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Porto de Setúbal em revista: os investimentos, os desafios e os trunfos para o futuro

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A Revista Cargo volta a dar destaque aos debates que a APAT tem organizado através do seu segmento ‘Conversas de Bordo’, relembrando a passagem da conferência pelo Porto de Setúbal, na qual a intervenção do administrador da APSS, José Castel-Branco, foi de crucial importância e utilidade, por passar em revista o ponto de situação da infra-estrutura sadina em termos de investimentos, desafios, oportunidades e novas estratégias de futuro.

Sustentabilidade ambiental no topo das prioridades

José Castel-Branco APL

José Castel-Branco lembrou que o porto atravessou «uma fase complicada» que, no fundo, também correspondeu «a uma oportunidade para avaliar o negócio, ganhar algum timing que ajuda na reflexão da actividade portuária e toda a operação logística que lhe está associada». Entre as prioridades esteve e continuará a estar a «sustentabilidade ambiental, que incide, essencialmente, sobre os transportes marítimos e sobre a actividade portuária e exige, a todos nós, uma reflexão sobre como queremos que seja o porto do futuro, preocupado com os anseios dos cidadãos», vincou.

«Neste matéria, o Porto de Setúbal tem, de certa forma, uma posição privilegiada, mas que, ao mesmo tempo, prejudica a nossa avaliação daquilo que efectivamente entendemos como sendo necessário para desenvolver o Porto de Setúbal. Tivemos um investimento muito grande nas acessibilidades marítimas porque o porto carecia de condições para que fosse acessível a navios de maiores dimensões, e portanto, mais eficientes, modernos, económicos e mais ecológicos. Essa preocupação transmitiu-nos uma dificuldade muito grande, conseguir os melhoramentos e modernização – o projecto era uma ambição muito antiga do Porto de Setúbal, demorou mais de 10 anos a ser concretizado. Na verdade, o porto exigia que esta obra fosse concluída, porque os novos navios são cada vez mais eficientes e só recebendo as novas frotas poderíamos concorrer e contribuir para a melhoria da nossa sustentabilidade. Foi uma obra que se arrastou ao longo de quase dois anos e meio e foi concluída em Dezembro de 2020. Irá dar outra capacidade, irá provocar um desenvolvimento futuro bastante interessante para o Porto de Setúbal», analisou o administrador.

Novo terminal no horizonte, «a breve prazo»

«A nossa preocupação foi transformar o porto numa estrutura mais competitiva e continuamos com essa preocupação, é um trabalho contínuo. Foi criado um novo aterro que permitirá, a breve prazo, a construção de um novo terminal em função das necessidades que o porto revelar», adiantou o responsável da APSS, realçando que existem «condições para crescer nessa área ou para alargar as funções dos actuais terminais». As condições de acessibilidade marítima «vão ser complementadas com as condições de acessibilidade ferroviária, que também estava desactualizada, não estando a linha electrificada até aos terminais – isso criava vários ineficiências, prejudicando o custo das operações. Neste momento estamos numa fase final de assinatura de um protocolo que permitirá uma cooperação entre a APSS e a IP, para modernizar toda essa estrutura que dá acesso aos terminais. Grande parte do investimento será suportado por fundos comunitários. Na parte que está efectivamente dentro do porto, estamos a falar de um investimento de 5 milhões de euros, que complementará o da IP, que será superior a 20 milhões», prosseguiu o José Castel-Branco.

«Porto de Setúbal terá condições para receber novos operadores»

porto de Setúbal ro-ro

«Iremos dotar o Porto de Setúbal com condições mínimas de operacionalidade, quer marítima – que já estão criadas – quer ferroviária. Isto é essencial. A breve prazo, o Porto de Setúbal terá condições para receber novos operadores, novas indústrias, novas entidades que se queiram instalar nesta zona, reactivando este pólo de grande valor. Setúbal tem todas as condições. Tem um espaço livre já infra-estruturado de grande qualidade, perfeitamente disponível e até a preços acessíveis. A APSS tem feito essa ponte, procurando contactar com os concessionários, tentar perceber quais são as suas limitações, em que é que os podemos ajudar e como os podemos motivar para que alarguem o seu raio de acção. Temos tido respostas positivas. Queremos alargar o nosso horizonte em termos de influência», acrescentou o administrador.

José Castel-Branco analisou ainda a ascensão da vertente digital na operação quotidiana dos portos, lembrando que a infra-estrutura portuária sadina já trabalha a 100% com a ferramenta Janela Única Logística (JUL): «Passámos a usar a JUL de forma autónoma, fomos o primeiro porto a utilizar, em exclusividade, a JUL. É no mundo da Logística, no acompanhamento das cargas, na sua distribuição e nos vários modos multimodais, que reside o foco da actividade portuária. Compensa, de facto, usar a JUL, porque se cria uma noção global do que é o transporte logístico a partir da actividade portuária, podendo acompanhar as cargas de forma mais eficiente», completou o membro da administração da APSS.

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