Nuno Rangel analisa ‘Brexit’ e vinca confiança no futuro: «Poderá ser exemplo da resiliência portuguesa»

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Se existe, na actualidade, tema que maior controvérsia mediática e interferência directa tem no domínio do comércio internacional e na configuração das redes logísticas globais, é, certamente, o conturbado Brexit – em semana de rescaldo e, simultaneamente, de incerteza reinante, a Revista Cargo chegou à fala com o CEO da Rangel Logistics Solutions, Nuno Rangel, para saber de que forma este processo interfere com dinâmica comercial entre o Reino Unido e Portugal. Sendo a empresa uma referência nacional e além-fronteiras, a Rangel Logistics Solutions é o interlocutor ideal para o tema.

O mote inicial para a conversa com Nuno Rangel partiu de dados bastante interessantes – no contexto das exportações de Portugal para o Reino Unido, a comparação entre dois primeiros meses de 2019 face ao mesmo período de 2018 transpareceu aumentos homólogos em M3 transportados (+28,9%), em peso taxável (+29,7%) e em número de viagens (camiões, +27,3%). Posto este cenário, perguntámos a Nuno Rangel: afinal, de que forma se têm feito sentir as repercussões desta (longa e incerta) antecâmara do ‘divórcio’ entre o Reino Unido e a União Europeia?

Nuno Rangel deixa garantia: «Estamos preparados para apoiar os nossos clientes nesse processo»

Nuno Rangel«Denotámos um aumento geral no volume de exportações para o Reino Unido entre Janeiro e Fevereiro de 2019, face ao período homólogo do ano anterior», começou por constatar o CEO da empresa, frisando que foram tomadas medidas de antecipação, desenhadas para lidar com a incerteza do futuro próximo: «Reforçámos e formámos as nossas equipas para todas as tipologias de cenários que possamos vir a defrontar».

«Para além das nossas parcerias estratégicas, e de longo prazo, com relevantes agentes do Reino Unido somos uma referência internacional na área aduaneira. Adicionalmente, temos certificação AEO (Authorised Economic Operator), em Portugal e através dos nossos agentes no Reino Unido, a qual simplifica os processo alfandegários nos dois mercados. Alavancámos uma completa organização especialista em actividades de logística, transporte, armazenagem, distribuição física, courier expresso, feiras e exposições», explicou Nuno Rangel.

Esta organização, detalhou o CEO, sustentou-se no desenvolvimento de «um guia prático para apoiar os clientes no processo de importação e exportação de/para o Reino Unido, no caso de não haver acordo» e na constituição de «uma equipa dedicada à resolução de dúvidas e problemas relacionados com o Brexit e que está também a estudar rotas alternativas». Esforços essenciais, afiança o CEO: «O mercado do Reino Unido é muito relevante nas nossas exportações, reflexo da realidade portuguesa, e estamos preparados para apoiar os nossos clientes nesse processo».

Saída descontrolada intensificará burocracia e provocará «aumento de custos e de tempos de trânsito»

O que esperar de um Hard Brexit ou de uma saída descontrolada? «Em termos de potenciais efeitos, podemos antecipar que no caso de uma saída sem acordo, teremos um aumento em termos de burocracia associada ao comércio entre Portugal e o Reino Unido, o qual se poderá reflectir num aumento de custos e de tempos de trânsito. As consequências e impactos não serão iguais em todos os sectores de actividades e regiões», respondeu, frisando, face à actividade aduaneira da Rangel, a expectativa de «um aumento de 50% do número de despachos, o que significará um aumento de carga administrativa e de recursos humanos».

Mesmo perante um cenário adverso de saída sem acordo, o CEO da Rangel Logistics Solutions mantém a confiança na dinâmica comercial entre as duas partes: «Acreditamos que os fluxos comerciais entre o Reino Unido e Portugal não vão reduzir consideravelmente, no que concerne à tipologia de produtos que enviámos (maioritariamente têxteis e calçado). Portugal tem um passado comercial muito próximo do Reino Unido e acreditamos que essa relação comercial se manterá», comentou à Revista Cargo.

«Importa olhar para o Brexit como uma oportunidade»

Nuno Rangel estende a sua confiança ao olhar para o horizonte, assumindo que o Brexit, além de um obstáculo pode ser também uma oportunidade: «Importa, ainda, olhar para o Brexit como uma oportunidade. Os portugueses têm uma enorme capacidade de se adaptarem a diferentes e novas realidades e acreditamos que o Brexit poderá ser também exemplo da resiliência portuguesa», afirmou.

Como poderá, então, Portugal assumir as rédeas desta nova oportunidade em tempo de incerteza? «Com o Brexit, o Reino Unido terá mais dificuldades em importar e exportar de e para outros países da União Europeia. Portugal pode substituir outros países no relacionamento com o Reino Unido no pós-Brexit, assumindo-se como um parceiro privilegiado, fruto das relações fortes entre os nossos países», rematou Nuno Rangel.

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