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IBM e o Porto do Futuro: ganhos serão avultados para quem assumir liderança digital

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Em entrevista concedida ao World of Maritime News, Bert Greenstein, actual vice-presidente da IBM para a divisão “Internet of Things Offerings”, dissertou sobre o progresso digital no meio marítimo – e o papel da IBM em todo esse processo – e a crescente adopção de tecnologias inovadoras por parte de portos, operadores de terminais e outros agentes envolvidos na corrente transformação da cadeia logística global.

Aviso à navegação: ganhos competitivos para quem se antecipar serão avultados

Um dos primeiros enfoques de Bert Greenstein foi explanado em tom de conselho: as empresas e entidades que se anteciparem à adopção das novas potencialidades digitais terão, invariavelmente, um ganho competitivo face aos seus competidores, que, com o passar do tempo, se poderá tornar num fosso impossível de anular: «De acordo com as estimativas do Porto de Roterdão, as operadoras e os portos pouparão até uma hora no tempo de atracagem, o que pode traduzir-se em poupanças de 80 mil dólares por dia para as operadoras marítimas, permitindo ainda que mais navios escalem o porto», explicou.

Big Data, IA e IoT serão trunfos rumo a eficiências nunca antes vistas

O responsável da IBM, que tem monitorizado os trabalhos de evolução digital encetados pela companhia no Porto de Roterdão, especificou os objectivos de todo esse processo no porto referência da Europa: a digitalização envolve a substituição dos métodos tradicionais de comunicação por soluções alimentadas pela ‘Big Data‘, Internet das Coisas (IoT) e também pela Inteligência Artificial (IA). Assim, as operadoras marítimas e os portos, que antes se orientavam através de rádios e radares tradicionais, passarão a tomar as suas decisões com recurso a um único painel que agregará toda a informação pertinente.

Os sensores, sustentados na tecnologia IoT, colherão múltiplos padrões de informação sobre as correntes marítimas, marés, temperaturas, velocidade e direcção do vento, níveis do mar, disponibilidade de atracadouro e visibilidade – informações importantes que poderão ser depois analisadas pela IA. Greenstein aprofunda: estes dados serão depois essenciais para a tomada de decisões, contribuindo para a redução dos tempos de espera, a determinação dos tempos ideais para a atracação de um navio, cargas e descargas e a maximização de números de navios que procuram um determinado porto.

Roterdão na vanguarda: porto e IBM projectam «gémeo digital», revela Greenstein

Na busca pelo Graal da competitividade portuária do futuro está o Porto de Roterdão, liderando a corrida da digitalização, revelou Bert Greenstein – actualmente, o porto trabalha com o intuito de adoptar um trunfo digital que permitirá acolher navios autónomos na sua área portuária de 42 quilómetros que vai desde o Mar do Norte até à cidade de Roterdão. «Para preparar o futuro, o porto está a recorrer à IoT da IBM para criar um gémeo digital de si mesmo. Uma exacta réplica digital das operações que espelhe todos os recursos do Porto de Roterdão, monitorização dos movimentos dos navios, infra-estruturas, clima, dados geográficos e marítimos», revelou.

«Esta parte da nossa iniciativa de digitalização ajudar-nos-à a testar vários cenários e a perceber qual será a melhor forma para melhorarmos eficiências em todas as nossas operações, sem deixarmos de manter padrões de segurança restritos», comentou ainda, lembrando que a indústria marítima é uma parte crucial da cadeia global de abastecimento, já que mais de 85% dos bens movimentados chegam ao destinatário tendo antes passado por uma etapa marítima, pelo menos uma vez no seu ciclo de existência.

Porto de Roterdão trabalha para se tornar «o porto mais inteligente do mundo»

«A digitalização da indústria do transporte marítimo permite maiores níveis de eficiência e transparência nas cadeias de abastecimento. À medida que a indústria se transforma, devido às tecnologias digitais, começaremos a vislumbrar operações portuárias com menores tempos de espera, comunicações mais acessíveis entre as partes e fluxos de tráfego mais simplificados e fluídos», afirmou, deixando uma garantia: «Começaremos a ver muitos portos a acordar para a exploração da digitalização, tentando entender que tipo de impactos esta poderá ter nos seus negócios». Roterdão, fazendo jus à sua magnitude, vai vencendo por antecipação: «O Porto de Roterdão entrou numa transformação digital com várias fases, no sentido de se tornar o porto mais inteligente do mundo».

Blockchain não tem solução digital one size fits all

Bert Greenstein abordou também a temática do Blockchain, explicando a variedade de desafios que a chegada de novos trunfos digitais complexos trazem para o universo logístico – para o responsável de IoT da IBM, não existem soluções one size fits all, ou seja, o primeiro passo para entender estas novas tecnologias é perceber que cada tipo de negócio necessita de uma solução adequada, adaptada e personalizada, tendo em conta as suas especificidades.

«Estamos agora num período de educação e de entendimento sobre como estas tecnologias se encaixam a cada um dos negócios. Contudo, cada negócio tem as suas necessidades dentro da cadeia de abastecimento. Temos de educar os nossos clientes quanto à forma de aplicar estas novas tecnologias, para que estas sirvam os seus interesses», rematou.

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