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Portugal e a transição energética: os protagonistas do evento ‘Green Gas Mobility Summit’

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O dia 24 ficou marcado pela recta final do evento ‘Green Gas Mobility Summit‘, organizado pela GASNAM, onde a sessão em português esteve em destaque – numa sessão dinâmica de apresentações e debates em que participaram os grandes actores nacionais do sector da energia em Portugal para a mobilidade ficou claro que o Gás Natural é essencial para uma transição energética efectiva e suave para combustíveis de baixo carbono.

A sessão iniciou-se com a apresentação de João Bernardo, Director-Geral de Energia e Geologia que apresentou a Estratégia Nacional para o Hidrogénio, destacando a sua importância para a redução da dependência energética de Portugal que em meados da década de 90 ultrapassou os 90%. Nesse domínio, o desenvolvimento de um projecto industrial no âmbito do hidrogénio com a ambição de tornar Portugal num exportador líquido de energia, para o qual foi estabelecido um memorando de entendimento com a Holanda e diversos parceiros empresariais para apresentar um Important Project of Common European Interest (IPCEI).

Mobilidade limpa e gases renováveis

nuno afonso moreira dourogásNo painel em que foi discutida a mobilidade limpa, Nuno Moreira, Presidente da Dourogás apresentou a sua estratégia de investigação e inovação na produção e na utilização dos gases renováveis nos transportes com o objectivo de alcançar a liderança tecnológica na transição para a descarbonização na mobilidade, em particular destacando a maior rapidez de descarbonização dos transportes, em particular dos pesados, possível com a introdução do biometano e do hidrogénio em largos sectores da mobilidade. Nuno Moreira realçou ainda a possibilidade de incorporar o hidrogénio renovável na oferta dos seus postos de abastecimento actuais.

Nesse mesmo domínio Moisés Ferreira da PRF demonstrou um sistema de controlo remoto de postos de abastecimento de GNL, GNC e H2. A actividade da PRF nos segmento dos postos de abastecimento de combustíveis gasosos, nomeadamente do gás natural, gases renováveis e hidrogénio foi apresentada, nomeadamente ao nível das inovações introduzidas nos últimos anos. Carlos Santos da Havi, apresentou a estratégia global da empresa no sentido da mobilidade limpa com introdução gradual de novos combustíveis. Em particular destacou a redução da dependência do diesel, tendo referido que a utilização de combustíveis alternativos evoluiu de 41% em 2015 para mais de 80% em 2020.

Transição energética

gas natural bombaNo âmbito da transição energética, Inês Santos, Directora de Estratégia da Galp, realçou o papel do Gás Natural como elemento essencial para a introdução de combustíveis de baixo carbono no mix energético de Portugal. Gradualmente, a penetração de renováveis deverá permitir a substituição do gás natural por um equilíbrio de electricidade, gases renováveis e hidrogénio, continuando o caminho de descarbonização do sector.

Assim, o Gás Natural é a alternativa viável para a descarbonização da mobilidade a curto prazo, permitindo a introdução gradual de gases renováveis, em particular nos veículos pesados e no sector marítimo. António Pires, administrador da Carris apresentou os conceitos alternativos em implementação na cidade de Lisboa, assegurando a aposta no gás natural pelo menos até 2025/2030, tendo em curso a aquisição de mais 70 autocarros. A Carris está empenhada na eliminação integral das emissões de carbono a nível local até 2040, estando preparada para testar num futuro próximo os autocarros a hidrogénio e integrá-los logo que as soluções alcancem a maturidade necessária.

Sandra Resende, Directora-Geral da IVECO apresentou a evolução previsional da tecnologia da sua oferta de veículos, nomeadamente no domínio do Gás Natural, Renovável e do Hidrogénio como forma de assegurar uma mobilidade de baixo carbono na próxima década.Destacou a compatibilidade completa dos produtos IVECO com os gases renováveis, em particular do biometano.

Implementação de estratégia de desenvolvimento do Green Shipping

A sessão foi concluída com um debate relativo à implementação da estratégia de implementação do Green Shipping em Portugal. Neste animado debate, moderado pela jornalista do ECO, Bárbara Silva, participaram José Simão, Director-Geral de Recursos Marítimos, Rúben Eiras, Coordenador do Fórum Oceano, Duarte Lynce de Faria,Administrador do Porto de Sines e Pedro Frazão, Administrador do Grupo Sousa.

Rúben Eiras destacou as componentes essenciais de uma estratégia de Green Shipping referindo em particular a necessidade de

• adoptar motorizações e fontes energéticas tendencialmente neutras e negativas em emissões de carbono e de outros gases de efeito de estufa (metano e enxofre)

• adoptar tecnologias power-to-shore nos processos de acostagem

• criar um sistema de reciclagem de navios eficiente e transparente

FrotaEm termos estratégicos definiu como prioridades a inovação na criação de sistemas de consumo de GNL em circuito fechado nos navios, com integração de motorizações híbridas-eléctricas e de sistemas de propulsão/energéticos que usem o GNL como fonte energética. O Green Shipping é uma linha de estratégia da DGRM, referiu José Carlos Simão, de acordo com as recomendações da IMO, nomeadamente às reduções de emissões de gases de efeitos de estufa e de enxofre em particular.

No caso da Europa as restrições são mais ambiciosas com um objectivo de redução de até 50% até 2030. O GNL nos navios é uma tecnologia que está disponível e reduz de forma muito significativa as emissões de NOx e SOx, sendo a fonte energética de transição. A Comissão europeia está a financiar bons projectos de GNL e de novas energias, nomeadamente propulsão eólica e a hidrogénio. Duarte Lynce de Faria referiu a experiência de abastecimento realizado em Sines num processo Truck To Ship, comparando com a realidade Espanhola no domínio do bunkering e, por outro lado, a necessidade de existência de mercado para viabilizar as soluções de infraestrutura.

Pedro Frazão referiu as 13 operações de GNL fuelling ao navio AIDA Prima no Funchal, referindo que é uma operação continua de alimentação de energia em porto, com dificuldades específicas. Ao nível do desenvolvimento do negócio, salientou que shipping está, há 10 anos, imerso num grande processo de transição energética tornando os processos de decisão mais difíceis face à longevidade dos navios (mais de 25 anos). Concluindo que, actualmente não existe nenhum combustível viável para atingir os objectivos da IMO para 2050.

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