Comodalidade

Estudo: Novo Paradigma do “Governance” da Comodalidade em Portugal

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Abordagem de um modelo de Governance

As tecnologias de informação permitem a implementação da comodalidade e o fornecimento dos serviços necessários para tornar realidade a logística inteligente. À tendência para surgirem empresas de logística integradora devem corresponder políticas públicas que permitam a utilização e combinação otimizadas dos diferentes modos de transporte.



Tal poderá incluir ações destinadas a eliminar entraves regulamentares à comodalidade, e satisfazer as necessidades de uma logística inteligente.

As tecnologias da informação proporcionam transbordos mais simples e mais fiáveis, libertando capacidades instaladas, através da gestão da carga com recurso a novas aplicações, cada vez mais ambiciosas, com recurso a investimento em I&D.

Ao procurar otimizar a utilização da capacidade de transporte existente, o interesse do sector em reduzir os custos é consentâneo com o interesse público de garantia da sustentabilidade financeira e ambiental e, simultaneamente, diminuir o impacto ambiental por unidade de carga transportada.

O novo paradigma será de processos colaborativos de gestão de cadeia de abastecimento e redes logísticas partilhadas.

Também existem aspectos, entre outros, que se pretende sublinhar como:

a) Padrões na Logística e Mobilidade

As diferenças entre Logística e Mobilidade escondem frequentemente padrões que são comuns, o que acontece devido aos diferentes graus de incorporação de expectativas que, afinal, são comuns.

A informação e a flexibilidade são ativos bem concebidos na mobilidade, com inúmeros exemplos no nosso dia-a-dia, mas são igualmente aplicáveis na logística. O Comércio necessita de visibilidade sobre a execução dos serviços logísticos, para que possa atender com decisões corretivas quando da existência de eventos inesperados.

b) Eixos essenciais na política de comodalidade

Uma política para a comodalidade necessita de atender a dois eixos essenciais:

  • Ter um foco nas expectativas dos clientes de serviços logísticos, especialmente no apoio ao esforço de dinamização do comércio externo;
  • Fomentar a colaboração entre os prestadores de serviços logísticos, especialmente através da promoção de padrões de interoperabilidade.

A regulação terá de se ajustar, quer para a proteção anti monopólio natural, quer para a proteção do consumidor e dos seus direitos, especialmente em bens e serviços essenciais.

Numa lógica Nacional que acompanhe esta tendência, torna-se necessário responder ao quadro de regulação de forma proactiva. Uma lógica em que entidades da administração do Estado, empresas do setor estatal, Academia e outras entidades independentes (com responsabilidade pública) e privados possam estipular e validar diretrizes formais que definam políticas e procedimentos operacionais conjuntos para gerir a rotina e eventos inesperados. Devem estabelecer-se papéis de liderança e dividir responsabilidades, delineando a forma de como serão partilhados o planeamento e as informações operacionais, criando vínculos financeiros que tornem as empresas dependentes do seu desempenho mútuo. Além disso, essas políticas, também devem motivar as partilhas de riscos e de benefícios, devendo ser distribuídos entre parceiros.

O desenvolvimento nacional do novo modelo que assegure a  comodalidade e o sincronismo das redes colaborativas dos diversos intervenientes, no transporte de mercadorias, necessita de clarificação sobre a estrutura de liderança e de supervisão que poderá responder a uma regulação global, embora se deseje mínima, assegurando a conectividade também ela global.

Esta estrutura poderia envolver entidades na base de adesão voluntária com estatutos simples, e fins públicos capaz de captar financiamento, por exemplo uma associação privada sem fins lucrativos, aberta à participação das instituições públicas e privadas, e outras entidades que comunguem dos seus objetivos, congregando as competencias e esforços na área da inovação e da economia digital.


Vem ainda a propósito sublinhar que o impacto das novas tecnologias e inteligência artificial, já visionado por alguns para o setor portuário, no horizonte 2060, a par das exigências de sustentabilidade ambiental, irão reclamar de todos nós uma enorme ambição, conhecimento e esforço criativo para o desenvolvimento de um futuro com uma nova cultura de integração destas áreas inovadoras e competitivas.

Portugal tem vindo a participar (e em alguns casos a liderar) projetos comunitários aceleradores deste tipo de reflexões:

Projeto MIELE (2010-EU-21105-S)

Multimodal Interoperability e-Services for Logistics and Environmental sustainability

(2010-2013)

Objetivou desenvolver um piloto da arquitetura de antecipação à Diretiva 65/2010/EU.

Na vertente B2B formalizou o conceito de LSW (Logistics Single Window), como rede de plataformas de negócio que interoperam entre si, e construiu um demonstrador deste conceito.

Projeto AnNa (2012-EU-21019-S)

Advanced National Networks for Administrations

(2012-2015)

Portugal participou e contribuiu para a avaliação do Plano Diretor no âmbito da Diretiva 65/2010/UE (Diretiva FAL), conjuntamente com mais treze Estados Membros, tendo em conta o elevado grau de alinhamento com a realidade nacional no Domínio da Administração.

Numa primeira tarefa de organização daquele domínio e interoperabilidade A2A, resultou uma harmonização dos atos declarativos B2A e uma compreensão das expectativas no Domínio dos Negócios B2B, quer do ponto de vista dos clientes, quer dos prestadores de serviços logísticos.

Projeto WiderMoS (2012-EU-21021-S(25972002))

Wide Interoperability and new governance moDels for freight Exchange linking Regions through Multimodal maritime based cOrridorS)

(2012-2015)

Na sequência da formalização do conceito de LSW, resolveu as questões tecnológicas do demonstrador da LSW, construindo uma Implementação de Referência (software resultante do domínio público).

Projeto AtlantIS (2014-EU-TM-0671-S)

Atlantic Interoperable Services

(2014-2017)

Objetivou desenvolver serviços Ro/Ro e Lo/Lo nos espaços do NW Peninsular, Bretanha e Liverpool, suportados por uma rede de plataformas interoperáveis de relação com os clientes de serviços logísticos, numa ótica concorrencial.

Projeto e-Impact (2014-EU-TM-0686-S)

e-Freight Implementation Action

(2014-2018 projeto em curso)

Objetiva desenvolver um conjunto de ferramentas para uso generalizado no sector do e-Freight Common Framework, normas e formatos de interoperabilidade adotados como UBL (Universal Business Language), mais recentemente conhecidos como Norma ISO/IEC 19845.

Paralelamente, desenvolve dois pilotos de operacionalização da LSW nas extended gateways, abordando já casos de sincromodalidade.

Este projeto, ainda em curso, tem vindo a colaborar intimamente com a iniciativa e-Delivery da Comissão Europeia.

Antes de mais, há que aplicar esforço na compreensão dos vários resultados que são do domínio público, de forma a motivar um debate sobre as questões de Governance associados e consequentes estratégias.

Este debate aberto poderá ser um primeiro passo para uma abordagem nacional da estrutura da economia digital nos setores da Logística e do Comércio, lançando importantes pontes para a Indústria 4.0.

Tecnologias emergentes, como o Blockchain, podem vir a ser aceleradores essenciais para a globalização do conceito de “marketplace de plataformas interoperáveis”.

Nota-se que as entidades públicas e privadas que hoje existem advêm de modelos essenciais do passado, não vocacionadas ainda para liderar o futuro.

Heloísa Cid – Engenheira Civil –Transportes

Ana Alexandra Muñoz – Consultora, Doutoranda em Engenharia e Gestão no IST

NOTA: As autoras escrevem segundo o Novo Acordo Ortográfico.

Estudo: “Reflexão sobre as Reformas Institucionais para a Comodalidade e Serviços de Transporte Sustentáveis”

 



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