos gases com efeito de estufa, aprovadas pela Estratégia da IMO, a «descarbonização das emissões provenientes do tráfego marítimo» e a «diminuição drástica» dos teores de enxofre nos combustíveis – medidas que, explicou, integram dos objectivos da estratégia Inicial da IMO para a Redução da Emissão de Gases com Efeito de Estufa e Descarbonização pelos Navios.

Assim se chega à antecâmara de uma das alterações mais disruptivas do sector: no dia 1 de Janeiro de 2020, «entra em vigor, a nova regulamentação da IMO, prevista no Anexo VI da Convenção MARPOL que introduz o limite global de 0,5% do teor de enxofre nos combustíveis navais», salientou José Carlos Simão. Esta medida, exaustivamente analisada e reportada pela Revista Cargo, será acompanhada da proibição do transporte de combustível não conforme a partir de 1 de Março de 2020. Na sequência desta alteração, o GNL afigura-se como uma das opções alternativas.

Na corrida contra as emissões poluentes e os gases de efeito estufa, o director-geral da DGRM explicou que as metas fixam-se na redução «das emissões de CO2 por unidade de trabalho de transporte, em média no transporte internacional, em pelo menos 40% até 2030 em comparação a 2008» e na aferição correcta da «medição actual máxima de emissões de GEE através do Data Colection System da IMO e do MRV Europeu, e reduzir o nível total anual de emissões de GEE em pelo menos 50% até 2050 em comparação a 2008».

GNL: uma alternativa «viável» para a alteração de paradigma energético no Shipping

NileDutch navioOra, para atingir tais ambições temporais «será necessário, entre outras, a introdução global de combustíveis alternativos e/ou fontes de energia», vincou José Carlos Simão – é neste contexto que emerge, entre outras, a solução do GNL. «Dos estudos existentes relativos ao ciclo de vida das emissões de GEE relativas à utilização de LNG  como combustível marítimo verifica-se que o GNL oferece uma vantagem significativa em termos de melhoria da qualidade do ar, que é particularmente importante nos portos e áreas costeiras», declarou.

Além dos benefícios associados à redução de poluentes atmosféricos, o GNL, frisou, «é uma solução viável para reduzir as emissões de GEE do transporte marítimo internacional e assim contribuir para as metas fixadas pela IMO». Assim, a aposta nesta solução enquanto combustível naval «constitui uma via para o cumprimento das medidas cada vez mais restritivas que regulam as emissões atmosféricas, designadamente reduções dos níveis de Óxidos de Azoto (NOx) na ordem dos 95%, de 99,9% para Óxidos de Enxofre (SOx) e mais significativamente de Dióxido de Carbono (CO2) na ordem de 21%, incluindo a emissão de Partículas que são muito inferiores», rematou.

Assim, sublinhou o responsável da DGRM, «a utilização do GNL é uma opção que permite dar cumprimento aos requisitos pós 2020, e a sua utilização generalizada pode contribuir de forma significativa para a redução dos gases de efeitos de estufa em conformidade com os objectivos da IMO para 2050».

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