Jungheinrich Armazém

Mark Wender: «2017 foi um ano histórico para a Jungheinrich Portugal»

Entrevistas, Logística Comentários fechados em Mark Wender: «2017 foi um ano histórico para a Jungheinrich Portugal» 404
Tempo de Leitura: 14 minutos

A Jungheinrich assinala em 2018 o seu 20.º ano de actividade em Portugal. A Revista Cargo entendeu que a data merecia uma entrevista em exclusivo e o seu Managing Director, Mark Wender, aceitou o desafio. Num apon­tamento que faz um apanhado de duas décadas de crescimento, Mark Wender mostra-se muito entusiasmado com o crescimento da economia portuguesa, o qual fez de 2017 o melhor ano de sempre da empresa no nosso país. E falou-nos ainda dos desafios da intralogística, algo que conhecemos melhor, in loco, em hamburgo.



REVISTA CARGO: Ainda não são conhecidos os resultados da Jungheinrich relativos à performance de 2017. No entanto, pergunto-lhe como tem sido a evolução da Jungheinrich nos últimos anos à escala global?

MARK WENDER: É verdade que os resultados de 2017 ainda não foram divulgados mas posso dizer que alcançámos os nossos objectivos no ano passado, assim como o crescimento que tínhamos previsto, tanto a nível de facturação como a nível de encomendas ou máquinas produzidas. Foi mais um ano positivo para a Jungheinrich, no seguimento de anos anteriores.

Essa evolução tem sido constante ao longo dos últimos anos?

No ano 2009 tivemos uma grande quebra, devido à crise mundial. Mas, daí para cá, temos vindo a recuperar e nos últimos cinco anos tivemos crescimentos anuais muito interessantes.

E em Portugal, como correu o ano 2017?

Estamos muito satisfeitos com a evolução registada no ano passado. Alcançámos um ano muito bom ao nível de facturação, onde tivemos um crescimento entre os 10% e os 20%. Alcançámos a maior facturação anual de sempre em Portugal! Também registámos o maior número de encomendas de sempre no país, para além do maior número de máquinas introduzidas no mercado. Os lucros em 2017 também foram bastante positivos e dentro daquilo que tínhamos planeado. Por tudo isso, acredito que estamos num óptimo caminho.

Em Hamburgo reparei que foram vários os membros da Jungheinrich a dar-lhe os parabéns pelos resultados alcançados em Portugal. Sente que os objectivos traçados pela casa-mãe foram atingidos?

Mais do que atingidos, foram superados! Havia uma previsão de crescimento para Portugal mas conseguimos superar as estimativas em quase todas as áreas de negócio. Foi um ano bastante positivo para a Jungheinrich Portugal e reconhecido como tal.

A crise que falou há pouco afectou de forma bastante forte o mercado português. Sente que o nosso mercado já está outra vez dinâmico e devidamente recuperado dos efeitos da crise?

No ano passado sentimos uma grande evolução, com esse crescimento muito importante que já referi. Mas do ano 2014 para 2015, o crescimento foi mais ténue, entre 3 a 5%, num mercado pequeno e com pouca dinâmica. O crescimento de 2016 foi quase nulo. Acho que o mercado começou a recuperar nesses anos e em 2017 conseguimos este grande crescimento de 30%.

Há alguma razão que justifique esse crescimento depois de um período de estagnação?

Há vários factores. Por um lado há o factor que já falámos da economia em si. Portugal saiu um pouco do modo crise, algo que podemos ver já nas taxas de desemprego e na evolução da economia. Por outro lado, a confiança dos consumidores aumentou, o que levou a mais investimentos por parte das empresas para que possam satisfazer essa confiança. Isso traz procura de empilhadores porque as mercadorias têm de ser movimentadas de alguma forma.

Espera que em 2018 essa dinâmica positiva se mantenha?

Eu acredito que a dinâmica positiva se mantenha este ano e acredito que poderemos voltar a crescer. Mas a verdade é que 2017 foi um ano histórico no volume alcançado pelo mercado em Portugal. Cresceu 30% e será difícil voltar a crescer a esse ritmo. Mas acredito que possa crescer na ordem dos 5%. Foram introduzidas 4070 máquinas em Portugal no ano 2017 e esperamos que possam ser introduzidas entre 4100 e 4200 em 2018, o que já seria muito bom.

Jungheinrich easyPILOT Follow, easy PILOT Follow, ECE

Ao nível da procura de equipamentos, há algumas particularidades que identifica no mercado português?

No passado, existia em Portugal uma grande procura por máquinas térmicas, ou seja máquinas a diesel e a gás, quando comparado com mercados da Europa Central, caso da Alemanha. Porém, o mercado português tem acompanhado a dinâmica do mercado mundial e há uma tendência cada vez maior de aposta nas máquinas eléctricas. Mesmo indústrias que eram típicas para as máquinas diesel olham agora muito mais para as máquinas eléctricas. Isso deve-se, sobretudo, à evolução da tecnologia, onde devo destacar também a evolução das baterias de iões de lítio, na qual a Jungheinrich é líder e pioneira.

O mercado português tem registado muita procura pela tecnologia de baterias de iões de lítio?

Sim, tivemos um rácio muito bom de vendas de máquinas equipadas com essa tecnologia. E as vendas foram em todo o tipo de cliente, clientes de várias indústrias, empresas com grandes frotas e empresas com pequenas frotas.

E a nível mundial, como tem sido a evolução da procura das baterias de iões de lítio?

A nível mundial, quase que quadruplicámos as máquinas vendidas com estas baterias durante 2017. Somos líderes de mercado.

A Jungheinrich Portugal apostou recentemente em novas instalações no Norte do país. Que razões justificaram esse investimento?

jungheinrich EKM 202Por um lado, foi a exigência do próprio mercado. Temos tido grande procura de máquinas usadas e de aluguer a Norte do país e era importante estar lá fisicamente com um espaço destes. Por outro lado, tínhamos requisitos e exigências internas relacionadas com o grande crescimento que estamos a registar, quer a nível de facturação quer a nível de volume. Criámos novos postos de trabalho nos últimos tempos e também tivemos de nos adaptar e adaptar as nossas instalações. Esse trabalho começou nas nossas instalações em Mem Martins, há dois anos e meio. E agora também o fizemos na Maia.



Por outro lado, queremos também oferecer aos nossos colaboradores as condições adequadas ao seu trabalho. Isso não se faz só com um escritório bonito, precisamos também de um espaço para outras acções, nomeadamente para realizar formações a Norte. E falo não só das formações à equipa Jungheinrich mas também aos nossos clientes.

O nosso volume está a crescer e precisávamos de mais espaço no Norte, onde podemos agora ter mais máquinas disponíveis e encurtar os prazos de entrega. Para além de ter os recursos para melhor preparar a nossa frota de aluguer e não estar tão dependente da nossa sede em Mem Martins. Por fim, também a localização deste novo espaço a Norte é agora melhor do que o anterior espaço que tínhamos nessa região.

Agora, temos a Norte tudo aquilo que temos em Mem Martins, à excepção das centrais de recursos humanos ou contabilidade. Tudo o que é departamento comercial, técnico, assistência, temos a Norte também. E há o departamento de segurança e qualidade que só temos no Norte. Ao invés, a coordenação dos técnicos está centralizada em Lisboa.

O que é que identifica na oferta da Jungheinrich face aos seus concorrentes?

São vários factores. Mas começo por destacar a própria empresa, o nome Jungheinrich. É uma marca forte em Portugal e no mundo, com a mesma estratégia forte de venda directa. Com isso, proporcionamos aos nossos clientes uma experiência premium e homogénea, para além de uma assistência técnica e comercial diferenciadas. Tudo com o selo de excelência “Jungheinrich”. E isso é muito importante, sobretudo quando falamos de grandes clientes grandes, grandes multinacionais que esperam o mesmo nível de atenção em França, no Chile ou em Portugal.

Temos um departamento central que coordena toda a comunicação, de forma a que se faça a mesma proposta em todos os locais. Mas também temos o foco nas empresas mais pequenas, sabemos dizer o que mais importa para uma empresa local. O que todos sabem é que a confiança que a Jungheinrich transmite é a mesma em todos os países.

Por outro lado, destaco também os produtos e a formação. Para todas as empresas, a formação dos técnicos é feita directamente pela Jungheinrich. Os nossos centros de formação são certificados, e assim marcamos um standard. Não vendemos apenas produtos, também prestamos todos os serviços associados.

Outra coisa que faz a diferença na nossa oferta é a nossa visão 360 graus do cliente. Não vendemos apenas o serviço técnico, apenas as máquinas ou apenas soluções de armazenagem. Nós englobamos tudo na nossa oferta, do início ao fim, incluindo a consultadoria. Temos, por exemplo, cada vez mais consultadoria de soluções energéticas, para poder dizer ao cliente qual é a melhor fonte de energia para os seus equipamentos.

showroom JungheinrichEm Portugal também há outra novidade recente: a loja online. Como tem corrido esta experiência nestes poucos meses de actividade?

Tem corrido bem. Aliás, já ampliámos a gama para quase 2.000 artigos, depois de termos começado com um portefólio mais reduzido. E começámos com esse número de produtos mais reduzido numa primeira fase para conseguir garantir aos nossos clientes que para esses artigos teriam o serviço que realmente esperam de uma loja online e da Jungheinrich. O que posso dizer é que o conseguimos fazer, garantindo prazos de entrega e de gestão interna. Agora que ampliámos a gama podemos dizer que começámos verdadeiramente.

A Jungheinrich assinala este ano o seu 20.º aniversário em Portugal. Que balanço faz a empresa da actividade no nosso país?

Nos três anos que estou em Portugal, posso dizer que tem a actividade tem corrido bastante bem. Mas também conheço bem a evolução desses 20 anos e sei que, no geral, tem corrido bem. Começámos com três pessoas, em Janeiro de 1998. Agora somos quase 90 pessoas e queremos mais, muitas mais pessoas. A nível da própria organização, é uma evidência que correu bem. E tenho que dizer que um dos pontos que nos deixa orgulhosos foi o facto de, durante a crise, não despedimos nenhum colaborador. Isto apesar da redução muito forte nas encomendas e no volume de negócio.

Por outro lado, faço também um balanço muito positivo das parcerias com os nossos clientes, muito estreitas ao longo de muitos destes 20 anos. E essa também é uma garantia de que podemos continuar a crescer. E queremos fazê-lo não só ao nível de volume de máquinas vendidas, colaboradores, facturação, mas também a nível de infra-estruturas.

Em suma, o balanço é muito positivo. Fomos pioneiros nalguns pontos, caso da loja online onde Portugal foi dos primeiros países em que foi introduzida dentro do grupo Jungheinrich.

Na apresentação em Hamburgo, a Jungheinrich destacou quatro grandes pontos para o futuro dos seus produtos: a aposta nas baterias de iões de lítio; a automação; a digitalização e conectividade; e a segurança. Vou começar por lhe perguntar em que consiste essa aposta nas baterias de iões de lítio?

Nesse campo, temos de fazer uma distinção clara entre a comum bateria de iões de lítio e a bateria de iões de lítio da Jungheinrich. De uma forma geral, a vantagem da tecnologia de iões de lítio está relacionada com a produtividade que a mesma traz para a máquina. Com estas, poderemos utilizar a máquina durante quase 24h, sem manutenção e sem trocar baterias. Garante ainda as zero emissões, o que permite que sejam utilizadas em ambientes onde máquinas com baterias tradicionais e com combustíveis fósseis não podem operar.

Mas a tecnologia de iões de lítio da Jungheinrich é distinta. Somos nós que fabricamos as nossas baterias, mas também o carregador e ainda o sistema de gestão da bateria. A bateria está conectada e saberá exactamente qual a temperatura da máquina ou quando será necessário utilizar mais energia. Isso permite optimizar a tecnologia.

Contudo, diria que nesta área ainda veremos muita evolução, seja ao nível de tecnologia, seja no próprio preço destas baterias. O preço ainda está muito dependente da falta de escala. Quando esta aumentar, como se espera para os próximos tempos, serão muito mais baratas. Mas a evolução das baterias será também visível ao nível da ergonomia ou da maior capacidade de carga dos equipamentos.

E em relação à automação, de que forma tem a Jungheinrich trabalhado nesta área?

A automação é claramente uma tendência de futuro, em conjunto com a digitalização e a conectividade. No passado, quando se falava de automação olhava-se sobretudo para os cálculos do retorno do investimento com a automatização. Hoje, pensamos num futuro onde poderemos não ter pessoas para trabalhar com as máquinas. Teremos menos espaço nos armazéns e uma solução automatizada permitirá reduzir esses espaços ao mesmo tempo que não precisaremos dos recursos laborais para mover durante 24 horas estas máquinas. Acaba por ser uma tendência para fazer frente à situação laboral que temos, onde faltam cada vez mais operadores, e também que aumentará o nível de segurança.

Já começou por falar de um terceiro ponto, a segurança…

A Jungheinrich assume a sua responsabilidade, tanto perante os seus clientes como perante os seus colaboradores. E damos muita importância a essa responsabilidade. Isso acaba por fazer com que consigamos uma maior confiança dos nossos clientes e parceiros. Acredito que o nível de segurança muito elevado dos produtos Jungheinrich é também um dos nossos trunfos. Não interessa apenas quanto vendemos ou o nível de assistência, temos de garantir que o cliente pode utilizar os equipamentos com total tranquilidade.

Por fim, sobre digitalização e conectivdade, o que destaca no trabalho da Jungheinrich? Power by The Hour, e que o Mark me tinha explicado que vai evoluir até para um conceito de truck sharing, isto esta tudo relacionado a parte da conectividade e digitalização. É por ai que a Jungheinrich espera evoluir, na partilha de equipamentos entre empresas?

A Jungheinrich já tem a sua própria fábrica de digitalização, uma empresa dentro do grupo Jungheinrich que tem colaboradores que estão apenas dedicados a este tipo de soluções. Como resultado disso temos, por exemplo, a APP que pode ser usada já em Portugal. Uma aplicação com a qual o cliente pode, através do seu smartphone, solicitar assistência técnica para o seu empilhador.

Mas esse departamento é responsável por coisas simples como essa APP mas também de soluções mais complexas como o “Power buy the Hour” ou o “Truck Sharing”, ambos falados em Hamburgo. Estas duas soluções são fantásticas, acredito que poderão ter sucesso também em Portugal porque temos pontos onde estão várias empresas com muitas máquinas, casos dos Mercados Abastecedores, das Feiras, dos Business Parks… Uma zona como Palmela, onde temos a AutoEuropa, empresas de manutenção, etc., pode aproveitar este serviço para optimizar as suas operações. As empresas podem pagar apenas pelo tempo que realmente utilizam as máquinas.

Na prática, como é que a Jungheinrich disponibilizará essa solução no mercado?

A Jungheinrich terá de alugar os espaços, dependendo das características. Depois, terá de decidir que tipo de máquinas pode e deve colocar à disposição. O cliente chegará e com o seu cartão recolhe a máquina para operar, entregando-a quando terminar o que tem para fazer. E será facturado apenas o tempo em que a máquina foi utilizada por esse operador que está registado.

Já há uma previsão para a chegada dessa solução a Portugal?

Ainda não. Para já, implementámos em Inglaterra e de seguida será implementado na Polónia. Depois do Verão, veremos como correram estas experiências e decidiremos em que países vamos implementar a seguir.

ESTE ARTIGO É PARTE INTEGRANTE DA EDIÇÃO NÚMERO 271 DA REVISTA CARGO.



Author

Back to Top

© 2018 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com