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Porto de Sines quer ligar a Nova Rota Marítima da Seda ao Atlântico

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A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa organizou, esta quinta-feira, a IV Gala Portugal-China, certame que este ano teve como mote central a iniciativa chinesa ‘One Belt, One Road’ (‘Uma Faixa, Uma Rota’, traduzido para o português) e que contou com uma Conferência que procurou respostas sobre a melhor forma de inserir Portugal (e o Porto de Sines em particular) nesta mega-iniciativa liderada pelo próprio Presidente da República Popular da China, Xi Jinping.

Duarte Lynce de Faria, Administrador da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), foi o representante do Porto de Sines no debate – uma vez que o Presidente da APS, Luís Cacho, se encontra precisamente na China no âmbito da visita de uma comitiva portuguesa composta por cerca de 40 empresas e liderada pela Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino – o Ministério do Mar, recorde-se, admitiu mesmo que uma das missões da visita passava por aproveitar as novas oportunidades de negócio proporcionadas pela Nova Rota da Seda Marítima.

Mesa de oradores da sessão.

Aproveitar uma «ligação cultural centenária» entre Portugal e China

Na sua intervenção, o responsável do Porto de Sines começou por recordar que a iniciativa ‘Belt and Road’ (também conhecida como OBOR – ‘One Belt, One Road’) tem duas vertentes e que a perspectiva da «Road» está focada na ligação marítima – a tal Nova Rota Marítima da Seda – e a «Belt» na componente de ligações terrestres, algo que já está colocado em prática com ligações directas de comboio entre regiões centrais da China e outros países asiáticos e a Europa.

A vantagem da ligação terrestre, recorde-se, está sobretudo nos transit times (e custos inerentes) face às soluções multimodais (terrestre + marítimo) já existentes e utilizadas, por exemplo, para a exportação de produtos de regiões centrais da China, que primeiro tinham que chegar aos Portos chineses por rodovia ou ferrovia e depois ao destino final (Europa, por exemplo) por transporte marítimo. Uma cadeia logística mais complexa (e, sobretudo, mais lenta!) que aquela trazida pelas ligações ferroviárias directas criadas agora com os vários corredores da iniciativa ‘Belt and Road’ que atravessam Ásia Central, Ásia do Sul, Europa de Leste, ou Europa Central – e até chegam a Madrid!

«Pretendemos que essa Nova Rota da Seda Marítima aproveite uma ligação cultural centenária», admitiu Lynce de Faria sobre as relações entre Portugal e a China – relações essas que ficaram marcadas vincadamente por Macau mas também por todo um historial de interacção a vários níveis entre os dois países – e que começou precisamente pelo mar. «O Marco Polo foi o responsável pela Rota da Seda mas foi Vasco da Gama quem fez a ligação marítima à Ásia pelos mares que nunca tinham sido navegados», recordou Lynce de Faria.

«Queremos ter uma Rota Marítima que ligue o Extremo Oriente e Portugal»

Porto de Xangai, na China.

Após uma abordagem mais abrangente da iniciativa e até da ligação China-Portugal, Lynce de Faria focou as perspectivas e ambições da APS no âmbito desta mega-iniciativa ‘Belt and Road’, não negando que existe uma forte vontade de estreitar as ligações marítimas entre o Porto de Sines e os Portos chineses.

«Queremos ter uma Rota Marítima que ligue o Extremo Oriente e Portugal», admitiu o Administrador da APS, realçando que o Porto alentejano «já tem hoje 22 serviços directos semanais, um deles a ligar a seis Portos chineses».

Ainda sobre Sines, não perdeu também oportunidade de falar dos seus números mais recentes, enaltecendo um Porto que «praticamente duplicou o crescimento nos últimos três anos e que está a crescer entre 20 a 30% nos contentores». «O Porto de Sines é hoje o 15.º maior porto europeu na carga contentorizada e o 91.º mundial», lembrou ainda.

Sobre a ‘Belt and Road’, Lynce de Faria admitiu que a APS vê no Porto de Sines o potencial ideal para «unir os dois continentes pelo mar» e recordou as imensas oportunidades que a China e as suas empresas encontram em Sines: «Teremos um novo terminal de contentores [Terminal Vasco da Gama] que permitirá a expansão do Porto mas também temos já a possibilidade de ter uma zona logística de alto nível e com indústrias de valor acrescentado em redor do próprio porto». Defendeu mesmo que em Sines se encontra «uma zona logística quase única na Europa».

Por outro lado, os trabalhos que estão a ser feitos na ferrovia ou até «no campo da facilitação dos processos, nomeadamente com a iniciativa Smart and Secure para uma facilitação aduaneira nas trocas entre os dois países» fazem com que o Porto de Sines se apresente também como ponto de entrada em Portugal e Espanha dos produtos chineses. «Que toda a conquista da Península Ibérica seja feita a partir do Porto de Sines», defendeu.

Sines é a chave para «ampliar a iniciativa ‘Belt and Road’ para toda a bacia Atlântica»

Navio da MSC no Terminal XXI do Porto de Sines.

Apesar de admitir que o Porto de Sines quer aumentar as ligações comerciais com os Portos chineses, Lynce de Faria foi mais longe na ambição para o Porto alentejano e apresentou-o como a peça-chave para tornar a iniciativa ‘Belt and Road’ ainda mais global – recorde-se que a iniciativa foi inicialmente pensada para ligar a China por terra e por mar a mercados asiáticos, europeus e até africanos (sobretudo na Costa Leste), mas desde a sua apresentação (no ano de 2013) já sofreu muitas mutações, nomeadamente ao nível do alcance geográfico.

«Olhem para nós como um valor acrescentado à iniciativa», apelou assim Duarte Lynce de Faria, admitindo que «Sines quer ir muito mais além do que as trocas comerciais com a China»: quer também «desenvolver em Sines indústrias de valor acrescentado».

«O Porto de Sines pode ser um hub para um primeiro contacto da Nova Rota da Seda Marítima com o Atlântico. Através de Sines fazemos ligações à América, a África e ao Brasil», vincou o Administrador da APS, defendendo que «é através do Porto de Sines que queremos ampliar a própria iniciativa ‘Belt and Road’ para toda a bacia Atlântica».

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