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José Simão (DGRM): «Temos a obrigação de trabalhar cada vez mais com a vertente de terra»

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Terminal XXI PSA Porto de SinesJosé Simão, director-geral da DGRM, foi uma das figuras de destaque do evento ‘A Carga em Movimento – Gerir os Trânsitos à Distância‘, promovido pela APAT. A sua intervenção focou-se na visão integradora e holística dos fluxos de cargas entre o Mar e Terra, onde a Janela Única Logística (JUL) ganha uma importância central. Entre os tópicos prioritários estiveram também a descarbonização e a digitalização, «pilares» da actuação da DGRM.

Ao introduzir as missões da DGRM, José Simão fez menção à clara progressão verificada no registo de navios e ao papel do Registo Internacional da Madeira na dinamização deste segmento em Portugal. «No MAR temos os grandes navios que andam pelo mundo, e que trazem as mercadorias. Muitos deles são navios de contentores de última geração, como aqueles da MSC que escalam Sines e que vão para o Far East e que estão registados no Registo Internacional da Madeira (MAR). Temos crescido neste segmento e neste momento estamos numa posição mundial bastante interessante: 16ª posição mundial em termos de registo de navios face ao crescimento que temos tido neste segundo registo, e, no ponto de vista europeu, estamos na 7ª posição», começou por afirmar o director-geral da DGRM, focando-se, depois na descarbonização e digitalização do sector.

DGRM está a «trabalhar em dois grandes pilares: descarbonização e digitalização»

«Estamos a trabalhar em dois grandes pilares: a descarbonização do transportes e a questão da digitalização. Tudo o que vem do mar, nós temos a obrigação de digitalizar. Temos vários regulamentos europeus que temos de seguir nos vários sectores que servimos. Hoje, no que toca à certificação de um navio e de um marítimo, os certificados já são electrónicos, e a interacção com a formação é, também, cada vez mais electrónica. Portanto, toda a componente de marinha mercante está cada vez mais digitalizada. Estamos a cerca de 70% em termos de implementação e projectamos que, dentro de dois anos, sensivelmente, teremos totalmente digitalizado, incluindo processos de construção de embarcações junto dos estaleiros», expôs.

JUL é «projecto âncora» em fase bastante avançada, vincou José Simão

José Simão DGRMA acção da DGRM, frisou, está cada vez mais ligada à vertente terrestre, devido à tendência de integração logística que vem pautando a evolução do transporte de cargas eficiente. «Temos a obrigação de trabalhar cada vez mais com a vertente de terra. O projecto âncora que nós temos é a JUL que vem do projecto anterior Janela Única Portuária (JUP), muito centralizado nos portos e nos processos de escala e carga e descarga dos navios. Agora estamos a trabalhar, já numa fase avançada, para alargar este sistema a toda a cadeia de transporte, através da integração dos portos marítimos com os portos secos e depois até aos importadores e exportadores. Estamos a trabalhar com os parceiros económicos que utilizam os portos nacionais. O projecto tem sido levado a cabo de forma faseada; infelizmente, com a pandemia, o nosso planeamento atrasou-se um pouco», explicou.

«Temos vários portos a trabalhar com a JUL e será feito o upgrade da camada nacional, que está sediada na DGRM que faz a exportação dos dados para efeitos comunitários, nomeadamente para a EMSA. Acreditamos que, a meio de 2021, teremos o projecto na recta final e passaremos, depois, para as componentes mais promissoras e capazes de acrescentar mais valor, como a componente de maior penetração no hinterland e outra mais analítica, de tratamento de dados. O projecto desenvolveu, para toda a cadeia, um software, instalado de nó a nó, que se liga com as autoridades públicas e privadas, utilizadoras desses nós. É como um conjunto de aplicações que são instanciadas em função das especificidades de cada nó logístico, dando assim cobertura a toda a cadeia de transporte. Todos os nós ficam compatíveis, para haver integração e fluxo de dados», detalhou.

José Simão relevou importância do TOS – Terminal Operating System

ferrovia ferroviário

Na ligação de mar para terra, prosseguiu José Simão, «é muito importante a questão do TOS – Terminal Operating System. Nós desenvolvemos um modo de terminal para ser universal e colocado num nó marítimo ou terrestre, no hinterland, e que tenha uma visão multi-transporte. Com esta filosofia, temos uma plataforma disponível para cada nó. Se esse nó tiver um sistema específico (e isso existe), a JUL tem os mecanismos de interoperabilidade», esclareceu o director-geral da DGRM, explicando que, neste novo ecossistema comunicacional, «a informação vem em antecipação, permitindo o planeamento e a gestão daquilo que será operado em cada meio de transporte».

«Quando a mercadoria chega, rapidamente é movimentada à luz daquilo que foi planeado e o sistema vai colectando toda a informação, para verificar se o planeamento previsto está a ser executado, se há desvios e, eventualmente, proceder a correcções. Neste caso é bastante interessante porque faz toda a gestão do espaço que o comboio pode ocupar, conseguindo-se optimizar a utilização, nomeadamente em termos de peso (cada vagão tem limites de carga). A gestão da informação é directamente retirada daqui e toda a tramitação administrativa fica facilitada, havendo uma reutilização da informação, para que não seja necessário estar sempre a carregar. Este era um grande problema – não havia transferência de informação entre os diferentes meios de transporte. Com esta metodologia que aqui estamos a preconizar, há uma reutilização de toda a informação que vem de trás e não se perde tempo para efeitos de trabalho manual», detalhou o director-geral da DGRM.

José Carlos Simão vincou ainda, durante a sua intervenção no evento da APAT, que a questão da Mobilidade é crucial para a filosofia de actuação da entidade: «Muito importante para nós, no âmbito da JUL e desta visão holística de mar para terra, é a questão da Mobilidade. Estamos a complementar a aplicação com várias apps, que têm funcionalidades para responder aos desafios da Mobilidade».

Saiba mais sobre a JUL:

Cláudio Pinto (APS): JUL pretende «ser um catalisador da criação de cadeias logísticas mais eficientes»

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