McKinsey analisa efeitos transformadores da digitalização no sector da carga aérea

Aéreo Comentários fechados em McKinsey analisa efeitos transformadores da digitalização no sector da carga aérea 477
Tempo de Leitura: 7 minutos

O consultor independente Manuel Bäuml e o membro da firma de consultadoria McKinsey (na cidade de Munique) Ludwig Hausmann abordaram, num recente artigo, os desafios da digitalização no sector da carga aérea e os novos contextos que o progresso de teor disruptivo poderá criar no meio logístico, onde os transitários aéreos competem pela arquitectura do tráfego das cargas dos expedidores.



Receitas podem tornar-se «planas» apesar dos maiores volumes transportados

iata«O ano passado foi extremamente bom para o frete aéreo. Isso é em parte o resultado da disciplina de capacidade e consolidação no transporte de contentores. Mas o sector pode atribuir a maior parte da sua actual prosperidade ao reabastecimento de inventários de negócios após um período de crescimento e consumo económico global inesperadamente forte», começam por explicar os autores.

A leitura analítica de Bäuml e Hausmann sugere que «os volumes do frete aéreo continuarão a aumentar, em média, cerca de 3% ao ano, pelo menos até 2025 e muito provavelmente até 2030. E os transitários aéreos – as empresas que ajudam os expedidores a lidar com as complexidades e aborrecimentos da movimentação dos seus bens por via aérea – participarão plenamente» nesse crescimento. Ainda assim, alertam, «nem tudo está bem para os transitários aéreos e as companhias aéreas de carga».

«O crescimento mais rápido das capacidades e a modernização das frotas sujeitará a carga geral a pressões de preços de até 3% ao ano, ou seja, as receitas podem ser quase planas, apesar dos maiores volumes transportados», explicam, rotulando esse cenário de prejudicial. Em adição a isto, a digitalização – tida como um trunfo de automatização, pode também ser um factor altamente disruptivo no contexto do transporte aéreo.

No epicentro do vórtice: as três forças de pressões que ‘forçam’ a digitalização

Entrando no fenómeno da digitalização no sector da carga aérea, explicam os autores que os agentes de carga aérea tradicionais encontram-se actualmente no epicentro de um vórtice cujas forças de pressão – que forçam os agentes rumo à digitalização – provêm de três origens diferentes: dos transitários digitais, que oferecem soluções para um ou dois elementos da cadeia de valor, dos transitários digitais que oferecem uma gama de serviços de transporte quase tão ampla como a dos tradicionais (a relativo baixo custo) e das operadoras que criam e melhoram seus canais digitais para atender clientes, especialmente os de menores dimensões.

«Plausível cenário para 2030»

Gizada, no entender de Bäuml e de Hausmann, a actual configuração do sector e as pressões que progressivamente o modelam, os dois autores perspectivam um «plausível cenário para 2030», no qual «os transitários aéreos automatizarão suas operações significativamente, digitalizando grande parte de seu modelo comercial»; colaborarão «extensivamente com parceiros de cadeia de valor adjacentes – por exemplo, provedores de serviços intermodais», acrescentam.

Prosseguindo o exercício de antevisão, sugerem os especialistas que «o papel dos intermediários contrair-se-á e a consolidação ameaçará muitos pequenos transitários que se esforçam para digitalizar». Para ambos, «os transitários digitais «mais abrangentes actuarão como catalisadores para as novas tecnologias, mas, cada vez mais, as empresas de sucesso serão especialistas, oferecendo soluções avançadas baseadas em dados estratégicos». A leitura do futuro é clara: «Quanto melhor aproveitarem essas tecnologias para reduzir seus custos internos e melhorar a experiência do cliente, melhores serão suas chances de manter ou ampliar sua participação nos lucros».

Digitalização: as ameaças para as soluções de valor dos transitários tradicionais

De acordo com Bäuml e Hausmann, os transitários tradicionais deparar-se-ão com novas ameaças inerentes ao imparável marchar das novas tecnologias que colocarão em causa seis das suas fontes de valor. Em primeiro lugar, os serviços de valor agregado, tido como «o maior gerador de lucros» (exemplos do desembaraço alfandegário, armazenagem e embalagem, que se estendem além do alcance do transporte puro). Embora novos especialistas verticais – como a Fleetmatics – tenham atacado esses serviços,  apenas alguns podem ser digitalizados, lembra os autores. «A maioria dos serviços de valor agregado exigirá interacções físicas, pelo menos para os próximos dez a 15 anos».

trimestre avião cargaEm segundo lugar, agrupamento de volumes permite que os transitários surjam como um único cliente de grandes proporções em vez de muitos outros fraccionados, criando assim um poder de compra mais forte através de economias de escala. Isso reduz os preços e, em alguns casos, melhora a qualidade do serviço. Mas, apontam os autores, «as plataformas digitais também podem agrupar volumes», não hesitando em «capturar essa vantagem» no futuro próximo, «reduzindo os preços para produtos simples, como embarques directos de porta-a-porta». A procura por dados de alta qualidade também ajudará as plataformas digitais – como a Cargomatic – a agrupar volumes para alguns produtos complexos, explicam os especialistas.

Em terceiro lugar, transitários tradicionais oferecem aos clientes informações sobre tarifas, capacidades disponíveis e opções de rotas. No entanto, alertam Bäuml e Hausmann, ao associarem-se a operadoras, as plataformas digitais – como a Freightos ou Xeneta – também são já capazes de fornecem esse tipo de informação, de forma até mais célere e com menores custos, «já que há menos trabalho humano envolvido», explicam. Em quarto lugar, os autores identificam a visibilidade e as informações sobre o status das remessas: «com o tempo, as especialistas em digitalização vertical melhorarão suas ofertas de rastreio, capturando e processando melhores dados em tempo real sobre embarques e analisando essas informações com mais precisão».

A quinta ameaça é explica com recurso ao exemplo da Avantida – «a consolidação física aumenta a utilização dos activos e, portanto, reduz as taxas. A digitalização pode fazer melhor? Em parte. A disponibilidade de dados de alta qualidade melhora a correspondência da procura e da capacidade, considerando as restrições de peso e volume. No entanto, a consolidação física requer capacidades físicas. Várias especialistas verticais evoluíram para ajudar as operadoras a optimizar o reposicionamento dos seus equipamentos vazios. A Avantida, por exemplo, fornece uma plataforma online para fluxos de equipamentos internos para verificar se os recipientes vazios podem ser reutilizados para clientes de exportação».

Em último lugar, os autores identificam a tarefa da redução da complexidade de processos para os clientes como a «proeminente» fonte de valor dos transitários. Ora, apontam, a «digitalização pode, em parte, eliminar essa complexidade: por exemplo, os mecanismos de reserva, como o CargoBase, que combinam algumas etapas individuais (como o transporte aéreo de aeroporto para aeroporto e o transporte rodoviário hinterland) para um produto end-to-end para os clientes».

«A digitalização tem os seus limites…por agora»

As cadeias de transporte de frete aéreo continuarão a ser complexas» admitem os autores, denotando que «os expedidores querem parceiros confiáveis, experientes e confiáveis ​​para gerir os problemas, e os ‘disruptores’ ainda não têm essa credibilidade». Contudo, avisam, «a dinâmica competitiva pode mudar de uma maneira que favorece os contendores digitais».

Porquê» Principalmente porque estes «podem atrair mais negócios e assim contrariar a vantagem de tamanho das empresas tradicionais investindo em activos físicos» explicam, ilustrando com o exemplo da Flexport, que «investiu em cross-docks para fornecer melhores serviços de ponta a ponta, incluindo serviços internos». As tecnologias digitais permitirão que os ‘disruptores’ continuem reduzindo seus custos para atender e aprimorar a experiência do cliente, especialmente para carregadores de menores dimensões.

Transitários digitais não são a única ameaça aos tradicionais

Não é apenas a vaga digital que poderá arrastar os transitários tradicionais mas também a acção de gigantes retalhistas como a Alibaba ou a Amazon, que «podem agrupar grandes volumes, tanto para seus negócios cativos como para os negócios que gerem para outros comerciantes». Também as companhias aéreas podem abalar os alicerces tradicionais, pois «exploram a digitalização para abordar os carregadores e evitar o uso de encaminhadores como intermediários para partes do negócio», pode ler-se no artigo



Back to Top

© 2020 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
pt Português
X
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com