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PRIO: Uma década a crescer com o contributo chave do Porto de Aveiro

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Foi em 2006 que a PRIO instalou em Aveiro a sua fábrica de biodiesel, entrando no mercado energético com a promessa (cumprida!) de disponibilizar ao sector rodoviário português combustíveis Low Cost. Pouco mais de dez anos volvidos, a Revista Cargo visitou as instalações da PRIO no porto de Aveiro – e se a nível infraestrutural pouco mudou de 2006 para cá, o mesmo não se pode dizer da activi­dade e da própria estrutura da empresa.



Nas instalações da PRIO no porto de Aveiro, a equipa da Revista Cargo foi recebida por Paulo Leal, membro da Comissão Executiva da PRIO – o qual, embora não tenha ainda muitos anos na ‘casa PRIO’, conta já com uma vasta ex­periência neste sector.

Paulo Leal, membro da Comissão Executiva da PRIO.

Apesar de se ter instalado em Aveiro com a sua fábrica de biodiesel no ano de 2006, Paulo Leal recorda que só em 2008 é que a PRIO «inicia a actividade do Parque de Tanques, localizado no Terminal de Granéis Líquidos do porto de Aveiro». E os números estão à vista daquilo que é, na sua opinião, «um crescimento sus­tentado»: em pouco mais de dez anos de vida, a PRIO conta já com «250 estações de serviço».

«O primeiro foco da PRIO foi a área dos biocombustíveis», recorda Paulo Leal, acrescentando que «o crescimento das actividades associadas e a complexidade inerente tem vindo a conduzir no sen­tido da especialização». Assim, hoje a PRIO divide-se em três grandes áreas: o fabrico de biodiesel, na área ‘Bio’; a compra e venda de produtos em gran­des volumes nos mercados nacionais e internacionais (incluindo a operação do Parque de Tanques de Aveiro), que diz respeito à área ‘Supply’; e aquela que é a face mais visível da PRIO, a ‘Energy’, que comercializa todos os produtos PRIO no mercado.

Porto de Aveiro foi escolha criteriosa e é hoje um parceiro próximo

Na análise de mercado feita pela PRIO antes de se instalar em Aveiro, foram vários os critérios que inclinaram a escolha para este porto. E hoje, embora reconhecendo as limitações específicas do mesmo, a PRIO parece tudo menos arrependida da escolha tomada.

Primeiro que tudo, a PRIO olhou para a geografia nacional e percebeu que o que se preparava para fazer só encontrava paralelo no Barreiro, no terminal da Tan­quipor – uma localização privilegiada para servir o mercado Centro Sul. A PRIO olhou mais para Norte e Paulo Leal justifica a escolha: pela sua localização geográfica, «o Parque de Tanques de Aveiro permite à PRIO servir o hinterland do porto de Aveiro». A PRIO reconhecia assim os benefícios de uma instalação a partir da qual teria fácil acesso ao Norte e Cen­tro do país. «Como em tudo na vida, as decisões são tomadas considerando um vasto conjunto de factores. No entanto, a proximidade ao mercado Centro Norte do país, zona até ao momento servida a partir do Porto de Leixões, e a ausência de outros operadores no Porto de Aveiro foram factores que pesaram na decisão», conta-nos Paulo Leal.

Só que, em Aveiro, nem tudo é fácil. Desde logo porque o porto local tem as suas próprias características, muitas delas limitadoras à actividade da PRIO. E as limitações começam logo no «calado máximo de 9 metros», vinca Paulo Leal. Por outro lado, as entradas e saídas no porto estão muito dependentes das marés, o que só dá à PRIO «janelas de quatro a seis horas por dia» para as entradas e saídas de navios.

prio«Acresce ainda a falta de condições para a navegação nocturna quando se trata de matérias perigosas», refere o res­ponsável da PRIO que realça assim uma limitação que faz com que «no Inverno tenhamos apenas uma janela por dia e muito pequena». São factores que, con­jugados, não deixam que a PRIO consiga uma ocupação da sua ponte cais acima dos 35 a 40%. «Mas essa é uma per­centagem para 100% do tempo, depois colocam-se as restrições das janelas de entrada e saída», ressalva Paulo Leal.

Mas a PRIO já sabia com o que iria contar em Aveiro. E nem isso a fez des­viar do caminho escolhido. «O Porto de Aveiro disse-nos logo que não íamos ter aqui o calado que o porto de Sines tem», recorda Paulo Leal, acrescentando que a Administração do Porto de Aveiro (APA) também informou desde o primeiro momento que não teria condições para a navegação nocturna. Só que a PRIO também percebeu desde logo que teria na APA um parceiro que tudo faria para lhe facilitar a vida. E nesta visita, Paulo Leal não poupou elogios à actuação das entidades locais, em particular da APA: «Tem existido um trabalho muito próximo entre a equipa da PRIO e a equipa do Porto de Aveiro com o objectivo de trazer navios de maiores dimensões».

Conhecedora das limitações do seu porto como ninguém, a APA junta-se à PRIO para encontrar as melhores formas de as contornar. E hoje, salienta Paulo Leal, «para um navio que está a carregar no porto de Roterdão sabemos o ETA [Es­timated Time Arrival] e sabemos também a janela horária de entrada, bem como as condições meteorológicas expectá­veis, articulando com o Porto de Aveiro ao pormenor para que o navio não fique à espera para entrar e que possa optimi­zar a carga útil» – reduzindo os elevados custos adicionais dos tempos de espera dos navios, bem como o custo total por tonelada de mercadoria transportada.

Por outro lado, as limitações de calado também têm sido, de certa forma, con­tornadas. A estreita colaboração entre as partes envolvidas «tem permitido re­ceber navios no cais operado por nós com capacidades superiores às defini­das no projecto do Terminal de Granéis Líquidos», admite Paulo Leal, em alusão a um trabalho meticuloso e em conjunto que tem permitido tirar o máximo provei­to do potencial do porto local – e, neste caso específico, ir mesmo para além da capacidade do mesmo, sem nunca por em causa as mais rigorosas condições de segurança.

«A abertura, flexibilidade e competência do Porto de Aveiro facilita muito o pro­cesso e sem essa colaboração não seria possível à PRIO continuar a optimizar as operações marítimo-portuárias», conclui Paulo Leal a este propósito.

Para além da parceria próxima com a APA, há ainda espaço para colaboração entre as próprias empresas que utilizam o Terminal de Granéis Líquidos de Aveiro. Nas três pontes de cais concessionadas (cada uma com 150 metros de comprimento), a PRIO colabora com outro ope­rador, o que terá aberto a possibilidade de «fazer entrar dois navios ao mesmo tempo quando há espaço disponível» – aproveitando assim momentos em que o ‘vizinho’ não tem que fazer entrar um navio e conseguindo dessa forma gerir de forma mais eficiente as curtas janelas horárias de entrada em porto.



Hoje, a PRIO opera navios no Porto de Aveiro para as suas várias áreas, trans­portando combustíveis, biocombustíveis e óleos. E recebe ainda navios com produ­tos para outras empresas – entre os quais combustíveis e produtos químicos. Neste campo, encontra-se mesmo a negociar com duas empresas a entrada dos seus produtos químicos em Aveiro. «No total operámos 81 navios e movimentámos um total superior a 800.000m cúbicos no ano passado», conta-nos o Director da PRIO Energy.

Três parceiros rodoviários escolhidos a dedo

Se é desafiante toda a logística que envolve a parte marítima da actividade da PRIO em Aveiro, em terra também nada pode ser deixado ao acaso. Paulo Leal falou-nos da importância da «eficiência da logística primária, desde o transporte por navio à armazenagem» e do seu «peso importante no custo do produto», razões pelas quais a PRIO não pode descurar qualquer elo de toda a cadeia que leva os seus produtos até ao consumidor final.

O critério em terra fica logo demonstrado no Parque de Tanques de Aveiro da PRIO, peça-chave de «suporte à estratégia ‘Top Low Cost’ que tanto sucesso tem tido junto do consumidor português», admite Paulo Leal. Nesse parque, a empresa conta com «independência e com os mais elevados níveis de segurança, respeito pelo am­biente e qualidade», estando certificada em segurança, ambiente e qualidade. E se a PRIO pode ser suspeita ao falar de si própria, a realidade não engana: «A qualidade dos produtos e a segurança das operações têm merecido a confiança de dois dos quatro maiores operadores do mercado ibérico de combustíveis».

As questões de segurança e qualidade não perdem relevância a partir do momen­to em que os camiões saem pela portaria do parque da PRIO. Com base em critérios de «segurança e qualidade do serviço de transporte», a PRIO seleccionou parceiros para fazer chegar os seus produtos ao mercado: «Trabalhamos com três empre­sas de referência do mercado, com as quais temos uma estreita integração de sistemas: a Transportes Paulo Duarte, a Transportes J. Amaral e a Transportes Aguieira – esta última operando exclusi­vamente para a PRIO.

Por dia, são cerca de 60 os camiões que saem dos vários parques do Sis­tema Petrolífero Nacional, transpor­tando cada um cerca de 30 mil litros de combustíveis com destino às es­tações PRIO espalhadas pelo país.

250 estações em todo o país e com autoestradas debaixo de olho

À data da realização desta visita, a PRIO contava com 249 estações em todo o país (entretanto, já foi inaugurado o posto 250 na Alta de Lisboa), número bastante considerável se for tido em conta que opera há pouco mais de dez anos. Mas na PRIO vivem-se dias de expectativa face a uma oportunidade que está a surgir no mercado e em relação à qual Paulo Leal mostrou optimismo.

Por um lado, a PRIO está bastante in­teressada na abertura de oportunidade que será o concurso para a concessão de vários postos de abastecimento em autoestradas de relevo um pouco por todo o país. Embora já esteja presente na A16 com duas posições – para as quais Paulo Leal nos fez um balanço extremamente positivo – o responsável da PRIO admite que «estar presente nas principais autoestradas do país constitui um desafio e uma oportunidade». Ao todo, serão 15 os postos de abastecimento (dois por cada posição) que irão a concurso nas autoestradas nacionais e que estão de­baixo de olho.

Na Alta de Lisboa, a PRIO inaugurou recentemente o seu 250º posto

«Aquilo que sentimos é um optimismo baseado na experiência que temos senti­do com as posições da A16. A abertura de posições PRIO nesses eixos principais iria alargar a postura ‘Top Low Cost’ e permitir a mais Portugueses adquirir produtos e serviços PRIO ao mesmo preço, indepen­dentemente de os adquirir na autoestrada ou no seu local de residência», acrescenta Paulo Leal, mostrando-se ainda conven­cido de que a PRIO vai mudar o mercado caso consiga entrar nessas vias.

E o optimismo para o futuro não se fica por aqui, visto que a PRIO acaba também de chegar ao centro de Lisboa. Falamos da nova estação que a empresa inaugurou «na zona da Alta de Lisboa», uma posição que Paulo Leal considera de extrema importância pela entrada em força no mercado de Lisboa – até pela proximidade de vias muito movimentadas como a Segunda Circular.

Embora a PRIO já esteja presente no centro de Lisboa com «duas posições de parceiros na Av. Roma e na Paiva Cou­ceiro», Paulo Leal salienta que esta nova estação na Alta de Lisboa é «a primeira grande posição da PRIO em Lisboa». E, tendo como base «o sucesso obtido com as outras posições, apesar de todas as suas limitações físicas», o responsável da empresa mostra bastante optmismo relativamente a uma nova estação que «permitirá alar­gar a oferta do conceito ‘Top Low Cost’ a mais portugueses e, mais em particular, a mais lisboetas».

Este artigo é parte integrante da edição nº 268 da Revista Cargo, Julho/Agosto



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