Rui Gomes (DHL Supply Chain) e o desafio digital: «Os operadores logísticos têm de se preparar»

Logística Comentários fechados em Rui Gomes (DHL Supply Chain) e o desafio digital: «Os operadores logísticos têm de se preparar» 398
Tempo de Leitura: 5 minutos

Um dos pontos de maior interesse do primeiro dia da 21ª edição do Congresso da APLOG reuniu importantes nomes da Logística nacional e ibérica para discutir os efeitos disruptivos da digitalização no sector e as abordagens levadas a cabo pelas empresas cujos representantes corporalizaram o painel subjugado ao tema ‘Operadores Logísticos 4.0’.

Héctor Benito Séron (da Carreras Grupo Logístico), André Maia (da ICP Logística Portugal), Luís Marques (Rangel Logistics Solutions) e Rui Gomes (da DHL Supply Chain) compuseram o painel, que contou com a cobertura da Revista Cargo. Neste artigo jornalístico, ao qual sucederão vários outros, reportamos a intervenção de Rui Gomes, Country Manager Portugal na DHL Supply Chain, e que versou sobre a «abordagem à digitalização».

Como está, então, a DHL a enfrentar a ‘vaga digitalizante’ que assola o universo logístico? «A realidade e o contexto onde estamos a operar está a mudar e é importante ter consciência disso», começou por afirmar Rui Gomes, que lembrou a importância de constantemente «auscultar o mercado». «O mundo actual está a evoluir a uma velocidade enorme e é importante pararmos e pensarmos onde estamos e para onde queremos ir», introduziu.

Rui Gomes: «Temos de nos preparar para o salto seguinte»

O mundo actual transforma-se ao ritmo desenfreado da inovação tecnologia e a esfera logística absorve, de forma hipodérmica, os seus efeitos disruptivos – «Nos últimos 50 anos vivemos a era da revolução industrial, da computação e da electrónica, dos sistemas de informação e da estandardização dos processos produtivos – ganhar escala, ganhar estandardização, ter custos de produção cada vez mais baixos através da automatização na área da produção» eram as leis da sobrevivência e do sucesso das empresas, lembrou.

Agora, o cenário muda de figura: «Hoje estamos na recta final desta linha, temos de nos preparar para o salto seguinte, que vem beber muito à parte tecnológica mas que, com a IoT, será de facto uma realidade diferente». Mais do que alteração de processos ou de técnicas, esta fase disruptiva transformará, de forma indelével, a face da própria Logística. Desde logo porque, a par do progresso tecnológico, também se assiste à metamorfose do comportamento dos consumidores.

Acompanhar a mudança significa ter cadeias logísticas «mais ágeis, flexíveis e resilientes»

«A IoT, a automatização, a digitalização, a desmaterialização – tópicos que cada vez estão mais presentes na agenda dos nossos clientes e na nossa própria agenda. E isto provoca, obviamente, alterações, na forma como os clientes vêem o presente, na forma como os operadores logísticos se devem preparar para dar resposta a essas alterações, e também as empresas mais tecnológicas, que têm de colaborar connosco para nos permitir alavancar as soluções para responder a esta nova dinâmica que o mercado nos pede», argumentou.

Como encarar esta transformação? «Os operadores logísticos têm de se preparar. Isso significa o quê? Significa ter cadeias logísticas cada vez mais ágeis, flexíveis, eficientes e resilientes, porque, o objectivo, no final, é ganhar quota de mercado. O operador logístico tem de ter esta flexibilidade para se ir adaptando à nova realidade», alertou Rui Gomes. «Como é que nós o fazemos? Estando muito próximos dos nossos clientes, próximos do negócio e tentando consultar permanentemente», afirmou.

CEO’s admitem que integração digital é tarefa espinhosa

Um questionário sobre o fenómeno da digitalização, levado a cabo pela DHL, mostrou resultados dignos de análise profunda: cerca de 350 CEO’s foram questionados sobre as expectativas, anseios, leituras e receios face ao avanço desta tendência global. Cerca de 80% dos inquiridos afirmou que a digitalização irá afectar os seus negócios; já sobre um dos aspectos específicos da digitalização, a Big Data, 73% reconhece que esta será a tecnologia que mais os afectará; mais: 78% admitiu que a integração da mesma «será uma barreira», relatou. «Integrar os sistemas é fácil no Powerpoint mas torna-se muito difícil quando tentamos operacionalizar», reforçou Rui Gomes.

E-commerce provoca «alteração muito grande nas cadeias logísticas»

Tudo isto catapulta, para níveis estratosféricos, o desenvolvimento do e-commerce. «O comércio electrónico está aí, está a crescer, e nós temos de estar atentos. Está a provocar uma alteração muito grande nas cadeias logísticas», explicitou o responsável da DHL Supply Chain: «13% das vendas já são feitas através do e-commerce e 25% da população mundial já fez ou faz regularmente compras online». Os números não mentem: estamos perante um crescimento «absolutamente alucinante». «E ainda estamos no princípio», notou.

«A omnicanalidade veio para ficar e temos de fazer face a ela»

Os dados veiculados por Rui Gomes dão ainda contam de um pormenor tão interessante quanto ameaçador: os clientes exigem um «last mile mais flexível, mais complexo, que permita interacção» no âmbito da omnicanalidade, mas esperam não ter de pagar mais por isso (47%). As dinâmicas de consumo, cada vez mais centradas no imediato desejo do consumidor, colocam adicional pressão sobre a Logística: o consumidor quer «comprar muito e de forma diferente, quer poder interagir com o operador» e alterar os parâmetros da entrega. Ora, isto, explicou, «é um desafio enorme e está a trazer uma tensão enorme à cadeia».

Vision picking é aposta da DHL

«Como é que a DHL olha para tudo isto? Primeiro, temos de ter equipas diferentes, gente com cultura mais adaptada a esta realidade das TI, gente que tenha um mindset diferente»; em segundo lugar, expôs, procurando entender quais as tecnologias que podem de facto ser capitalizadas – entre elas está, desvendou Rui Gomes, o vision picking, um upgrade tecnológico que «está desenvolvido, está a funcionar, e está a ser introduzido nos processos actuais».

O caminho para a manutenção do sucesso passa por acompanhar, de perto, todo e qualquer desenvolvimento tecnológico que seja passível de inaugurar «novos modelos de negócio», daí revelar que a DHL Supply Chain se encontrar a «desenvolver parcerias com startups para criar produtos através da integração das diversas tecnologias», deixando um alerta: avaliar  a utilidade da implementação de novas ferramentas tecnológicas é essencial, porque, «ser o primeiro custa muito dinheiro, ser o último custo muito mais».

Back to Top

© 2018 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com