Natal em risco? Crise do Shipping contentorizado poderá ser o Grinch desta quadra natalícia

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Estará o Natal em perigo, devido à crise que o Shipping vive e que teima em não se solucionar? O tema começa a ser alvo de sérias preocupações – no epicentro do problema está a insuficiência operacional dos portos chineses (que operam abaixo das suas reais possibilidades devido às restrições pandémicas) e os congestionamentos portuários que, na China como nos EUA, ameaçam a agilidade logística global.

Natal em risco? Portos de China e EUA em congestionamento persistente

Porto de Ningbo-ZhoushanBasta olhar para o caso recente do Porto de Ningbo-Zhoushan para se ter uma ideia dos vários grãos na engrenagem dos quais os portos chineses ainda não se conseguiram livrar: a epidemia de COVID-19 continua a sobressaltar as operações portuárias e fechar terminais de contentores com relativa facilidade: recentemente, um dos terminais de Ningbo-Zhoushan foi encerrado, por duas semanas, devido a um único caso de COVID-19.

Mas esse não, infelizmente, é caso singular: actualmente, oito dos maiores terminais de contentores da China (pelos quais passa uma gigantesca parte dos contentores do comércio global) encontram-se a operar com capacidades reduzidas, devido às limitações impostas pelo combate ao coronavírus. Sem vazão para tanta carga (na ressaca dos confinamentos), os portos chineses vêm-se congestionando em efeito-dominó; na costa Oeste dos EUA, também os efeitos se fazem sentir.

Todos estes problemas logísticos e funcionais, aliados à persistente escassez de contentores, fizeram disparar os custos de reserva e transporte de um contentor – os índices em certas rotas marítimas atingiram máximos sem precedentes: mover um contentor na ligação China-Europa pode custar até 14 mil dólares, assim tornando a exportação e importação de produtos numa tarefa espinhosa e dispendiosa para as empresas. Se todo este contexto se mantiver durante mais algumas semanas, todo o Natal poderá estar em perigo.

Nearshoring e a antecâmara de uma mudança de paradigma global?

A crise do transporte marítimo de contentores vem persistindo (o bloqueio momentâneo do Canal do Suez, no fim de Março, em nada ajudou) e pode facilmente continuar a alimentar o cenário do aumento da inflação, com os importadores a repassarem os custos para os clientes finais. Mas se o valor altíssimo do frete persistir, poderá desencadear acesas discussões sobre o papel da potência China enquanto centro de manufactura do mundo.

Recorde-se que, com as relações entre a China e o Ocidente cada vez mais deterioradas e o fenómeno – cada vez mais esvaziado – da globalização a dar lugar à regionalização, o nearshoring – a fabricação de bens de consumo mais perto das áreas de escoamento – poderá, de facto, ganhar um forte impulso. Certo é que os atrasos e congestionamentos em rotas vitais colocam em xeque a normal oferta de bens de consumo para o Natal.

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