Raúl Magalhães (APLOG): «Não pretendemos digitalizar a cadeia de abastecimento, mas sim adaptá-la à digitalização»

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O PT Meeting Center, no Parque das Nações, junto ao rio Tejo, abriu as portas a cerca de 350 participantes que, entre os dias 10 e 11 de Outubro, dão vida ao 21º Congresso da APLOG. O evento – um dos expoentes máximos do sector logístico em toda a Península Ibérica – conta, naturalmente, com a cobertura detalhada da Revista Cargo.

O evento, que arrancou ontem pelas 9:30 horas, teve, nas palavras de Raúl Magalhães, o tiro de partida para uma sucessão de intervenções e debates que jogarão a favor de uma mais aprofundada compreensão sobre o fenómeno da digitalização e os desafios que este avassalador processo aporta a uma esfera logística em mutação acelerada.

Congresso reuniu a nata da Logística e deu «prova inequívoca» da relevância do evento

Sob o mote ‘Logística Digital – Novos Desafios’, o congresso deu o primeiro passo pela voz do presidente da direcção da APLOG. As primeiras palavras de Raúl Magalhães foram dedicadas à «valorização do evento» assertivamente comprovada pela presença de 26 patrocinadores, cerca de 350 inscritos, e pela atenção de vários meios de comunicação – uma «prova inequívoca» da relevância do evento «no contexto nacional e ibérico», afirmou.

Raúl Magalhães (APLOG)

O presidente da associação virou depois agulhas para a imparável metamorfose global que acomete o mundo, cada vez mais imaterial, conexo, interdependente e dotado de uma auto-consciência cada vez mais omnipresente. «O mundo progressivamente digital e uma sociedade que se movimenta e avança a um ritmo nunca antes visto são hoje uma realidade para todos nós. Os efeitos e reflexos desta realidade são hoje visíveis nas comunicações, na área financeira, no ensino, nos transportes e em todos domínios da actividade cultura, social e económica», introduziu.

«Os impactos são enormes», declarou, passando de seguida a enumerá-los: «a velocidade da informação e do conhecimento com impactos na esfera pessoal e profissional», acompanhada de uma «competitividade crescente, onde o tamanho e a escala já não contam assim tanto», de uma «capacidade de reformular processos e modelos de negócio com recurso à tecnologia», esta não mais um «mero suporte» mas sim um pilar «dos modelos de decisão».

Tudo isso, aliado a um «acesso aos mercados cada vez mais facilitado» e a uma «desregulamentação e ‘desintermediação’ crescentes, permitindo acesso ao conhecimento e à actividade económica», vem gerando um caldo de transformações que «impactam directamente no consumidor: nos hábitos e tendência de compra, na maneira como comunicamos e relacionamos, nos negócios e no mundo laboral», explicou.

Revolução 4.0 e o caminho logístico para se chegar ao ‘destino futuro’

Esse caldo de transformações desencadeará mudanças de paradigma que impactarão a configuração, de alto a baixo, das sociedades actuais: Futuras gerações «trabalharão em funções com perfis que hoje não existem», anteviu Raúl Magalhães. «Já em 2020, os nativos digitais serão perto de 50% da população activa, sentados nas empresas, nas instituições, como nossos colegas – este é também um desafio para todos nós», lembrou.

«Constatamos que a revolução digital acelera a partilha do conhecimento, melhora a competitividade, abre novos horizontes e oportunidades, potencia a iniciativa dos indivíduos, das empresas, da economia social ao ensino e à investigação», afirmou, consciencializando a plateia para as interrogações cujas respostas permitirão definir o rumo da Logística nos moldes futurísticos de uma constante superação de barreiras. Estarão as empresas preparadas?

«Com este ambiente digital crescente, como conseguiremos cadeias de abastecimento centradas no consumidor, mais ágeis, rápidas e eficientes? Como podemos implementar cadeias de abastecimento orientadas para o cliente final? Como reforçar a colaboração com fornecedores e outros parceiros da cadeia de valor, num mundo onde os produtos são cada vez mais personalizados e centrados no cliente? Como garantir um profundo alinhamento com o negócio utilizando fluxos de informação rápidos, com processos automatizados? Como preparar empresas para identificar, incorporar e desenvolver as competências e perfis necessários para esta revolução?», elencou.

JUP e JUL dadas como exemplo a seguir: Raúl Magalhães elogiou progresso digital na área portuária

A vaga da digitalização tem-se disseminado por todo o mundo, e Portugal não só não é excepção à regra como se destaca até pelo vanguardismo da sua caminhada digital nesta fase 4.0 da história industrial: «Muito se tem feito, até em áreas algo conservadoras, como os portos, onde processos digitais como a JUP e JUL são hoje uma realidade», elogiou, lembrando também o «exemplo dos dos transportes, em que a desmaterialização dos documentos tem sido um sucesso».

Da desmaterialização à automação vai um simples ápice: «Falar de tecnologia é também falar de automação. Não só de armazéns mas de operações mais complexas, na produção, nos portos, nos transportes, na utilização massiva da IoT e de advanced analytics. Tudo isto pensado e concretizado, obrigatoriamente, a par de um forte compromisso com a sustentabilidade», afirmou, esclarecendo um dos basilares princípios da abordagem digital à Logística: «Não pretendemos digitalizar a cadeia de abastecimento ou as operações logísticas, mas sim adaptá-las à digitalização».

Riqueza da APLOG deve ser «permanentemente reinvestida»

«Divulgar o conhecimento e as boas práticas na área da Logística, a par da transversalidade dos associados e da sua independência face a lobbies e interesses corporativos ou outros, são a maior riqueza desta associação. Assim nasceu, cresceu, e afirmou-se no plano associativo nacional como parceiro respeitável, pela isenção, competência e disponibilidade dos contributos dados ao longo da sua existência. Os tempos actuais alteraram estas virtudes, mas não deixaremos que se transformem em fragilidades», garantiu, assertivamente.

«Procuramos obter reconhecimento para projectos de excelência, através do Prémio de Excelência Logística, que iremos relançar em 2019, e que este ano, premiou o projecto CTT, que foi à final europeia em Bruxelas, e foi um dos seis seleccionados. Tudo isto nos convence que, embora os desafios sejam enormes, a riqueza do nosso percurso e a base relevante dos nossos associados serão peças fundamentais para o alcance dos objectivos da APLOG. Esta riqueza tem de ser permanentemente valorizada mas também reinvestida», atirou.

To do list: tornar a formação «mais digital» e abordar « o desafio da logística das cidades» entre as prioridades da APLOG

«Alguns dos desafios já estão na nossa lista: na formação, tornando-a cada vez mais digital e atractiva, mais próxima das necessidades das empresas e trabalhadores, e valorizando a respectiva certificação; programas específicos para empresas, iniciativas inovadoras de cruzamento da experiência real em empresas complementadas com conhecimento teórico/académico; abordar, de forma integrada,; alargar o territ+orio da logística às cadeias de abastecimento, de uma forma global»,

 

 

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