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Ministra do Mar estima que JUL traga 50 milhões de euros de «benefícios directos» no primeiro triénio

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Decorreu esta sexta-feira, no auditório da Administração do Porto de Sines e dos Portos do Algarve (APS), a cerimónia de lançamento da Janela Única Logística (JUL), presidida pela Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.



O evento contou com uma grande representatividade do Governo, demonstrando também a abrangência do projecto da JUL. Para além da Ministra do Mar – devidamente acompanhada pelo Director Geral da DGRM, José Simão, que lidera o projecto JUL -, estiveram também presentes o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e o Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, aos quais se juntaram o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Mendonça Mendes, o Secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, e Guilherme d’Oliveira Martins, Secretário de Estado das Infraestruturas.

Ministra estima «benefícios directos» de 50 milhões nos primeiros três anos

Na sua intervenção, Ana Paula Vitorino referiu que foram já feitos estudos relativamente aos benefícios da Janela Única Logística para o sector, adiantando que se estimam «50 milhões de euros de benefícios directos» durante o primeiro triénio de operação da JUL. Porém, recorda que o mesmo estudo foi feito «há 12 anos» relativamente à JUP, onde se estimavam «benefícios directos de 14 milhões no primeiro triénio» mas que os números acabaram por ir «muito mais além». «Espero daqui a uns anos estar aqui alguém a dizer que também ultrapassámos os 50 milhões de benefícios directos no primeiro triénio e que o benefício foi muito maior nos anos seguintes», salientou a Ministra.

Mas os benefícios não se ficam por aqui. «Menos tempos de espera, menos tempos de burocracia, menos papelada, ou seja, é o exemplo puro daquilo que é diminuição de custo por aumento da eficiência», enumerou também Ana Paula Vitorino.

Ainda a este respeito, a Ministra salientou ainda que não são muitos os projectos em que se tem um investimento de 5,1 milhões e se estimam benefícios directos de 50 milhões apenas nos primeiros três anos de operação. Por outro lado, recorda que no investimento de 5,1 milhões de euros, 85% é financiado «a fundo perdido pelo Compete 2020, portanto o Estado paga menos de um milhão de euros».

Ana Paula Vitorino recordou longo caminho de digitalização de processos

Ana Paula Vitorino não deixou de recordar o longo caminho de digitalização e agilização da comunicação que se veio assistindo no sector, em particular o trabalho feito no desenvolvimento da Janela Única Portuária (JUP) – ferramenta para o âmbito portuário que acaba por anteceder a JUL, a qual abrange já também o hinterland ferroviário e rodoviário.

A Ministra recorda que o processo começou há vários anos, contando com o trabalho proactivo e de colaboração entre Portos, Capitanias, Autoridade Tributária, Autoridade Sanitária ou Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF), um «núcleo essencial que fez um trabalho notável, com pessoas notáveis». A esse núcleo juntam-se agora ainda mais entidades, públicas e privadas, no alargamento dos processos de digitalização ao hinterland.

«É com muito orgulho que estou sentada nesta mesa com áreas governativas tão distintas, as que vêm de trás, da JUP, e as que são novas», concluiu a Ministra a este propósito.

leixões portos oeJUL dá passo decisivo no sentido dos Portos 4.0

Lembrando que Portugal esteve na vanguarda europeia e mundial com a introdução e o sucesso da JUP, Ana Paula Vitorino salientou os trabalhos desenvolvidos agora no âmbito da JUL, mas também com a Factura Única Portuária (FUP), vincando que «estas duas iniciativas fazem com que os portos portugueses entrem no melhor que há da economia digital». «Os Portos 4.0 são os portos digitais que agora estamos a fazer», acrescentou.

Indra lidera grupo de empresas que ganhou concurso para implementação da JUL

Depois de ter implementado, com grande sucesso, a Janela Única Portuária (JUP) nos portos nacionais, a Indra lidera agora o grupo de seis empresas que tem a tarefa de desenvolver e implementar a Janela Única Logística (JUL). À empresa liderada por Hélder Alves juntam-se a MITMYNID (mais em voga nos últimos tempos pelo lançamento da plataforma BIZCARGO), a MARLO (conhecida pelo desenvolvimento de projectos como o Mix Move Match), a EGAPI, a Experience e a Sociedade de Advogados Andrade Dias & Associados.

Várias entidades já confirmaram adesão à Janela Única Logística

A sessão de hoje contou ainda com um momento formal em que várias entidades assinaram, com o Director Geral da DGRM, o documento que formaliza a sua adesão à JUL, entre operadores privados, associações e até entidades de ensino, a saber: Medway, Takargo, Infraestruturas de Portugal, ALB – Área Logística da Bobadela, TVT – Terminal Vale do Tejo, SPC – Serviço Português de Contentores, Aicep Global Parques, Plataforma Logística do Sudoeste Europeu (PLSWE), Zaldesa, Luís Simões, Transportes Três Mosqueteiros, AGEPOR, APAT, APOL, ANTRAM, Ordem dos Despachantes Oficiais, Instituto Politécnico de Setúbal e ENIDH – Escola Superior Náutica Infante D. Henrique.

A Ministra do Mar não deixou de «louvar as entidades privadas que se juntam a nós, na convicção de que estamos a fazer o melhor pelo país, pela nossa indústria, pela nossa logística, e que estamos a baixar os custos e a aumentar a eficiência da nossa logística». Mais tarde, em conversa com os jornalistas, Ana Paula Vitorino mostrou-se esperançosa de que «muitas mais entidades» se juntem à JUL, «à medida que vejam consolidar o projecto».

Prazo de dois anos para implementação da JUL

A JUL transpõe para o hinterland a digitalização inserida há alguns anos nos processos portuários nacionais, com enorme sucesso, através da JUP. Depois da selecção da entidade vencedora do concurso, segue-se o trabalho com vista à definição e criação de uma nova versão do Modelo de Referência Nacional (MRN) e respectivo modelo de interoperabilidade com sistemas externos, para uma nova geração de software.

O prazo para a implementação da JUL nos principais portos nacionais é de dois anos, devendo mais tarde ser introduzida também nos portos da Madeira e dos Açores e nos restantes portos nacionais de menor dimensão.

Contudo, o primeiro piloto da JUL deverá estar operacional até ao final de 2018. A este respeito, a Ministra deixou uma mensagem clara: «Os prazos são para cumprir. Isto é para estar em funcionamento para o ano e o piloto ainda este ano. Não há razão nenhuma para isto não acontecer». Na conversa posterior com os jornalistas, Ana Paula Vitorino admitiu esperar ver o piloto a funcionar até final do ano no Porto de Sines mas também no Porto de Leixões.

Avanços para o conceito legal de Porto Seco

Para um sucesso mais pleno da Janela Única Logística como ferramenta de digitalização e agilização dos processos de movimentação de carga nos portos nacionais e entre os portos nacionais e o seu hinterland, muita importância terá o desenvolvimento do conceito legal de Porto Seco.

A cerimónia desta sexta feira serviu também para a formalização da criação de um Grupo de Trabalho, com representantes dos vários ministérios implicados nesta matéria, para acelerar este processo de forma a que as plataformas logísticas no hinterland funcionem como extensões dos próprios portos – com condições, por exemplo, para um desalfandegamento das cargas já fora dos portos.

«Vamos ter zonas no território, nomeadamente plataformas logísticas, onde existirão as mesmas condições de funcionamento, nestas perspectivas todas, financeira, de saúde, de defesa, de controlo de fronteiras, que existem nos portos», admite Ana Paula Vitorino, acrescentando que desta forma «os portos terão continuidade nas plataformas logísticas, sem que exista necessariamente continuidade territorial».

O Grupo de Trabalho agora composto terá, segundo a Ministra, que apresentar as primeiras conclusões já daqui a dois meses. O seu trabalho passará, conclui, por «definir todo o quadro legal e também se existe ou não uma rede preferencial de implementação».

 



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