Conferência ‘Mar em Português’ levou mais de 150 ao Mosteiro dos Jerónimos

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O majestático Mosteiro dos Jerónimos foi o palco da Conferência ‘Mar em Português’, que ontem se realizou entre as 9h e as 18:30h. O evento mobilizou o apoio transversal dos Portos portugueses e contou com o suporte de variadas entidades que confiaram na capacidade da Revista Cargo para orquestrar – em parceria com a ‘Media 4 U’ e o ‘Notícias do Mar’ – uma sessão multi-disciplinar ligada à economia do Mar luso, composta por oradores de excelência e tópicos de reflexão que satisfizeram a argúcia daqueles que marcaram presença.

A conferência marcou o regresso da Revista Cargo às lides da organização de eventos, logo no ano em que comemora o 25.º aniversário da sua primeira edição. Pelo Salão Nobre do histórico monumento passaram painéis de debate que prenderam os inscritos às cadeiras, contribuindo para a reflexão colectiva dos diferentes temas escolhidos. E a pertinência dos temas e a qualidade dos oradores levou aos Jerónimos mais de 150 pessoas!

Ordem de Trabalhos: Uma manhã animada

Os trabalhos arrancaram com o painel ‘Turismo Costeiro, a Náutica e os Desportos Aquáticos’, composto pelos intervenientes Isabel Feijão Ferreira (chefe de equipa multidisciplinar – Turismo de Portugal), Pedro Bacalhau (CEO da ALGAREXPERIENCE), Rui Palma (director da Palmayachts) e Alberto Braz (gestor de projecto de recifes artificiais na Subnauta Ocean revival).

Seguiu-se o tema ‘Surf – A deslizar sobre as ondas do Mar’, analisado pela voz de Vicente Pinto (vice-presidente da Câmara Municipal de Espinho), João Moraes Rocha (magistrado judicial), Miguel Pedreira (jornalista) e João Valente (director da SurfPortugal Media). A manhã prosseguiu com a animada apresentação ‘Flying Sharks: o pai de todos os transportes’, levada a cabo por João Correia, fundador da Flying Sharks e professor associado na Escola Superior de Tecnologia do Mar – Politécnico de Leiria. Antes da pausa matinal, a plateia pôde ainda ouvir a intervenção de Miguel Marques, sócio da PwC, que versou sobre o tema ‘Sentir o Mar – Uma perspectiva’, com base no barómetro sobre a Economia do Mar.

‘Logística Marítima’ era um dos momentos mais aguardados

A manhã encerrou com uma das grandes atracções do dia – o tema ‘Logística Marítima’ reuniu oradores de créditos firmados no universo marítimo-portuário e logístico, colocando à mesa nomes como Lídia Sequeira (presidente da Associação dos Portos de Portugal e presidente dos Portos de Setúbal e Lisboa), Fernando Cruz Gonçalves (Coordenador das Licenciaturas de Gestão na ENIDH), José Simão (director-geral da DGRM) e Paulo Ferreira (director de Infra-estruturas e Transportes da ALTRAN).

Aqui, o destaque vai para as palavras de Lídia Sequeira: elogiando o desempenho actual dos portos lusos, a presidente dos portos de Setúbal e Lisboa reafirmou a importância do pioneirismo da JUP em Portugal, do ‘know-how‘ portuário e da estratégia de desenvolvimento fixada para 2026.

Os méritos dos resultados portuários dos últimos anos ou dos avanços tecnológicos do sistema portuário nacional – nomeadamente com a JUP que em breve vai evoluir para a JUL – foram unanimemente reconhecidos pelo painel moderado por Hugo Duarte da Fonseca, Managing Partner da MAEIL.

Indústria da Construção Naval em debate ao início da tarde

Na parte da tarde, o ‘Mar em Português’ começou com a discussão do tema ‘Indústria de Construção Naval /Um sector com tradição a olhar em frente’, no qual os participantes Bruno Costa (gestor da Atlanticeagle Shipbuilding), Rui Roque (administrador da Nautiber), Filipe Rosa (da West Sea – Estaleiros Navais/Martifer) e João Santos (director-geral da Sun Concept) reflectiram sobre os esforços – inovadores e corajosos – de um sector com tradição que não quer deixar de acompanhar o trilho do progresso, quer na área da sustentabilidade energética e económica, quer na própria correlação de forças entre competidores.

Seguiu-se a valiosa intervenção de Rúben Eiras, em representação do Ministério do Mar, numa intervenção que visou avaliar as potencialidades do GNL (gás natural liquefeito) e as oportunidades que Portugal poderá captar enquanto ‘hub‘ de ‘transhipment‘ deste novo elemento energético de consumo – um tema que faz parte da ‘Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária’ e que pretende constituir Portugal e os Portos portugueses em verdadeiras estações de abastecimento de navios a GNL.

Na recta final da conferência (que contou ainda com uma sessão de degustação de pescado organizada pela Docapesca) a plateia escutou os argumentos dos oradores Martinho Fortunato (presidente do CA da Marina de Lagos), Hugo Henriques (administrador da Sopromar Centro Náutico), Marina Correia (da comissão executiva da Associação de Turismo de Portimão) e Pedro Vale (fundador da BoatCenter) no âmbito do tema ‘Marinas e Portos de Recreio / Infra-estruturas, Investimento, Turismo e Valor Acrescentado’.

O ‘Mar Português no Mundo’ na visão de três referências

A sessão encerrou com um painel composto por Luís Cacho (conselheiro da APLOP e presidente do Porto de Sines), Luís Baptista (presidente da ENIDH) e Nuno Teixeira (da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, responsável pela promoção do Registo Internacional de Navios da Madeira – RIN MAR), no qual foram debatidos tópicos relacionados com o investimento na formação marítimo-portuária, o crescimento do MAR nos últimos 4 anos e o contínuo potencial de crescimento de produtividade do Porto de Sines.

Num painel moderado por Joni Francisco, Director da Revista Cargo, José Luís Cacho destacou o papel do Porto de Sines nas exportações nacionais para todo o mundo, através das suas ligações aos quatro cantos do globo. Valorizou, por outro lado, os resultados dos últimos anos em Sines e mostrou grande ambição para os próximos 10 anos – até porque, recorda, todos os terminais têm capacidade de expansão e toda a zona envolvente do Porto tem também grande potencial de crescimento. O aumento do hinterland do Porto de Sines através do modo ferroviário – e as necessárias melhorias na ferrovia que se aproximam – mas também o futuro Terminal Vasco da Gama foram projectos para um futuro próximo que garantem optimismo particular no tráfego contentorizado.

Mas, estando presente enquanto responsável da APLOP, José Luís Cacho foi também desafiado a apresentar o propósito da entidade que junta os Portos lusófonos e os trabalhos que estão a ser feitos: nomeadamente na criação de uma marca ‘APLOP’ ou na criação de uma base de dados dos fluxos entre Portos lusófonos para melhor saber onde actuar.

Já Luís Baptista, presidente da ENIDH, realçou o trabalho concreto que tem vindo a ser feito na Escola Náutica em termos de recuperação de imagem em Portugal e além-fronteiras – com destaque para a formação de alunos do Panamá em Portugal, algo que demonstra reconhecimento do know-how marítimo português. Analisou ainda os desafios das tecnologias e da automação enquanto duplo desafio para a ENIDH: por um lado, na necessária inovação dos equipamentos de ensino, nomeadamente simuladores; por outro, no trabalho de adaptação da oferta à mudança do trabalho marítimo que é trazida pela emergência tecnológica.

Por fim, Nuno Teixeira, da SDM, valorizou os números do Registo Internacional da Madeira, que conta hoje com mais de 400 navios mercantes – num trabalho meritório que vem sendo desenvolvido pela SDM num contexto de grande concorrência à escala global. Os trabalhos terminaram mesmo com o desafio lançado pela ENIDH à SDM, para que as duas entidades se aproximem e que a ENIDH possa embarcar os seus alunos como praticantes nos navios do Registo da Madeira. Um desafio que, pelo que se percebeu, deverá ter seguimento para algo mais concreto.

A Revista Cargo agradece aos vários Patrocinadores, Apoios, Oradores e demais Participantes.

LEIA A REPORTAGEM NA ÍNTEGRA SOBRE O ‘MAR EM PORTUGUÊS’ NO PRÓXIMO NÚMERO DA REVISTA CARGO!

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