porto de lisboa

Paralisações assombraram Porto de Lisboa em 35% dos dias nos últimos dez anos

Marítimo Comentários fechados em Paralisações assombraram Porto de Lisboa em 35% dos dias nos últimos dez anos 474
Tempo de Leitura: 3 minutos

O Jornal Económico cita um estudo que apurou que o Porto de Lisboa foi afectado por greves em 1278 dias durante os últimos dez anos. Ou seja, entre 2008 e 2018, o porto da capital viu 35% desses dias serem assombrados pelas paralisações. O estudo citado pelo jornal dá conta de que 2018 poderá – caso a intenção do SEAL se mantenha – ter um total de 152 dias de paralisações (ao trabalho suplementar).

Na sua edição de hoje, o Jornal Económico revela que a paralisação do SEAL, mesmo que direccionada apenas para as horas extraordinárias, poderá fazer de 2018 «um dos piores anos do porto da capital no que respeita à incidência de greves laborais nos últimos dez anos». A peça, de autoria de Nuno Miguel Silva, conta com declarações de António Belmar da Costa, director executivo da AGEPOR — Associação dos Agentes de Navegação de Portugal.

«Quem perde com isto é o país, os trabalhadores portuários e os operadores portuários», afirmou, aos microfones do jornal, António Belmar da Costa, traçando um cenário negro para o futuro próximo: «Não há fim à vista para este conflito», admitiu mesmo. Desde 2009 que o porto da capital não ultrapassa 365 dias sem greves, ressalva a peça jornalística. O ano de 2012 foi dos mais conturbados, com 195 dias sob a sombra da greve.

SEAL voltou à carga denunciando «práticas anti-sindicais»

Em plena presença da Troika e em contexto económico de constrição, o Porto de Lisboa prosseguiu para 2013 ainda a ferro e fogo, com 162 dias de greves a assolarem o seu desempenho. Uma autêntica fustigação que, ao longo desses anos, a perda de escalas de linhas marítimas e de tráfego de mercadorias, quase sempre desviado para portos como o de Leixões ou Sines. Em meados de 2016, a paz social voltou, mas o sol foi de pouca dura, como mostra 2018.

Recorde-se que o Verão deste ano viu o despoletar da nova frente de batalha sindical após a demonstração de solidariedade pelos trabalhadores afectos ao SEAL aos colegas dos portos de Caniçal e Leixões, visados pelas críticas da entidade sindical liderada por António Mariano. Tal demonstração, na ressaca da obtenção de um entendimento sócio-laboral para Lisboa, veio fragmentar ainda mais a relação patronato-SEAL.

A debandada da Maersk Line e os reparos de Christian Blauert

A manutenção deste impasse custou já a debandada do maior armador do mundo, a nórdica Maersk Line, que, como apurou a Revista Cargo oportunamente, decidiu desviar todas as suas cargas para portos adjacentes. O impasse mereceu também comentários críticos de Christian Blauert, CEO da Yilport: «O ano passado conseguimos trazer novas linhas para Lisboa, mas, assim, esta companhia imediatamente nos voltou as costas. Penso que isto é mau, teremos que trabalhar este aspecto», afirmou, durante a Portugal Shipping Week.

António Mariano esteve no parlamento e pediu investigação profunda

Recorde-se que o líder sindical do SEAL marcou presença no parlamento na semana passada, para analisar a situação nos portos portugueses, pedindo inclusivamente uma investigação profunda contra aquilo que denomina ser uma perseguição sindical. «Tudo se passa sem que as autoridades inspectivas pareçam querer cumprir o seu papel», declarou António Mariano.

Author

Back to Top

© 2018 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com