Porto de Sines alarga os horizontes com estratégia de internacionalização global ambiciosa

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Não é novidade que o rei do tráfego portuário português é cabeça-de-cartaz na promoção de Portugal além-fronteiras – com a possível inclusão no traçado da iniciativa chinesa One Belt One Road (em posição axial e de confluência de várias rotas comerciais primárias e em conexão com múltiplos continentes), o Porto de Sines tem estado na boca do mundo marítimo-portuário, alicerçando o seu protagonismo em resultados animadores.

Mas a sua internacionalização tem-se intensificado significativamente, desdobrando-se a administração e as forças logísticas e empresariais da região alentejana na promoção das potencialidades do porto e das suas adjacências complementares. Neste capítulo, também a tutela tem-se esforçado para levar o nome de Sines o mais longe possível – esta conjunção de iniciativas tem feito com que Sines alargue os seus horizontes.

one belt one road portugal Revista Cargo 273A Revista Cargo tem, amplamente, coberto a atenção mediática da qual o Porto de Sines tem sido alvo no contexto da One Belt One Road – a Ministra do Mar, acompanhada por um coro de vozes concordantes (que não se cingem ao Executivo do qual faz parte), tem colocado a tónica da internacionalização do porto alentejano na lista de prioridades: não apenas quanto à sua capacidade para ser um vaso comunicante importante do fluxo (intercontinental) de mercadorias no espectro do mega-projecto chinês, mas também enquanto porta atlântica do GNL na Europa, no âmbito da intensificação das exportações por banda dos EUA, que permitirão à União Europeia uma maior diversificação do seu fornecimento energético.

Assim, não apenas o porto como toda a região que o enquadra, aproximam-se de um cenário de expansão internacional que abraça Oriente e Ocidente em simultâneo – as perspectivas de crescimento, à boleia da integração na Belt and Road e enquanto hub de transhipment de GNL e ponto reexportador deste produto extremamente em voga, dão a Sines mais céu para sonhar e mais mar para percorrer. Ambas as possibilidades vão ao encontro das ambições de crescimento do porto, já traçadas e divulgadas pela administração portuária, na voz de José Luís Cacho: usando os trunfos da carga contentorizada e dos granéis líquidos, Sines pretende ser mais forte onde já dá cartas. E assim multiplicar o seu sucesso.

Com um pé na China e outro nos EUA, difícil seria deslindar outra estratégia promocional que melhor se adequasse às virtudes operacionais e infra-estruturais do Porto de Sines e da ZILS: crescer no tráfego de contentores e desempenhar o papel de gateway das exportações americanas (GNL à cabeça) no velho continente (fazendo uso da boa infra-estrutura que dispõe para o efeito), e, em concomitância, arrastar consigo o desenvolvimento logístico ao seu redor, levando, por inerência, a um maior índice de fixação de empresas na zona – um breve resumo de como capitalizar, em várias frentes, o que de bom se tem. Na opinião de quem escreve este artigo, é exactamente essa a estratégia em andamento.

A reforçar esta estratégia de internacionalização está a recente ida de uma missão empresarial à Califórnia, que visa não só elucidar para o potencial da infra-estrutura portuária enquanto ponto de reexportação de GNL vindo dos EUA como para promover o investimento das indústrias petroquímica e química para a ZILS, capitalizando nas infra-estruturas existentes, desde o terminal de granéis sólidos ao terminal petroquímico. Pelo caminho, uma operação de charme por terras do Uncle Sam sobre a expansão da capacidade no segmento contentorizado: a ampliação do Terminal XXI e o concurso para o novo terminal. A intenção é clara: «despertar o interesse norte-americano para o futuro concurso».

Da China aos EUA também se passa pelo leste europeu: o Porto de Sines, focado em incrementar os seus tráfegos nestas duas vertentes de carga, está em vias de encetar ligações comerciais e estratégicas com países como a Polónia ou a Hungria. De acordo com a Ana Paula Vitorino, está em causa a reexportação de GNL para a Polónia, criando «uma alternativa relativamente ao fornecimento da Rússia» e, ao mesmo tempo, «mais movimentação para o Porto de Sines». A mesma solução está a ser desenhada para a Hungria. Em suma, Sines está, aparentemente, e enquanto região, devotada a tornar-se, cada vez mais, um elo logístico global essencial nos mercados que pautarão o crescimento do futuro.

 

 

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