Nuno Rangel sobre a criação da Correos Express Portugal: «Para nós é uma grande oportunidade»

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A Correos Express Portugal nasceu – o novo player ibérico, que resulta da união de forças do Grupo Rangel como o Grupo Correos, foi esta manhã apresentado num meeting realizado no Hotel EPIC Sana, em Lisboa. Os grupos, representados por Nuno Rangel (CEO da Rangel) e Juan Manuel Serrano (presidente da Correos), desvendaram os pormenores do negócio e falaram sobre as metas e potencialidades da nova empresa de entrega de encomendas.

Nuno Rangel: «Temos de olhar para o mercado ibérico»

Para Nuno Rangel, o horizonte formou, aos olhos do Grupo Rangel, uma oportunidade para alargar os objectivos e crescer em conformidade com as tendências do mercado de entregas (expresso) de encomendas, no qual o comércio electrónico desempenha também um papel determinante – Espanha que o diga. «Se olharmos para o mercado, as dez primeiras empresas deverão ter cerca de 75% da quota. Obviamente que a Rangel está entre essas dez primeiras empresas; e hoje temos de olhar para o mercado português e, eu diria, para o mercado ibérico», introduziu.

Espanha é mercado «importante para o futuro» e apetecível no e-commerce, Portugal ainda corre atrás

«Se pensarmos um pouco, o comércio electrónico está a evoluir muito e, nessa realidade, Portugal parte atrás – como disse o Juan Manuel Serrano – e está muito atrás de Espanha e principalmente de países como, por exemplo, o Reino Unido. Para se ter uma ideia, cerca de 57% da população espanhola compra online. Em Portugal, apenas 27% da população o faz», aprofundou Nuno Rangel, respondendo às perguntas dos jornalistas presentes no evento.

«Há um dado interessante: os espanhóis compram online e compra mais a empresas espanholas, ou seja, só 37% dos envios são feitos cross border (fora do seu país), enquanto os portugueses fazem o contrário – 85% dos nossos envios são comprados fora de Portugal. Estes são dados muito importantes», detalhou, comparando os mercados e concluindo: «Com a evolução do comércio electrónico, Portugal compra muito fora, logo, uma empresa portuguesa que apenas está em Portugal tem dificuldade em captar estas entregas. Por outro lado, Espanha é um mercado interessante e importante para o futuro».

Operação permite à Rangel «competir pela liderança do mercado»

Nuno Rangel entrou, depois, nas razões que tornam o negócio um passo crucial para a competitividade, escala e extensão da influência operacional do universo Rangel neste domínio, sob a óptica de uma unicidade ibérica que se torna cada vez mais atractiva para os players estrangeiros: «Pensar no cross bording, arranjar parceiros em algumas regiões do mundo e fazer os seus envios (de last mile). A maior parte dos estrangeiros (estamos a falar da Ásia) pensa nisto enquanto Península Ibérica», aflorou.

«O mais natural é pensarem: ‘aqui em Madrid existe uma grande empresa que é a Correos, que tem uma capacidade de fazer entregas como o mesmo nível de serviço e com o mesmo transitário em toda a Península Ibérica’ – tendo isto em conta, significa que para nós o que foi valorizado foi o facto de hoje termos 100% de algo mais pequeno, e amanhã termos a oportunidade de competir pela liderança do mercado, tendo 49% de algo com uma dimensão maior. Estes foram alguns dos indicadores que suportaram o nosso raciocínio», rematou Nuno Rangel.

«O B2C tem crescido e já percebemos que é aí que está o futuro»

Quererá então dizer que esta é uma mudança de rumo por parte da Rangel, uma mudança de chip rumo a um serviço cada vez mais orientado para o business-to-costumer? É, antes de mais, uma resposta à transformação do mercado: ««O mercado é que está a mudar. Nós chegámos, há 11 anos atrás, a ter 90 e muito % de B2B e actualmente temos 80-90 e pouco % de B2B, o resto é B2C. O que percebemos foi que, nos últimos anos, o B2C tem crescido e já percebemos que é aí que está o futuro», respondeu o responsável da Rangel.

«Se olharmos para todos os competidores do mercado, vemos empresas de grande dimensão. Para nós, esta é uma grande oportunidade. O que nos encantou foi isto: sabíamos que, sendo o maior português e o único player privado, digamos assim, somos sempre uma empresa apetecível para qualquer grande multinacional. A abordagem que os Correos nos fizeram foi, desde o primeiro dia: ‘nós queremos ser um sócio’, e isso encantou-nos. Isto dá-nos a capacidade – que não tínhamos – de competirmos com os líderes de mercado. A partir de agora passamos a competir de igual para igual. Isto, para nós, tem um valor muito interessante», afirmou.

Correos escolheu a Rangel para se internacionalizar: «Isto deixa-nos bastante orgulhosos»

«Sendo a maior empresa pública de serviço de correios, do sector postal, de paqueteria e de encomendas, e, ao fim de 313 anos de história, ter decidido que quer se internacionalizar – e muito devido ao dinamismo que o presidente impôs em fazer crescer o grupo Correos – escolheu Portugal, mas, além de escolher Portugal, escolheu a Rangel. Isto deixa-nos bastante orgulhosos. Seremos um sócio orgulhoso do Grupo Correos e do Estado espanhol. Continuaremos a fazer o nosso trabalho, com outras ferramentas, tecnologias e investimento, para podermos crescer e sermos a melhor empresa do sector», finalizou Nuno Rangel.

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