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Rui Raposo: ENIDH poderá ser «fundamental» na investigação para uma descarbonização efectiva

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A ENIDH assinalou, no dia 19, 97 anos de existência – a sessão solene foi acompanhada a par e passo pela Revista Cargo, que dedica a totalidade da sua newsletter ao evento. Rui Raposo, na condição de Presidente do Conselho Geral da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique (ENIDH), teve uma das intervenções de destaque, dissertando sobre os incontornáveis temas da digitalização e automação no sector do transporte marítimo, a forma dissonante e incerta como o processo de descarbonização tem sido levado a cabo e o papel da escola nesta problemática global.

Metas de descarbonização no Shipping: «A única coisa certa é a incerteza»

«A descarbonização, a digitalização e a automação estão a dominar a actualidade. Como é um assunto que me preocupa, optei por abordá-lo considerando o interesse que tem para a escola náutica. Todos os que conhecem minimamente o Shipping concordarão que, com os actuais navios e combustíveis, as metas de descarbonização que foram definidas para 2030 e 2050 não são fáceis de atingir. Parece-me haver uma grande confusão entre o que é o caminho desejável e o que é tecnicamente possível», começou por declarar Rui Raposo, durante a sessão solene do ‘Dia da ENIDH‘.

«Os armadores não constroem navios, não produzem motores, não fabricam combustíveis: têm de adquirir o que está disponível no mercado e é necessário entender que o ciclo dos navios não está em consonância com os ciclos ambientais nem com as metas fixadas para o chamado ‘zero carbono’. Os navios têm um tempo de vida útil superior de 25 anos, pelo que seria necessário que, já em 2025, estivessem a navegar milhares de navios que não consumissem combustíveis fósseis», prosseguiu Rui Raposo, criticando o desconcertado processo de descarbonização global.

«Conhecemos as metas fixadas para a descarbonização para 2030 e 2050, mas, em relação ao Shipping, a única coisa certa é a incerteza – não se sabe o que vai mudar, como vai mudar, e quando vai mudar, para as podermos alcançar. Acabar com os navios não é possível nem faz sentido, uma vez que o modo marítimo transporta cerca de 90% das cargas a nível mundial, e, somente por navio, é possível transportar as grandes quantidades de carga para as ilhas e da Europa e Ásia para a América. Não quer isto dizer que os navios não tenham de reduzir as suas emissões», apontou.

Rui Raposo: Investigação é fulcral para uma descarbonização exequível

Rhenus maritime ArkasAssim, vincou Rui Raposo, «terá de ser definida uma estratégia coerente em relação ao transporte marítimo que reconheça que as opções de descarbonização disponíveis para os navios são muito limitadas e algumas mesmo inexistentes. Só se caminha num processo de descarbonização do Shipping com base em investigação aplicada – é aqui que a ENIDH, em conjunto com estaleiros, fabricantes de motores e produtores de combustíveis, poderá desempenhar um papel fundamental», salientou, apontado a escola náutica como uma das soluções para o problema.

«Para isto, são necessárias verbas. Com o objectivo de criar um fundo destinado a financiar programas de investigação, a ICS apresentou, na IMO, para ser discutida, em Novembro, uma proposta para que as verbas que o Shipping vai criar [com a taxação da poluição provocada] sejam destinadas a esse fundo. Ou seja, o que a ICS pretende é que, se queremos realmente estabilizar os navios, as verbas pagas pela poluição que estes provocam, deve então ser reinvestida no sector, deve financiar os tais programas de investigação e não utilizadas pelos governos em outros sectores», rematou.

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