Joseph Santo: «A regulamentação da IMO 2020 é o grande factor de disrupção da indústria»

Marítimo Comentários fechados em Joseph Santo: «A regulamentação da IMO 2020 é o grande factor de disrupção da indústria» 53
Tempo de Leitura: 4 minutos

Discursando durante a conferência ‘New MARPOL Regulations: How Will Shipping be Affected?‘, realizada no Centro de Congressos de Lisboa no dia 19 de Setembro, Joseph Santo, Managing Director da Hapag-Lloyd para a região da Península Ibérica, abordou a nova regulamentação da IMO, direccionada a combater as emissões poluentes do Shipping, e que arrancará já no dia 1 de Janeiro de 2020. Para o representante do armador alemão, entre as muitas variáveis entrópicas que desestabilizam o sector, a chamada Sulphur Cap é «o grande factor de disrupção».

Trump? Brexit? IMO 2020 é que é «o grande factor de disrupção» do Shipping

«Actualmente, nós vislumbramos vários riscos na nossa indústria: Trump e a guerra comercial com a China, o Brexit, mas, para nós a regulamentação da IMO 2020 é o grande factor de disrupção da indústria. Para nós é, provavelmente, o dossier mais premente com o qual teremos de lidar a curto prazo. Trata-se de um novo pacote de medidas que altera o funcionamento do mercado, não se trata de uma pequena mudança», dissertou Joseph Santo ao abordar o novo limite de 0,5% (presente nas emissões resultantes da queima de combustível dos navios) estipulado pela IMO.

Se o formato do desafio não é uma novidade (para a Hapag-Lloyd e para a indústria como um todo), a verdade é que a dimensão do mesmo afigura-se como a grande barreira a ser ultrapassada pelos players do sector: ««Já enfrentámos este tipo de desafio a uma escala menor – o que torna este desafio diferente é a grande escala com que teremos de lidar, de um dia para o outro. A nossa preocupação prende-se com a transição, da actual forma de operar, para a nova regulamentação de enxofre», considerou o responsável da Hapag-Lloyd.

«Para nós é um grande desafio e temos trabalhado consistentemente para encontrarmos soluções – é justo dizer-se que já sabíamos que isto aconteceria, mas também será adequado afirmar que ninguém tinha a certeza, até final de 2016, de que a regulamentação não seria adiada. Portanto, coloquem-se na nossa posição: os investimentos são gigantescos. Imagem que fazíamos os investimentos devidos em 2014/2015 e os legisladores acabavam por decidir adiar… – o que não seria inédito – como explicariam aos vossos accionistas que o investimento feito era, afinal, uma inutilidade?», argumentou Joseph Santo, apontando o cenário de incerteza que pautou o processo de implementação da nova lei.

Hapag-Lloyd aposta, primordialmente, nos compliant fuels, revelou Joseph Santo

hapag-lloyd«A Hapag-Lloyd apoia veementemente as novas regulamentações da IMO. Achamos é positivo o facto de o Shipping estar definitivamente focado em ser mais verde. Para nós, a solução mais viável será a utilização de combustíveis em conformidade com as regras. É a melhor solução para nós», revelou Joseph Santo, levantando completamente o véu sobre a estratégia a adoptar pela Hapag-Lloyd em 2020: primazia dada aos chamados compliant fuels, mas sempre com um olho atento às outras duas soluções: os scrubbers e o gás natural liquefeito (GNL).

Desafio é das refinarias, não dos armadores

Joseph Santo relevou ainda que o desafio real das novas regras da IMO não é um problema dos armadores, mas sim das refinarias: Através dos media, foi-se criando a sensação que as novas regras da IMO seriam um problema para os armadores: nós, na Hapag-Lloyd, nunca percebemos essa perspectiva. Nós já tínhamos de gerir a utilização de diferentes tipos de combustível, logo, estamos habituados a lidar com isto. Portanto, se houver suficientes quantidades de combustíveis em conformidade com as regras, não existirá qualquer problema para nós», atirou.

«O grande desafio desta alteração de paradigma é saber se existe suficiente volume de combustível compliant disponível, no mundo inteiro, nos portos em que escalamos. Se isso estiver a ser resolvido, então nem sequer há desafio e o diferencial de preço acabará por não ser tão grande. No nosso ponto de vista, o desafio é das refinarias, não dos armadores. Temos tentado mudar o rumo da conversa, colocando o foco, não na utilidade dos scrubbers ou retrofitting, mas no facto de existir ou não a quantidade suficiente de compliant fuels nos portos, para operarmos devidamente», vincou.

Back to Top

© 2019 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
pt Português
X
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com