Ministra do Mar diz que negociações em Setúbal falharam porque se insistiu em discutir outros portos

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Os três dias agendados de negociações entre os operadores do Porto de Setúbal e o sindicato SEAL, mediados pela Ministra do Mar, terminaram esta sexta-feira sem fumo branco. No final do terceiro dia de reuniões, Ana Paula Vitorino lamentou que a situação dos eventuais do Porto de Setúbal não tenha ficado hoje resolvida «porque os seus representantes em vez de discutirem a situação dos seus trabalhadores de Setúbal preferiram discutir a situação nos portos de Leixões e Sines».

Em comunicado, a Ministra do Mar recorda que «a precariedade no porto de Setúbal podia ter acabado hoje», até porque «essa era a vontade explícita deste governo e de todas as partes sentadas à mesa das negociações». Ana Paula Vitorino recordou que ao longo dos três dias de reuniões «as partes concordaram em alterar o regime laboral no porto de Setúbal acabando com a precariedade» e que «todas as partes concordaram em fixar quadros permanentes e aceitaram as principais condições contratuais». «Conseguimos mesmo garantir que os operadores, publicamente, revissem as suas condições aumentando as vagas inicialmente oferecidas», acrescentou.

Acordo não fica fechado porque situações de outros portos foram colocadas em cima da mesa

«Perante isto, e objectivamente, não havia razão nenhuma para que os trabalhadores não tivessem a sua situação regularizada já hoje e pudessem passar um natal mais descansado. Mas isso não foi possível. E não foi possível porque os seus representantes em vez de discutirem a situação dos seus trabalhadores de Setúbal preferiram discutir a situação nos portos de Leixões e Sines. Em vez de resolverem o conflito de Setúbal insistem em criar conflitos em portos onde não existem conflitos e onde não têm uma representação significativa», lamentou a Ministra do Mar no comunicado.

Ana Paula Vitorino fez questão de deixar claro que «o Governo não pode, nem vai tomar parte numa guerra entre sindicatos», lamentando que «os trabalhadores de Setúbal estejam a ser utilizados pelos seus representantes como moeda de troca para uma luta de poder sindical».

A terminar, a Ministra do Mar deixou ainda duas notas: «A primeira, uma palavra de conforto, evidentemente dirigida aos trabalhadores do porto de Setúbal e às suas famílias que neste momento se preparam para um natal de incerteza e de dificuldades; A segunda é um apelo aos agentes económicos do Porto de Setúbal, nomeadamente os seus clientes e as empresas exportadoras. Sabemos que o porto atravessa uma crise gravíssima, mas peço-lhes que mantenham a sua aposta em Setúbal e na região até que o bom senso prevaleça. O governo tudo fará para mitigar e minimizar os danos que esta situação está a provocar».

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