Ricardo Serrão Santos

Ricardo Serrão Santos: «ENIDH será um actor da cadeia de valor numa nova Economia do Mar»

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A ENIDH assinalou, no dia 19, 97 anos de existência – a sessão solene, decorrida no auditório principal da escola, foi acompanhada a par e passo pela Revista Cargo, que dedica a totalidade da sua newsletter ao evento. Um dos grandes destaques do evento foi a participação do Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, cujo discurso fechou a sessão – o governante mergulhou no tema da descarbonização do Shipping, frisou a «crescente importância de Portugal» no ecossistema da nova Economia Azul e na transformação sustentável do sector e realçou o contributo central da ENIDH para um futuro «mais digitalizado e descarbonizado», rumo à evolução de um Portugal «mais resiliente e sustentável».

Encarregue de fechar o ‘Dia da ENIDH‘, Ricardo Serrão Santos analisou o processo de descarbonização em curso, e, apesar do reconhecimento de que o transporte marítimo de mercadorias é dos meios menos poluentes, vincou que o seu contributo é, contudo, essencial para um futuro mais verde. Tal afigurar-se-á um «grande desafio» transversal a todos os sub-sectores da indústria do Shipping, e Portugal vai dando já, salientou, sinais de poder acompanhar essa exigência. Neste ambiente de transformação, a escola náutica poderá ser uma peça-chave na criação de um hub azul que funcione como autêntico ecossistema criativo e formador de uma nova harmonia sócio-laboral, pedagógica e funcional, virada para a sustentabilidade.

«Transformação energética dos transportes marítimos está na ordem do dia»

«Este será, assim se espera, o ano zero pós-pandemia, e esse facto traz-nos desafios consideráveis e oportunidades únicas, a todos os níveis, para melhorarmos o que estava menos bem e avançarmos para práticas mais sustentáveis e saudáveis para nós, para a sociedade e para o planeta. Passámos quase dois anos atípicos, onde fomos relegados para teletrabalho e teleformação, e, desta experiência, percebemos a importância da digitalização de processos, a necessidade de transformarmos a base energética das nossas sociedades e desenvolvermos soluções que respeitem a harmonia da nossa natureza. Estamos todos convocados para essa mudança de paradigma», introduziu o Ministro do Mar.

«A temática da transformação energética dos transportes marítimos está na ordem do dia – sabemos que cerca de 90% das mercadorias que é transaccionada a nível mundial, depende dos transportes marítimos, sector que produz cerca de 3% das emissões antropogénicas de gás de efeito de estuda, que, proporcionalmente, o torna dos menos poluentes em comparação com outros meios de transporte. No entanto, o grande desafio de tornar o sector neutro em termos de emissões e gases de efeito de estufa até 2050 está a mobilizar todo o sector na procura das melhores soluções tecnológicas. Os transportes marítimos não podem ficar de fora desse desafio», prosseguiu Ricardo Serrão Santos.

Para o governante, o sector luso está preparado para abraçar o desafio, dando, inclusivamente, um exemplo dessa capacidade: «Será um enorme desafio para os nosso estaleiros, para os nossos engenheiros e para os nossos armadores. Gostaria de dar o exemplo de uma reabilitação ecológico-energética do navio de cruzeiro ‘Vasco da Gama’, da empresa portuguesa Mystic Invest, que com a tecnologia desenvolvida pela empresa portuguesa TecnoVeritas, aplicada aos motores existentes nos estaleiros portugueses da Lisnave, permitiu reduzir as emissões de gases com efeito de estufa para níveis que antecipam as metas de 2025 e que permite que o navio navegue em áreas onde existe controlo de emissões mais exigentes», disse.

ENIDH e DGRM trabalham em soluções para integrar estagiários no MAR

Seja na vertente tecnológica, seja na portuária ou na administrativa, Portugal tem trunfos que pode e deve capitalizar. Assim, Ricardo Serrão Santos salientou que «no contexto do sector dos transportes marítimos, Portugal é um país com importância crescente, por exemplo, do claro avanço do posicionamento geoestratégico dos nossos portos oceânicos – do qual Sines é o melhor exemplo – ou do Registo Internacional de Navios da Madeira, que se tornou, recentemente, num dos mais importantes da Europa, com previsões de crescimento». A esta boa dinâmica não é alheia a ENIDH, tida como «uma escola única» no que diz respeito à formação marítima – uma reputação sólida, consolidada por quase 100 anos de história.

O responsável pela pasta do Mar adiantou que a escola náutica encontra-se actualmente a trabalhar em sintonia com a DGRM com vista a alargar o espectro de saídas profissionais e de estágio da ENIDH: um dos caminhos em análise é o Registo Internacional de Navios da Madeira. «Sendo esta escola única no que concerne à formação de oficiais de marinha mercante, é importante referir, neste momento, que estamos a trabalhar (em especial a DGRM, em parceria com a ENIDH) para encontrar soluções ágeis que permitam a integração de estagiários diplomados desta escola nos navios registados no Registo Internacional de Navios da Madeira. O papel da ENIDH pode e deve extravasar a realidade nacional, já que o défice de oficiais é, como sabem, grande. A vida de um oficial da marinha mercante tem futuro. O mundo espera por profissionais marítimos bem formados e motivados, para contribuírem para a transformação em curso do sector», sublinhou Ricardo Serrão Santos.

«A ENIDH tem futuro», atestou Ricardo Serrão Santos

ENIDHO governante confirmou o investimento de cerca de 7,5 milhões de euros na ENIDH, por via do Plano de Recuperação e Resiliência (na componente Mar), adiantando, ainda, adicionais investimentos, para tornar a escola náutica uma referência do novo paradigma azul. «A ENIDH tem futuro. E esse futuro será mais moderno, mais adaptado às necessidades formativas, num mundo mais digitalizado e descarbonizado, mais próximo das empresas inovadoras criativas e de centros de investigação, mas também mais ambicioso e exigente para todos. O financiamento de 7,5 milhões da componente de Mar do PRR proporcionará a integração da ENIDH no ‘Hub Azul’, um sistema tecnológico empreendedor e inovador, que estamos a construir para acentuar a relevância dos assuntos do Mar e da Economia Azul descarbonizada num país mais resiliente e sustentável. E ENIDH será um actor da cadeia de valor numa nova Economia do Mar. Juntamente como o FOR-MAR, irá desenvolver e implementar o conceito de Blue Hub School, que terá um papel relevante na capacitação de profissionais para a nova Economia Marítima do presente e do futuro», atirou.

«Deverá também beneficiar de outras fontes de financiamento que incidirá sobre a aquisição de novos laboratórios e simuladores, na construção de um centro de formação e treino de segurança marítima, na modernização da rede informática, na digitalização dos processos de formação e qualificação de infra-estruturas. Antevê-se, nos próximos anos, que estes investimentos permitam aumentar o número de estudantes e formados, dos actuais 760 para, pelo menos, 1000, dando assim resposta às crescentes necessidades de formação superior do sector da economia azul», disse.

«Espero que estes investimentos integrados no PRR possam estar finalizados até ao ano em que se comemora o centenário da ENIDH: seria a melhor forma de celebrar esse efeméride. A preparação das comemorações do centenário da ENIDH está a decorrer a bom curso», finalizou o ministro.

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