Escalada de preços do ‘brent’ poderá colocar em risco sustentabilidade financeira das operadoras

Marítimo Comentários fechados em Escalada de preços do ‘brent’ poderá colocar em risco sustentabilidade financeira das operadoras 390
Tempo de Leitura: 3 minutos

O ano de 2017 foi de recuperação e 2018 afigura-se, para a maioria das consultoras, um período de igual impulso regenerador, mas se tal optimismo vem sendo temperado com cautelas sobre um potencial excesso de capacidade após Março, surge agora outra conjuntura que poderá suscitar ainda mais cautelas – a progressiva subida dos preços do petróleo. Uma escalada de preços poderá, de facto, colocar em risco os lucros das operadoras marítimas.



Assim, às boas previsões de Alphaliner e Moore Stephens juntam-se preocupações alarmantes que poderão colocar em causa um 2018 estável, qual réplica do ano transacto – o brent (petróleo cru) deverá chegar aos 70 dólares por barril (valor mais alto desde meados de 2015) ainda durante esta semana, mostrando uma tendência de subida contínua nos últimos seis meses, a rondar os 35%. E não parecem haver sinais de abrandamento.

Tonelada de óleo combustível nos 370 dólares: uma ameaça à rentabilidade das operadoras

A situação, fomentada pelos diferendos geoestratégicos e políticos entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os produtores (que processam o xisto betuminoso), parece arrastar-se e quem vem sofrendo são as operadoras marítimas – o cenário poderá agravar-se nos próximos tempos, adiantou o reputado shipbroker Mike Wackett. O custo do bunkering vem aumentando todos os dias, com a tonelada de óleo combustível a atingir os 370 dólares, bem acima dos 300 registados há um ano atrás, realça Wackett.

Navios gigantescos, consumos gigantescos: «factor de risco», alertou CEO da Hapag-Lloyd

Isto, aliado à proliferação de porta-contentores de dimensões cada vez maiores (destaque aqui para a categoria dos 20.000 TEU e acima) poderá causar a tempestade perfeita para as operadoras em termos de rentabilidade – mesmo recorrendo ao ‘slow steaming‘, os preços avultados do petróleo serão passíveis de pesar demasiado nas contas das transportadoras: um porta-contentores de 20.000 TEU poderá chegar a consumir 250 toneladas por dia, alerta Mike Wackett. De facto, já na recta final de 2017, o CEO da Hapag-Lloyd, Rolf Habben Jensen, havia alertado para esta ameaça, considerando-a «o maior factor de risco» na missão da sustentabilidade financeira das operadoras.

Escalada de preços afecta também o fuelóleo com baixo teor de enxofre

Esta subida de preços afecta também o fuelóleo com baixo teor de enxofre, que atingiu os 600 dólares por tonelada, comparado com os 460 dólares registados precisamente há um ano atrás – uma notícia que deixa as operadoras ainda mais apreensivas face ao futuro, já que os novos limites previstos para entrar em vigor em 2020 irão, assim, implicar um acréscimo de custos bem mais significativo que o esperado há um ano atrás. A pergunta impõe-se: irão as operadoras apostar no GNL, nos chamados ‘scrubbers‘ ou no uso do fuelóleo com baixo teor de enxofre? Caso os preços continuem em subida acentuada, o GNL será, indubitavelmente, uma das saídas mais lógicas para as companhias.



Back to Top

© 2018 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com