Lídia Sequeira

Líderes femininas dos portos nacionais assinalam o Dia Internacional da Mulher

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Hoje, dia 8 de Março, assinala-se o Dia Internacional da Mulher – e a Revista Cargo, como é evidente, não podia deixar de associar-se a esta importante data e aos esforços para uma sociedade onde cada vez mais se possa verificar uma verdadeira igualdade de género, a todos os níveis. A Portos de Portugal, no seu website, está a assinalar a data com uma série de depoimentos de líderes femininas de vários portos nacionais, os quais trazemos aqui até si.



Lídia Sequeira: “Mulheres lutando lado a lado”

Um dos grandes nomes femininos do sector marítimo-portuário nacional é Lídia Sequeira, hoje Presidente da Associação dos Portos de Portugal, presidente da Administração do Porto de Lisboa (APL) e Presidente da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS).

No seu depoimento, Lídia Sequeira recorda que o Dia Internacional da Mulher «não é uma data romântica, é um marco na luta das mulheres por melhores condições de trabalho e pela igualdade de direitos para as mulheres».

Recordando a origem do 8 de Março, quando, no ano 1857, «as mulheres de uma fábrica têxtil de Nova York encetaram uma luta pela defesa dos seus direitos», Lídia Sequeira salienta que daí para cá «as mulheres conquistaram o acesso a carreiras que lhes estavam vedadas (no nosso país, só depois de 25 de Abril de 1974 as mulheres tiveram acesso a carreiras como a magistratura ou a diplomacia), mas a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres continua a fazer o seu percurso e a justificar empenho e dedicação».

Sobre o sector portuário, a presidente da APP enaltece o facto de «em alguns portos portugueses já existem mulheres estivadoras, até mulheres-piloto», ressalvando que são ainda «uma minoria e não existam em todos os portos». Contudo, vinca o seu papel, salientando que «essas mulheres estão a fazer história, estão a abrir o caminho a outras mulheres na luta pela igualdade de acesso a todas as profissões».

«O nosso sector continua a ser um mundo de trabalho eminentemente masculino, mas também aqui o caminho se faz caminhando, e também aqui, mulheres e homens lutam lado a lado, por um mundo em que a igualdade de direitos, de salários, e de acesso a todas as profissão seja uma realidade permanente e plena», conclui Lídia Sequeira.

Guilhermina Rego: “O Mar, a Vida e a Mulher”

Também Guilhermina Rego, Presidente da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) se associou a esta data com um depoimento no website da Associação dos Portos de Portugal (APP).

A Presidente da APDL salienta que, com o Dia Internacional da Mulher, «pretende realçar-se o papel da mulher na sociedade contemporânea, mas, também, o facto de que o seu valor ainda não é devidamente reconhecido na maioria dos contextos sociais, e à escala global».

Voltando a atenção para o sector marítimo, Guilhermina Rego refere também que «quando se olha para o mar percebe-se a verdadeira natureza humana, natureza profunda que é a da igualdade». «Igualdade na diferença, sim, mas sempre igualdade. E sempre diferença. E é por isso que o mar é tão feminino. Porque acolhe, mesmo quando está temperamental. Porque perdoa mesmo quando tem razão. Porque olha para a terra como um dos seus filhos predilectos», acrescenta.

«E o mar é também fonte de vida. Tal como a mulher. De onde surgiu a vida e onde ela, a vida, continuamente se retransforma e reinventa. Por isso o mar é tão feminino. Por isso é tão belo», conclui a líder do Porto de Leixões.

Lígia Correia: “Mulheres”

Outro depoimento recolhido pelos Portos de Portugal foi o de Lígia Correia, Presidente da APRAM – Portos da Madeira. A líder dos portos madeirenses, que está por estes dias na Seatrade de Miami, recorda que «as mulheres cada vez mais estão a ocupar postos de direcção ou decisão, em todas as áreas, logo também neste sector que recebe funcionários de várias origens geográficas e culturais».

Contudo, lembra que «há questões que se colocam, desde já, a paridade salarial, quer nos que trabalham na base da hierarquia, quer nos que estão nos graus intermédios e de topo». Dito isso, questiona-se: «Será assim tão importante assinalar-se este dia? Será que as mulheres não alcançaram hoje um patamar incontornável, em termos sociais e económicos, para que ainda se façam estas comemorações? Fará ainda sentido celebrar o Dia 8 de março, Dia da Mulher?». «Apesar de tudo, acho que sim!», responde.

Lígia Correia refere ainda que nunca se ter sentido «prejudicada por ser mulher», admitindo pertencer a uma geração e a um grupo que, «por mérito, conseguiu alcançar cargos cimeiros». «Mas não é assim em todo o lado! Mesmo no nosso país, há ainda muito caminho a trilhar! Temos das legislações mais progressistas, mas a verdade é que a história das mentalidades reporta-nos para a morosidade das mudanças, inquinadas por velhos conceitos que ainda prevalecem nas camadas do subconsciente individual e colectivo. É preocupante, por exemplo, que entre 2011 e 2016, a diferenciação salarial entre homens e mulheres no nosso país tenha crescido 4,6%, a maior taxa dos países da U.E.», refere ainda.

«Preocupante é também a lei das quotas de género nas empresas públicas e nas cotadas em bolsa que prevê um regime de representação equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos de administração e de fiscalização, que a partir de 2020 deverá atingir pelo menos um terço. A intenção é boa, mas as quotas causam desconfianças, secundarizando o mérito, e isso não é abonatório para as mulheres», defende ainda a presidente dos Portos da Madeira.

«Tem de haver, sim, é igualdade de oportunidades para todos, homem ou mulher, rico ou pobre, branco ou de qualquer cor… No fundo, a luta das mulheres é, sobretudo, uma luta de direitos humanos!», acrescenta Lígia Correia.

«Para mim, o valor mais importante que me trouxe como mulher foi a Liberdade! De me manifestar, de me autonomizar, de escolher, de conhecer, de evoluir na área que quiser, algo que esteve vedado a outras gerações. Esse para mim é o bem maior, ausente em tantos países, em pleno século XXI! No entanto, como dizia o poeta, “o caminho faz-se caminhando”, e é tão animador ver que mesmo os homens, sobretudo os mais novos, encaram hoje o papel das mulheres de uma forma completamente diferente!», conclui.

Fernanda Albino: “Igualdade tem também de significar diversidade”

Fernanda Albino, Vogal do Conselho de Administração da APS – Administração dos Portos de Sines e do Algarve, deixou também o seu depoimento neste Dia Internacional da Mulher.

Falando sobre o seu percurso de 28 anos no Porto de Sines, Fernanda Albino admite ter tido oportunidade de desenvolver «actividade em funções diversas, desde as mais operacionais, as comerciais, e até outras mais administrativas e de gestão». E fala ainda da sua convicção de que o cargo que hoje ocupa, de Vogal do Conselho de Administração da APS, S.A., não representa «um mero exercício de cumprimento de quotas de representação nos órgãos sociais duma empresa; antes pelo contrário trata-se do reconhecimento de um percurso profissional de afirmação, dedicação e competência na empresa a que sempre estive ligada».

Falando concretamente do seu percurso profissional, Fernanda Albino admite que o mesmo lhe permitiu «conhecer e trabalhar com mulheres fantásticas, com capacidade, com disponibilidade, mulheres fortes e inteligentes, num sector que inicialmente era demasiado masculinizado pela tipologia de profissões que congrega».

Sobre a comemoração do Dia Internacional da Mulher, a responsável da APS salienta que este dia «deve servir, pelo menos uma vez por ano, para reforçar a consciência da realidade existente e fomentar a igualdade de condições e oportunidades entre homens e mulheres». Contudo, ressalva que «esta “igualdade” tem também de significar diversidade», justificando: «As organizações devem tirar partido das diferenças de género, construindo uma nova realidade em que, independentemente do género, as pessoas são avaliadas pelas suas competências».

«Felizmente, na APS, S.A dispomos de procedimentos que privilegiam a igualdade de género e orgulhamo-nos de ter aderido ao Fórum IGen, desde o seu arranque, em Maio de 2012, sob o tema “Empresas para a Igualdade – O nosso compromisso”. Actualmente, na APS, S.A., algumas das profissões que eram tendencialmente exercidas por homens, são desempenhadas, com a mesma competência, por mulheres», conclui Fernanda Albino.



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