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Manuela Batista (ENIDH) analisou os desafios da adaptação do ensino às exigências do Futuro

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Manuela Batista, professora e coordenadora de licenciatura da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique (ENIDH) foi uma das figuras de destaque da conferência ‘Janela Única Logística: Presente e Futuro’, realizada no âmbito das comemorações dos 50 anos do Porto de Sines. A docente analisou os desafios da constante metamorfose logística em tempos de digitalização e da pandemia, que forçaram as instituições de ensino a uma adaptação transversal e acentuada, com vista à capacitação – cada vez mais exigente e multidisciplinar – dos profissionais do futuro.

Ensino virado para o futuro deve ser «compromisso colectivo»

ENIDH simuladoresO mundo actual atravessa «transformações complexas, instáveis e sistemáticas», realidade que «vão impactar os portos e também o ensino», introduziu Manuela Batista. «Quando pensamos a questão da pandemia, a digitalização, a descarbonização, as dimensões dos navios e das infra-estruturas portuárias, pensamos em questões que nos conduzem à ideia de sustentabilidade, nomeadamente do Shipping, mas também no redesenho das cadeias de abastecimento, nas questões da intermodalidade, do stock e que impactos é que esta realidade tem nos portos. Tudo isto traz novos desafios aos profissionais das instituições de ensino superior», dissertou a coordenadora da escola náutica.

Neste contexto de aceleração digital (do qual é exemplo a JUL), vincou Manuela Batista, «o pensamento deve ser colectivo». «Enquanto coordenadora da licenciatura e docente da instituição, eu tenho que estar atenta e identificar estas complexicidades e depois tentar adequar conteúdos, programas e metodologias. A necessária a adaptação, a escola teve e tem de o fazer, adaptando-se a novas metodologias de ensino. No caso da ENIDH, temos essa realidade da descarbonização, da transição digital e da questão energética, acabando por ter reflexos em unidades curriculares como Economia Marítima, Gestão Portuária, Sistemas de Informação Portuários, na Logística e na disciplina do Transporte Intermodal. Identificamos e integramos, trazendo essa dinâmica que se passa nos portos para dentro da nossa instituição», analisou a docente durante o segmento ‘Ensino, Investigação, Desenvolvimento e Inovação’.

Manuela Batista: ENIDH e sector empresarial devem «caminhar lado a lado»

Torna-se absolutamente essencial «tentar que essa realidade, apropriação e vivência dos portos e cadeia logística se viva aqui dentro da escola, através da colaboração com projectos; os docentes são incentivados a reflectir sobre estas questões; nós temos, nos dois últimos anos, dois projectos muito ligados à questão da digitalização. A nível de alunos também conseguimos absorver esses impactos, a nível das teses, por exemplo. Os alunos não podem deixar de estar envolvidos, munidos de uma filosofia de on the job training. No fundo, queremos captar essas complexas realidades e depois tentamos integrá-las dentro da academia», explicou Manuela Batista. Qual é, então, o maior desafio do ensino nos tempos que correm?

«O grande desafio, depois de identificarmos os novos paradigmas, é introduzir as tais alterações necessárias na nossa formação: quer seja com novas ofertas formativas quer seja ao nível das unidades curriculares. Quando falamos em formar profissionais do futuro, o nosso entendimento é que existe um compromisso e uma responsabilidade colectiva: os desafios da formação não estão unicamente ligados à ENIDH; esse compromisso de responsabilidade tem de ser entre a ENIDH e o sector empresarial. À escola náutica cabe-lhe, claro, a actualização dos conhecimentos e da formação, que conduza à aquisição de novas competências, tanto para os alunos como para os professores», respondeu a docente.

«O sector industrial é que vai absorver o futuro profissional. Ora, se este caminhar lado a lado connosco, na construção deste futuro profissional (através de estágios, protocolos, colaborações, programas de investigação ou ferramentas, como a JUL), proporcionar-se-á o desenvolvimento de competências necessárias desse futuro profissional. Este compromisso conjunto e responsabilidade colectiva tem de nos levar ao desenvolvimento de competências como a resolução de problemas complexos, a inteligência, programação, tecnologia, criatividade e liderança. Só faz sentido a construção deste futuro profissional se ele próprio vivenciar os desafios, tanto na academia como no sector empresarial», rematou a responsável, que integrou o painel juntamente com Tiago Pinho (ESCE IPS) e Valentina Chkoniya (Universidade de Aveiro).

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