Porto de Roterdão: de gateway a destino final da Nova Rota da Seda?

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O Porto de Roterdão dispensa apresentações, os rankings falam por si: maior porto europeu e um dos maiores à escala mundial. E também o seu papel na cadeia logística global é indiscutível, enquanto gateway (porta de entrada) de mercadorias com origem nos quatro cantos do mundo e destino nos vários países europeus.

Contudo, uma nova tendência tem emergido no contexto da cadeia logística global: a denominada Nova Rota da Seda, fortemente impulsionada pela iniciativa chinesa Belt and Road, que coloca cada vez mais contentores na ferrovia nos tráfegos entre a Ásia (em particular a China) e a Europa. Ora, neste novo contexto emergente em que a ferrovia está a captar muita carga (cada vez mais!) que seguia habitualmente por navio, o Porto de Roterdão assume menos o papel de gateway e mais o papel de destino final.

«O Porto de Roterdão definitivamente quer ser uma conexão directa na rede ferroviária da Nova Rota da Seda», admite o Director de Logística do enclave holandês, acrescentando que esta «é uma oportunidade para o porto, que quer considerar as suas opções de forma cuidadosa»

Porto de Amesterdão já tem a sua primeira ligação na Nova Rota da Seda

A temática ganhou força na semana passada, quando o porto vizinho de Amesterdão – também um dos maiores da Europa – garantiu o primeiro serviço ferroviário directo à cidade chinesa de Yiwu. É já o segundo serviço directo na Nova Rota da Seda a ligar um porto holandês, depois de um primeiro que liga o Porto de Tilburg a Chengdu desde 2016. De Tilburg há depois ligação a Roterdão. Contudo, ligações ferroviárias directas entre o Porto de Roterdão e a China ainda não existem.

A análise dos especialistas deixa claro, porém, que para um porto como o de Roterdão, os desafios são um pouco diferentes. Primeiro que tudo, porque a Nova Rota da Seda constitui uma ameaça aos seus volumes de carga marítima e muda completamente a sua posição no mercado – que poderá passar de local de trânsito a destino final. A visão é de Michel Lak, Director Geral da SmartPort, uma parceria entre a Port of Rotterdam Authority, a Deltalinqs, o Município de Roterdão, a Erasmus University Rotterdam e a Delft University of Technology.

«Mais do que entrar na Europa através do Porto de Roterdão depois de viajar por mar, os produtos fabricados na China são agora transportados através da Europa, onde Roterdão está habitualmente no fim da viagem. A Nova Rota da Seda vai aumentar a quota de carga movimentada pela ferrovia, modo mais rápido e mais confiável. Com os avanços da Nova Rota da Seda, a Europa é também abastecida pela República Checa, Polónia e Grécia; não apenas via Roterdão, Hamburgo e Antuérpia», referiu o responsável da SmartPort.

«Para além disso, países de trânsito terão a oportunidade de acrescentar valor ao longo da viagem, por exemplo quando há transbordo da mercadoria para um comboio diferente», acrescenta, concluindo: «Ao longo da viagem, todos têm a oportunidade de ganhar dinheiro. E nós esperamos para comprar os produtos acabados – isto é, pagar».

Roterdão não é excluído mas muda de papel

A análise ressalva, contudo, que o Porto de Roterdão e a Holanda em geral não terão obrigatoriamente que perder importância neste fenómeno emergente. Michel Lak fala num conjunto de novas oportunidades que dariam a Roterdão um novo papel: «Se fosse por mim, estaríamos a lidar com os aspectos mais difíceis da logística: inspecção, alfândega, planeamento, previsões, transacções via Blockchain. Estes temas apresentam uma série de questões, que muitas vezes requerem um estudo dedicado. Podemos lidar com tudo o que tem a ver com a logística, fora do transporte propriamente dito».

No ano 2017, a movimentação de carga marítima no Porto de Roterdão cresceu cerca de 2%. Contudo, a carga manuseada por ferrovia decresceu. Um aspecto que deixa ainda mais em alerta o enclave holandês para estas novas oportunidades (e também ameaças) da Nova Rota da Seda.

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