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Ricardo Wallis (BuyIn.pt): «Pandemia fez disparar o negócio do e-commerce e dos marketplaces»

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A pandemia chegou e comércio electrónico denotou um boom generalizado que apenas veio confirmar a tendência vigente: as plataformas digitais de conexão de stakeholders são e serão, cada vez mais, a trave-mestra do comércio global do futuro. A Buyin, que opera desde 2016, é prova de que este tipo de solução já está bem enraizado nas relações comerciais – o seu sucesso e evolução foram alvos de análise extensa, em entrevista gentilmente concedida por Ricardo Wallis, CEO e fundador da empresa, à Revista Cargo.

Comecemos pelas tendências que vêm definido a transformação do comércio global- nesta era de digitalização. Quão vital é a existência de uma rede de plataformas capaz de ligar a oferta à procura como a que a Buyin proporciona?

ricardo wallis buyinNos últimos anos, a digitalização transformou totalmente o comércio global. Antigamente, as encomendas eram feitas e entregues em contentores, e passaram a ser feitas na área digital, ou seja, através de marketplaces e lojas online, e entregues em pacotes. Isto fez com que, qualquer pequena empresa, mesmo no meio de África, pudesse vender para todo o mundo.

Claro que, para isto, é preciso ter o Marketing Digital, a Logística e as plataformas digitais que possam chegar a qualquer lado do mundo através do Marketing Digital, para que possam ser conhecidas e para que os compradores possam fazer as encomendas.

Na realidade, o e-commerce já começou há muitos anos, há cerca de 30 anos. Tem evoluído muito; o pico do comércio electrónico ainda não se sabe quando será. Ultimamente, tem crescido nos EUA e na China, a Europa vai muito atrasada em relação a essa tendência, e Portugal muito mais ainda.

Na do e-commerce é latente a necessidade de adaptação por parte das empresas a um ecossistema cada vez mais digital – qual o papel da BUYIN.PT neste contexto?

Em 2016 criámos esta empresa, que se chama Buyin Comércio Electrónico SA com um único objectivo: fazer comércio electrónico. Criámos, primeiro, um marketplace para as empresas exportadoras portuguesas, que é a Buyin Portugal, e, em 2016 lançámos o marketplace para o mercado nacional, com o foco no canal HoReCa. Ou seja, de um lado estão compradores que são restaurantes, mercearias, cantinas, hotéis, cafetarias, pequenos super-mercados, e, do outro lado, estão todos os fornecedores que fornecem este canal – produtores de carne, de leite, empresas que comercializam frutas, legumes, descartáveis, produtos de limpeza, etc.

O ano de 2018 fica marcado pelo lançado o marketplace MercaChefe – quais os grandes objectivos deste projecto?

O MercaChefe nasceu com o objectivo de fornecer somente este canal, ou seja, trata-se de um canal B2B (business to business), mas agora, com a pandemia, decidimos abrir o marketplace aos consumidores, a qualquer particular que queira comprar, sem mudar, no entanto, o modelo de negócio, ou seja, como costumo dizer, não vendemos uma garrafa de vinho, vendemos uma caixa de vinho, não vendemos um queijo, vendemos uma caixa de queijos – exactamente da mesma forma que, no tradicional, os fabricantes ou os retalhistas fornecem o chamado canal HoReCa.

Não aceitamos retalhistas a vender, apenas aceitamos empresas distribuidoras que fazem importação de produtos (ou que têm exclusivo de distribuição dos fabricantes), ou fabricantes de produtos bem como produtores de vegetais, de carne e por aí fora.

Em tempos de pandemia, o e-commerce ganha uma relevância ainda maior – de que forma pode a Buyin.pt ser um agente facilitador da actividade económica?

Com esta pandemia, o que na realidade aconteceu foi que houve uma necessidade de as empresas comprarem online, e, como é óbvio, as empresas que estavam preparadas para isso começarem a ter mais vendas e mais sucesso.

A nossa empresa é 100% digital, ou seja, não somos nenhum retalhista com uma loja online, nem somos um supermercado que também tem uma loja online, somos um marketplace.

Eu costumo explicar mais facilmente às pessoas: somos como a Booking ou a Uber. A Booking não tem apartamentos, nem tem hotéis, mas as pessoas entram no Booking para alugar os quartos dos hotéis das empresas que têm quartos para oferecer. Assim como na Uber, a Uber também não tem viaturas, mas tem compradores que precisam de alugar as viaturas e tem do outro lado empresas ou pessoas que têm viaturas e precisam de serviços.

Nós temos um negócio um pouco mais difícil, de um lado temos os produtores que precisam de vender os seus produtos, do outro lado temos as empresas e consumidores que precisam de comprar esses produtos. O que a MercaChefe faz é com que o consumidor compre directamente às empresas que estão a vender que, neste caso, são sempre produtores ou grandes distribuidores.

Os preços são exactamente os preços que os distribuidores vendem para o canal HoReCa. Neste caso, o consumidor está a comprar a preço de revenda, em unidade de caixa, ao produtor, o que nunca aconteceu.

A aposta do Grupo SIMAB nas potencialidades do marketplace MercaChefe é a prova de que cada vez mais estas ferramentas são essenciais às empresas. Como encara esta sinergia?

Grupo SIMAB Marl COVID-19Em relação ao grupo SIMAB, que gere os mercados abastecedores de Lisboa, Faro, Évora e Braga, no MercaChefe foi a vontade que a administração do grupo SIMAB tinha de oferecer um serviço de e-commerce aos operadores e, por outro lado, a vontade que a nossa empresa teve de fazer uma parceria com um grande parceiro, que nos últimos 2 anos nos tem apoiado e nós os temos apoiado também.

A parceria com a SIMAB não se limita só ao mercado nacional, porque a SIMAB tem um plano de internacionalização, no qual a nossa empresa também está envolvida. Um dos resultados mais concretos foi uma parceria que fizemos no Brasil, onde criámos a MercaChefe América Latina. No Brasil, desenvolvemos o primeiro marketplace brasileiro nesta área, que é o mercaChefe.com.br, que está em actividade,  ainda sem fazer vendas, mas que dentro de alguns meses irá começar a fazer vendas.

Os e-marketplaces vieram para ficar, mas, terá a pandemia acelerado este processo evolutivo?

Sim, a pandemia em Portugal, que é o que sabemos melhor, fez disparar o negócio do e-commerce e, por tabela, o negócio dos marketplaces.

Como eu costumava dizer, eu andei anos e anos atrás das empresas a convencê-las a vender online e de há um mês e meio para cá são as empresas que querem falar connosco para terem uma flagship store no MercaChefe.

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