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Marco Vale (MSC) e o segmento de contentores em Sines: «Perspectivas para o futuro são excelentes»

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Para Marco Vale as perspectivas de crescimento do negócio de contentores em Sines são «excelentes» e o futuro poderá mesmo ser risonho para a parceria entre a gigante MSC e o porto alentejano. Durante a sua intervenção do webinar ‘A Logística e os Portos enquanto “nós” da Intermodalidade’, promovida pela ADFERSIT, o managing director da MSC Portugal reflectiu sobre os «eixos de crescimento» de um terminal de contentores.

«Para um armador como a MSC, o factor mais importante é a eficiência logística que um porto é capaz de apresentar. Isso leva-nos à importância que essa eficiência tem para a crescimento do hinterland desse porto, que acaba por ser o crescimento do porto em si, está muito ligado», começou por dizer Marco Vale na sua intervenção inicial, entrando, depois na análise dos «dois grandes eixos de crescimento de um terminal de contentores».

Marco Vale analisou os «dois eixos de crescimento de um terminal de contentores»

«Em Sines, o crescimento dos contentores é muito importante e perspectiva-se no futuro um crescimento ainda mais relevante. Um dos grandes eixos é um transshipment, que tem uma grande vantagem: é uma actividade que não depende da dimensão do mercado local nem da situação económica do país. Isto, para nós, é muito vantajoso, não só porque Portugal tem um mercado pequeno (apenas 10 milhões de habitantes), como não se prevê que nossa indústria passe a exportar mais 30/40% nos próximos anos, nem sequer consumiremos muito mais, nos próximos anos, do que o que já consumimos actualmente. É um importante ter uma actividade que não é influenciada negativamente por estes factores. Por outro lado, depende apenas e só da eficiência operacional do terminal e, no global, pelo competitividade do porto – entramos aqui na eficiência logística, que começa desde que o navio chega e coloca o piloto a bordo, desde as atracações agilizadas e toda a coordenação entre entidades no porto e no terminal», detalhou.

Utilizando o caso do Porto de Sines, Marco Vale ilustrou a importância do transshipment contentorizado na dinamização logística e comercial dos portos e de suas regiões, mesmo em tempos de contracção económica. «Em 2012 e 2013, foi precisamente quando Sines teve o maior crescimento percentual em termos de transshipment – no espaço de um ano, cresceu mais de 100%. Trata-se de uma actividade que permite taxas de crescimento de até dois e três dígitos. Nada disto acontece com a carga local [segundo eixo de crescimento]», descreveu o managing director da MSC Portugal.

msc eloane porto de sines terminal xxi«O segundo eixo de desenvolvimento de um terminal de contentores é a carga local, a área de captação de cargas que um determinado porto consegue ter. Neste caso, encaro o hinterland a um nível ibérico. Hoje em dia, a MSC Portugal já capta cargas da zona de Sevilha, o que quer dizer que há importadores e exportadores que usam o Porto de Sines, o que é positivo para a nossa actividade e economia. Penso que, com algum esforço, poderemos chegar ao mercado de Madrid. A nova ligação ferroviária que está prevista para Elvas, poderá reduzir o custo e o transporte de cargas até à fronteira em cerca de 30 a 40%. Essa redução de custo vai permitir-nos chegar aos importadores e exportadores de Madrid com uma solução mais competitiva», explicou Marco Vale. «Para este eixo crescer, entram em jogo as acessibilidades ferroviários e rodoviários do porto», vincou.

«A quem vive o Porto de Sines como nós, custa compreender que ainda não haja uma ligação a uma auto-estrada que sirva o Porto de Sines – por muito que não se queira fomentar o transporte rodoviário, há que dar condições para se chegar àquele que é o maior porto de contentores do país: mais de metade dos contentores em Portugal é movimentado em Sines. E Sines não tem uma auto-estrada de acesso», alertou. No entanto, o porto tem a sua favor características únicas e, no horizonte, investimentos que trarão maior pujança operacional: «Sines tem uma grande vantagem geográfica, estando no cruzamento das rotas comerciais atlânticas e além disso tem fundos naturais de -17 metros, que permite a entrada de navios de grandes dimensões. Poucos portos no mundo têm fundos desta grandeza. As perspectivas para o futuro são excelentes: a expansão do Terminal XXI está em curso, o projecto para o novo terminal também há-de arrancar assim que esta pandemia permitir», comentou.

Sines já mordeu calcanhares de Barcelona; é tempo de regressar à corrida

«O que falta a Sines, neste eixo de crescimento de transbordo, é crescer ainda mais, ganhar escala e voltar a entrar em concorrência com os grandes portos ibéricos. Há cerca de 5/6 anos o Terminal de Sines estava já muito próximo dos volumes que Barcelona movimentava, mordendo os calcanhares de Barcelona. Hoje em dia, Barcelona já deu um salto muito maior que nós e talvez esteja a fazer o dobro do que Sines faz actualmente. Mas os projectos de Sines vão colocar-nos de novo na corrida, que é regional. Não se trata apenas da Península Ibérica, mas também do Norte de África, Mediterrâneo: Sines pode captar cargas de todos estes portos», rematou o responsável da MSC Portugal.

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