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MAIS quer juntar Açores à ligação entre Lisboa e Funchal… e com um avião maior!

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O Consórcio MAIS lançou há alguns meses um avião cargueiro a ligar Lisboa e o Funchal. Em entrevista à Revista Cargo, António Beirão admite objectivo de chegar a novos mercados, com destaque para os Açores. E também a ambição de aumentar a dimensão do avião em operação. Fique com a segunda parte da entrevista:

O avião cargueiro escolhido foi um ATR- 72. Que razões estiveram por detrás da escolha desta aeronave?

Este avião tem uma grande vantagem que é a relação qualidade-preço. É um avião com consumos baixos, bastante fiável e sólido. Se quisermos passar para um outro avião com maior capacidade, seria já um avião a jacto. Acreditamos que teremos procura para avançar para um Boeing 737-F. Mas, neste momento, essa aeronave faria com que tivéssemos de praticar preços proibitivos. O avião ideal para os primeiros seis meses ou para o primeiro ano é o ATR-72. Mas se a procura crescer como esperamos, avançaremos para um avião com maior capacidade.

Porém, importa salientar ainda que para utilizar um avião como o 737, prova­velmente teremos de alargar a operação a outros destinos. E aí temos pensado ligar também a Ponta Delgada, numa ligação triangular Lisboa-Funchal-Ponta Delgada e regresso a Lisboa. Os Açores já foram uma possibilidade em cima da mesa e queremos mesmo chegar lá. Acreditamos que será a forma ideal de trazer mais carga para Lisboa, equi­librando a ida com a volta. Porque há muita mais procura de carga de Ponta Delgada para Lisboa do que do Funchal, desde pescado a carne. Mas vamos pri­meiro consolidar este projecto, teremos tempo para chegar a Ponta Delgada.

E que outras ligações estão previstas na Europa continental?

Consórcio MAIS CargueiroEstamos a lançar um camião diário entre o Porto e Lisboa, que sairá do Porto ao princípio da noite e chegará a Lisboa às 2h da manhã, com carga que poderá ser transportada no avião para o Funchal às 6h.

Por outro lado, temos já a funcionar uma ligação de camião entre Lisboa e Madrid, que coloca os produtos perecí­veis da Madeira no mercado de Madrid no próprio dia. O avião chega a Lisboa às 16:15h e às 17:30h o camião sai com destino a Madrid. Neste caso, trata-se de um camião a temperatura controlada dado o tipo de produto transportado.

Essa ligação ao Porto é só para pro­dutos de Portugal continental para a Madeira ou o camião regressa depois ao Porto com carga da Madeira para o norte do país?

Para já não tivemos pedidos para levar carga para o Porto. Mas se ama­nhã os clientes nos pedirem, estamos preparados.

E há oportunidade para chegar a outros pontos por via aérea?

Sim, isso passará pelo acordo Interline que vamos fazer com algumas compa­nhias aéreas. Com esse, nós faremos o serviço do Funchal até Lisboa e depois passamos a carga para os aviões da British Airways, da Lufthansa e de outras companhias. É um acordo que só será elaborado em Setembro, pelo que não estará em vigor antes do início de Outubro.

O que inviabilizou a entrada nos Açores?

Nos Açores as coisas funcionam de maneira diferente. Existiram dois con­cursos públicos de concessão lança­dos pelo Governo, com um conjunto de normas que para nós seriam pouco comerciais. O Governo preparava-se para compensar a empresa que explorasse a linha em regime de concessão, com um determinado montante, e a em­presa obrigava-se a explorar a linha a um custo que estava no caderno de encargos. Mas, por mais que fizéssemos as contas, não seria viável. Perde-se tempo com concursos que fogem muito da realidade, concursos para cumprir determinados calendários. Mas alguma coisa tem de ser feita e é um mercado de que não desistimos.

Mas, com a consolidação do projecto na Madeira e com a possível introdução de um avião com outra capacidade, pa­rece-nos possível começar a voar para os Açores sem contrato de concessão.

A entrada nos Açores também pode ganhar força pelo facto de já existir a ligação à Madeira?

Sem dúvida! Muitos dos clientes serão os mesmos e podemos ir à boleia do sucesso que esperamos ter na Madeira. Os Açores podem ser o mercado que precisamos para equilibrar a ida e o regresso. E percebemos o potencial que existe no actual contexto turístico do arquipélago. Haverá potencial para fazer cada vez mais carga também para alimentar toda uma economia ligada ao turismo. É que temos muitos voos para os Açores mas são sobretudo de com­panhias Low Cost que não transportam carga.

Ter um parceiro como a Swiftair com a experiência das Baleares e das Caná­rias é também uma vantagem nessa área, certo?

Sim, sem dúvida! A Swiftair traz não apenas os aviões, como todo um conhe­cimento acumulado. Eles viveram há uns anos o que nós estamos a viver aqui. Têm-nos incentivado muito, dizem que as coisas estão a correr muito melhor do que esperavam.

Leia aqui a primeira parte desta entrevista!

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